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Principais dúvidas sobre o voo duplo

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voo duplo

COMUNICADO: Estamos dedicados e concentrados na formação, desenvolvimento e progressão dos pilotos de parapente, sendo assim estamos indicando pilotos que realizam voos duplos instrucionais, considerando o nosso foco no momento. Pilotos Kauan Felipe Lichtnow 41 99918-2070 e John Frank de Oliveira 41 99634-9761.

Algumas informações pertinentes sobre o voo duplo:

O voo duplo instrucional é a forma mais barata de conhecer o voo livre e avaliar o ingresso definitivo no mundo dos ares. É um curso rápido, que aborda as questões básicas esportivas, porém não o habilita a voar pelos ares sendo o próprio piloto. São apenas uma única aula e um único voo acompanhado do instrutor, ou seja, uma única experiência que consiste em:

  • Uma aula teórica, realizada antes do voo duplo, durante a semana, mediante agendamento prévio. Para participar basta preencher sua inscrição aqui.(indisponível pela Vento Norte Paraglider, entrar em contato com os pilotos que indicamos acima.)
  • Um voo duplo instrucional.

O que não está incluso no voo duplo instrucional?

Transporte, translado, alimentação, fotos, combustível, seguro, taxas de acesso dos locais de voo, custos dos acompanhantes e qualquer outro gasto de natureza pessoal, ou que não esteja claramente citado como incluso.

Onde, quando e quanto tempo dura a aula teórica?

A aula teórica ocorre em Curitiba.

Tem a duração de 40 minutos, onde são abordados procedimentos de segurança, locais de voo, pontos de encontro, como funciona o esporte, o planejamento para o dia do voo e tantas outras nuances.

É necessário agendamento. As aulas são realizadas de segunda à sexta, em sua grande maioria no período noturno, embora possam ocorrer em outros horários.

Onde, quando e quanto tempo dura o voo duplo instrucional?

Os voos podem ocorrer no Morro do Cal, no Morro da Palha, na Ilha do Mel, em Caioba, e outros locais previamente citados pelos pilotos indicados acima.

Quanto custa  e qual é a forma de pagamento?

Verificar com os pilotos que indicamos no início deste artigo.

Quero adquirir para presente, porém prefiro realizar transferência ou depósito bancário, como faço?

Verificar com os pilotos que indicamos no início deste artigo.

O instrutor tira fotos?

Verificar com os pilotos que indicamos no início deste artigo.

Quando o meu voo poderá ser cancelado?

Caso você esqueça o seu voucher, por condições climáticas inadequadas para a janela operacional do parapente, como ventanias, tempestades, chuvas, falta de visibilidade, quadrantes de vento incorretos, turbulências, são algumas das situações que causam cancelamento sem aviso prévio, mas não são as únicas.

Como devo proceder quando meu voo for cancelado?

Quando o cancelamento ocorre, normalmente é com um dia de antecedência, porém pode ocorrer de ser cancelado no momento da decolagem, se for verificada situação perigosa para o voo, em ambos os casos é remarcado para outra data, e de preferência a remarcação (o agendamento) deverá ocorrer na mesma semana, para melhor planejamento e garantia de que seja realizado dentro do prazo do seu voucher.

Eu faltei no dia do voo,  perdi o voucher?

Sim, pois o instrutor estava lá esperando por você, que ocupou a vaga de outra pessoa. Porém, se você avisou com a antecedência de 24 horas via e-mail e a equipe confirmou o seu adiamento, esta tudo bem, e não perderá o seu voucher, apenas se agendar e não comparecer. Certo?

Qual é o limite de peso?

O equipamento é para o limite de 100 kg o passageiro (a).

Tem descontos para grupos?

Verificar com os pilotos que indicamos.

Tenho uma empresa de turismo esportivo e quero vender os voos duplos instrucionais, como faço?

Verificar com os pilotos que indicamos.

Eu tenho mil seguidores no instagram e facebook, posso fazer uma publicação direcionando para a Vento Norte em troca de um voo duplo?

Verificar com os pilotos que indicamos.

Posso levar acompanhante para assistir o meu voo?

Sim. Quantos você quiser. Os acompanhantes são super bem-vindos.

Tenho desconto no curso de parapente – módulo 01 – iniciante, após realizar o meu voo duplo instrucional?

Não no momento, pois não estamos realizando os voos duplos instrucionais, apenas indicamos quem realiza.

É correto falar pular/saltar de parapente/paraglider?

Não. Tem o dito que diz que quem pula é canguru, quem salta é paraquedista.

O paraquedismo é um esporte completamente distinto do parapente/paraglider. O primeiro o grande barato é a queda livre, e o segundo (o nosso esporte) o desafio e a paixão estão no ato de voar propriamente, permanecer em voo e desfrutar da navegação pelos ares, ao sabor do vento, ou seja a aventura humana de voar livre.

Assim sendo o correto é voar ou decolar de parapente, nunca pular ou saltar.

Parapente e paraglider são as mesmas coisas. Parapente do francês e paraglider do inglês.

Para enriquecer ainda mais esse artigo, confira a reportagem do Plug, que desfrutou dos ares conosco.

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Artigo: Nicolle Muraro

Sobre o Parapente

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Parapente é o nome em francês. Significa voo de encosta. França não é apenas o local que nosso ávido aventureiro aviador Alberto Santos Dumont apresentou ao mundo seu 14-Bis.
Uma salva de vivas e aplausos para esse sujeito de bigode.
França também é o berço do parapente.
Pedimos desculpas aos historiadores, pois avançaremos alguns momentos, como os desenhos de Leonardo da Vinci, os estudos da Nasa e o desenvolvimento e modificação do paraquedas. Voaremos diretamente ao que interessa. Junho de 1978.
Com intensa curiosidade, ideias e mentes afiadas, engenheiros da aerodinâmica testam alguns projetos do que viria a ser o parapente. São 3 paraquedistas que passam a decolar de uma pequena colina no Sul da França. A motivação era que após conquistar o cume da montanha, pudessem descer voando. A história do paraglider começa como prática esportiva exatamente neste momento. O feito do trio atraiu diversos entusiastas da natureza e da aviação. A notícia que estavam testando os pequenos voos espalhou-se por todos os cantos da cidade. No mesmo ano ganhou adeptos e passaram a ser 15. No ano seguinte são 50 bailando pelos ares da colina. Em 1982 são cerca de 500. Em 1987 totalizavam 5 mil voadores espalhados pela Europa e 40 escolas. Estima-se atualmente que no velho mundo 250.000 pessoas já praticaram o parapente ativamente, entre duplos e solos.
No ano de 1985 o deslumbre com as marcas atingidas de permanência no ar com um parapente, vieram com o piloto Oliver Jousse – 1 hora e 45 minutos em voo, Roger Bedouet 2 horas e 40 minutos, Gerard Bossom 3 horas e Richard Trinquier 5 horas e 20 minutos.
Em uma terra de tupiniquins, na cidadezinha litorânea paranaense, nosso amigo curitibano Kan permanece 9 horas sobrevoando o Morro do Boi, na praia de Caiobá. Essa é a parte que perguntam como ele fez xixi. Já te aviso que é segredo dele. A não ser que pretenda ficar muitas horas em voo, aí você irá descobrir o segredo no curso.
Partiu para os dias atuais? Bora então!
Hoje descer voando de parapente após uma ascensão de uma montanha é uma das inúmeras possibilidades do esporte, não é a única. Essa modalidade é denominada Hike and Fly. (Hike’n Fly). Significa caminhar e voar. Tem uma galera da família Vento Norte que ama essa experiência e vez ou outra estão deslizando pelo céu da Serra do Mar, sendo mais comum no Araçatuba, Anhangava e no Camapuã.
As duas últimas montanhas citadas permitem o que chamamos de travessia. Decola-se do Camapuã e pousa-se em Antonina e nas decolagens do Anhangava  pousa-se em Morretes, para comer o tradicional barreado. O visual é espetacular e o barreado é dos Deuses. Não que eu pense muito em comida.

O vídeo é de emocionar e o aluno é de orgulhar o instrutor Márcio!
Paraglider ou paragliding é o nome em inglês.
Aqui pela pátria amada, idolatrada, salve, salve-se quem puder, utilizamos as duas denominações. A francesa e a inglesa. E jack sou brasileiro também chamamos de glider, asa, paraka, vela, velame, equipo e outros apelidos que a criatividade aflorar.
Ah, antes que eu deixe passar batido o detalhe! Você não precisa subir uma montanha na bota para poder decolar de parapente. Você pode sair do seu apartamento, caso more em um, entrar no elevador, caso seu apê tenha um, colocar seu equipo no porta-mala, dirigir até o Clube Vento Norte – Morro do Cal – Campo Largo, principal Q.G dos pilotos e alunos Vento Nortenhos e Nortenhas. saudar os parças alados, entrar no trator que leva até o cume da montanha em 6 minutinhos, e “plunct, plact, zum”, na rampa de decolagem levantar o seu voo. Não escorreu uma gotinha sequer de suor. Simples, rápido e prático.
As travessias em rampas como o Cal são denominadas de voo de Cross Country, termo utilizado mundialmente para a modalidade do voo livre que consiste em subir o mais alto para voar o mais longe, através das correntes de ar, denominadas ascendentes térmicas.
Uma das rotas do Morro do Cal é para a cidade da Lapa, e quem pousa lá ganha o troféu coxinha, que nada tem a ver com as mortadelas e as zelites, é apenas porque tem uma confeitaria com uma coxinha divina. Novamente não é porque eu vivo pensando em comida, ok?

Olha aí o Kauan, um dos nossos instrutores concluindo a missão coxinha e chegando na confeitaria.
O que transforma o tecido, as linhas e todo apetrecho do esporte em uma asa é a aplicação de um princípio chamado de Bernoulli. O nome é uma homenagem ao criador da coisa toda. Um carinha suíço bacana que estudou a mecânica dos fluídos.
Resultado de imagem para bernoulliOlha a beca do cara! Uma simpatia só!
Se fosse aqui no Brasil poderíamos até pensar que ele está prestes a sacar uma arma para se defender de algum assalto. Como é na Suíça, pode apostar que ele esta prestes a sacar uma caneta. A melhor arma de todas contra qualquer maleza mundial, educação.
Graças a ele que temos todas as possibilidades da aviação, incluindo todos os aerodesportos, como o parapente. (ok, também para a fórmula 1 e tudo que necessite de aerodinâmica para funcionar com louvor e destaque).
Dica: Não precisa sair digitando no google Princípio de Bernoulli. Durante o curso o instrutor te conta tudo isso na prática e na teoria, na intenção que o conhecimento seja intuitivo durante o seu bater de asas e levantar o voo.
Conquistas Brasileiras no mundo dos ares
O Brasil possui uma das fábricas mais responsáveis e confiáveis. A Sol Paragliders. Presente em 62 países, líder das Américas e inovadora na responsabilidade ambiental e social em todo o processo da produção. Um orgulho para a nação! 🙂

 

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Olha aí nós com os fundadores da Sol. É muita chiqueza né!
Falar do parapente no Brasil e não falar dessas duas pessoas, os fundadores da Sol, Ary e Fernando Pradi é um crime imperdoável. São eles os principais responsáveis pelo desenvolvimento e fomento do esporte no Brasil. Merece um artigo a parte.
Nosso país não apenas se destacou pelo futebol (aqui vai da sua auto-estima lembrar do 7 a 0 ou lembrar que somos Pentas) e a fábrica Sol Paragliders, mas também por sua condição de voo. De norte a sul, de leste a oeste é possível encontrar o seu estilo de voo.
Voos tranquilos, como finais de tarde no interior desse grande país, ou em nossas belas praias. Um deleite para permanecer por horas deslizando pelo topo das encostas e curtindo a  bela vista, até repousar nossas asas na beira mar ao som das ondas. Esse tipo de voo é denominado voo de lift.  Etapa aprendida logo que o piloto domina a técnica de decolar, aproximar e pousar com perfeição. Por aqui, os nossos destinos praianos mais comuns são: Ilha do Mel, Penha, Praia Vermelha, Atalaia, Balneário e Caiobá. Confere um pouquinho os momentos.

Voos que alimentam a visão nas grandes montanhas de nossa mata atlântica. Já te mostramos o quão espetaculares são. (Hike’n Fly)
Voos que nos desafiam interior adentro, em busca do troféu na confeitaria. Desde Campo Largo, Tibagi, Pomerode e tantos outros lugares que costumamos sobrevoar. Esse é um tipo de voo que mais satisfaz os pilotos.
Ahhh, que lindeza que é descobrir tantos lugares, ver tudo isto de cima e desfrutar dos sabores de cada um!
Dos bolinhos de carne do Morro do Cal à alcatra do Bar do Paulo do Morro do Palha, entre a decolagem e o pouso, 13km de voo livre. Dos chimarrões dos Pampas gaúchos aos marrecos Catarinenses. Da carne de sol do sertão nordestino ao arroz de pequi de Jaraguá, Goiás. Das caipirinhas cariocas aos pães de queijo mineiros. Ops! Desculpa. Minas tem doces e uma infinidades de queijos coloniais também. O que você pode não saber é que ela foi considerada por muito tempo o Havaí do voo livre mundial, até que o Ceará mostrou o potencial do cangaço, e não foi com Lampião e Maria Bonita. Foi é botando a galera alada a percorrer distâncias inacreditáveis em um parapente, 100 km, 200 km, 300km, 400km, achou muito! A coisa não parou aí, e sim em 564 km de voo livre!
A fama do cangaço ecoou pelo mundo e a gringarada aparece em peso pelas bandas de lá na temporada de voo.
Mas…. ah esse mas é o melhor mas que já escrevi. Entra primavera, sai primavera e o caneco dos recordes de Cross Country é dos nossos. O consagrado capixaba Frank Brown (13 vezes campeão do brasileiro e mais um par de conquistas), o menino do rio Rafael Saladini, o tu tais doido de Santa Catarina – Donizete Lemos e Marcelo Pietro e o mineirinho mais carismático que nossos ares conhecem, Samuel Nascimento (como vai a vida Samuka?). Compartilham as longas distâncias de parapente e às vezes disputam o título de campeão brasileiro revezando também o troféu.
Para quem curte assistir documentários de montanha,  vale a pena assistir o média-metragem, dirigido por Rafael Saladini e Pedro Dumans, CICLOS. Conta a história do recorde mundial de distância (461,4 km) percorridos no dia 14/11/2007.
O média metragem ganhou os prêmios de Melhor Júri Popular e Oficial no ano de 2009 – Mostra Internacional de Filmes de Montanhas e em 2010 ganhou o prêmio de Melhor Conquista Esportiva, no Les Icares du Cinema. Prêmios conquistados lá no berço do parapente – França. Essas imagens são as grandes ondas do voo livre e aí estão a nata do esporte. Surpreenda-se!

Os cabras da peste são tão vorazes que bateram o próprio recorde, a proeza dos 564 km foi decolar de Tacima da Paraíba e pousar no interior do Ceará.
Pelloooo amoooor do bom senso! Não vá entender que o cabra da peste é porque eles são uma peste! Cabra da peste significa valente e corajoso nos ditos nordestinos. Belê?
Dica: Aqui você pode correr para o google e digitar Cabra da Peste. Se digitar só peste no Brasil o resultado da busca pode te direcionar para a Esplanada dos Ministérios.
Para a próxima quebra de recordes irei dar uma sugestão de título do média-metragem. Aproveita a dica Rafael Saladini, para criar todo o roteiro: Comer, Voar e Amar. Não necessariamente nessa ordem, aí é com o roteirista e o montador.
(p.s: O Márcio pediu para eu dizer que a sugestão é minha, não dele, pois achou o título “delicado”,  apesar de eu achar super motivador). 🙂 Avisado!
Agora para o respeitável público. Sacou quantas coisas podem ser vivenciadas no esporte?
Achou que era só descer da montanha?
Tem  tanta coisa que vem no pacote, não apenas as guloseimas. As possibilidades emocionantes, tranquilas, intensas. Visualizar o mundo do ângulo mais privilegiado, na base da nuvem; sobrevoando praias, rios, lagos, montanhas, vales, enfim inúmeros lugares, cada qual com uma beleza e história que vão sendo inseridas nas páginas da sua vida a cada ida para o morro. Amizade, união, espirito de coletividade, aventura e viagens são uma constante nesse fascinante esporte que possui tantas nuances.
Saudações aéreas!

Canal no WhatsApp – Notícias dos Ares

No aplicativo do Whatsapp temos um canal da escola, você pode acompanhar algumas publicações da escola por lá.

Para participar do grupo basta clicar aqui.

Artigos que podem te ajudar:

Montanhismo, voo livre e competição.

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Fãs do Red Bull X-Alps – uma competição duríssima em que os atletas devem caminhar e voar (hike’n fly) 1.200 quilômetros (sim, eu escrevi mil e duzentos quilômetros) através dos Alpes – entre nossos (as) pilotos é o que não faltam por aqui.

Embora não tenhamos um Alpes, temos montanhas e morros por todo território brasileiro, e o número de adeptos da modalidade hike’n fly (H&F) na grande família VN (Vento Norte) é maior do que você pode imaginar.
As caminhadas e os voos em montanhas da Serra do Mar e suas travessias – um H&F estupendo em paisagens – estão cada vez mais comuns entre os nossos. Na realidade mais possível, mais alegre, mais leve, mais democrático e mais inclusivo.
O que antes eram pouquíssimos (as) vento nortenhos (as) realizando (Hilton, Rafa, Michel, Eric, Raquel e os grandes pilotos e amigos Gil Piekarski, Rafa Cabelo e Cláudio Mega), hoje está ao alcance de todo piloto formado que queira treinar, estudar e se aventurar pelas matas e trilhas acompanhando a galera e adotando este “novo” estilo de voo.
A nossa vento nortenha Raquel Canale talvez tenha sido a primeira mulher a realizar as travessias da Serra do Mar, caminhando e voando. Não porque as outras não seriam capazes do feito, mas porque ela sabia que todas e todos são capazes de fazer se assim quisessem. Bastou mostrar que era e é possível. Eu sempre me emociono com esse video da Raquel. Ok, não só com esse.

Inspirou os sonhos de muita gente que ela nem imagina, que seguiram os mesmos passos, e também criaram os seus próprios passos, e que de passinho em passinho, de histórias e estórias, é que o hike’n fly timidamente, embora de passos coesos e seguros, cresce devagar e sempre, e todos nós somos agraciados por uma diversidade de oportunidades e inspirações que precisamos abrir espaço, compartilhar e também agradecer.
Uma destas oportunidades ocorre neste fim de semana, e tem como fonte de inspiração o Red Bull X-Alps. O casal de atletas e amantes do hike’n fly, Lucas Porto e Micheli Sossai, organizam mais uma competição da modalidade em um formato mais arrojado que a competição realizada no ano passado, que inclusive a Raquel Canale participou. Na ocasião não havia modalidade feminina para a categoria de dificuldade maior, a hard, do qual havia se inscrito, obviamente porque a quantidade de mulheres nesse tipo de prova é bastante baixa, uma das razões que nos motivam a apoiar a presença feminina, fortalecer e nos comprometermos conjuntamente com tantas e tantos na empreitada de mostrar que não é força, mas sim determinação, mente, estratégia, garra, e assim termos mais mulheres nas competições da modalidade que inspira tanto. Esta prova em particular serão 35 competidores brasileiros, sendo 5 mulheres, e destas, 2 são nossas vento nortenhas e 1 vento nortenho.
A competição organizada por Lucas e Michele acontece nesta sexta, e prossegue até domingo, na cidade de Fundão, cerca de 57 km da capital capixaba. A escolha do local é explicada por Lucas para a revista GoOutside: “O Espírito Santo tem muitos topos de colina que são pastos e perfeitos para as decolagens. Esse formato de prova em travessia tem pontos de controle obrigatórios, mas as distâncias percorridas a pé ou voando dependerá da estratégia, equipamento e talento de cada piloto, afim de aproveitar tanto as condições atmosféricas quanto as altimetrias. ”

Para a competição do ano que vem, a Raquel Canale já nos avisou que o casal está pensando em incluir um desafio a mais, um plus de superação, o bivac.
Antes de prosseguir, vou fazer uma pausa meio fora de hora e de ordem, mas necessária. O hike’n fly não é apenas caminhar com o glider nas costas por estradas, trilhas, alagados, pântanos, lamaçal, ventaca, friaca, “caloraca”, desertos, glaciares, montanhas até o seu cume e depois decolar com o parapente para descer. Hike’n fly é a adoção de um estilo de vida que une a atividade física propriamente dita, a beleza do trajeto – por onde nossos pés pisam -, o desafio, para então levantar belíssimos voos em sua forma mais pura por montanhas espetaculares que nos conectam com a grandeza e importância da natureza. É ajustar, alinhar e integrar o corpo, mente, alma, terra, água e céu.
Retornando ao assunto principal, pois foi assim, no conversa vem, conversa vai, que os 3 Vento Nortenhos(as) acabaram seguindo rumo ao Espirito Santo.
Uns meses atrás recebi a primeira mensagem de uma Vento Nortenha, a Fátima.
– Ni, o que você acha de fazermos uma vaquinha para enviarmos as 3 (Raquel, Carol e Catiane) para a primeira competição mais arrojada do hike’n fly. É uma grana né Ni?
No mesmo dia o Márcio; – Ni, vamos tentar patrocínio para as meninas?
Bastou apenas uma mensagem do Márcio no grupo de pilotos da escola, e o resultado do patrocínio foi quase o suficiente para enviarmos a Cat e a Carol, e combinar com a Raquel Canale a administração do fundo do patrocínio pelo projeto Voe Guria, afinal o patrocínio era destinado para as 3, mas a Raquelzinha não obteve liberação médica por hora, para participar de uma atividade tão intensa como o exigido neste tipo de competição, e no nosso grupinho deixou a mensagem para as meninas que compartilhamos por aqui:
Carol e Cát vou estar aqui torcendo e vibrando por vocês. Agradeço de coração (cogitamos guardar parte dos recursos para enviar a Raquel para a próxima etapa), mas Carolzinha e Cat tem um caminho lindo a trilhar e serão as próximas inspirações. A mensagem que fica com esse apoio, é ter uma equipe feminina representante do PR em uma competição mais que desafiadora, e sim uma competição de superação, onde o objetivo é mostrar de qualquer um é capaz de alcançar seus sonhos. E mais três coisas que preciso falar, divirtam-se, divirtam-se e divirtam-se.”
As duas ventos nortenhas que já estão na rampa da cidadezinha de Fundão possuem currículo para realizarem essa competição, mas não foi sempre assim.
Ao vivo gente! Estão preparadíssimas para decolar.

Carol Santana

Carolzinha, para os mais íntimos, é a irmã do meio de 4 e “mãe” de 2 cachorrinhas. Formada em educação física, com pós em ergonomia, Carol trabalha com ginástica laboral, é personal, também leciona aulas de xadrez para crianças e pratica um montão de esportes que nem consigo listar por aqui.
Começou o curso na Vento Norte logo após uma separação. Caiu de paraquedas no mundo dos ares bem dizer, pois não esperava muita coisa do esporte que unicamente preencher o vazio dos fins de semana pós separação. Aos poucos é que se envolveu nas aventuras e nas novas descobertas. Passou a se dedicar com afinco na técnica e no treino do parapente. Subia e descia o Rio Verde(local de treino solo do glider) umas 15 vezes em uma única manhã. Fez amizades importantes, viagens lindas, histórias emocionantes, voos seguros e tão importante quanto, se redescobriu e ganhou confiança em si. No primeiro ano de curso já havia totalizado mais de 100 voos. Era apelidada de fominha, só queria voar, voar e voar. Integramos a Carolzinha na equipe de campo de monitoria das aulas e treinamentos práticos, pois amava (ama) realmente ensinar e dar aulas. Realizava suas funções com um carinho, amor e dedicação enorme durante a pandemia e que somos profundamente gratos por todo o período que esteve submersa treinando nossos alunos e alunas com tamanho envolvimento. (Volte logo Carolzinha, todos sentimos a sua falta).
A primeira vez que subiu uma montanha já estava no curso da Vento Norte, e foi com a minha prima Andressa Zanlorenzi no Araçatuba. Na ocasião o coração não bateu forte pelo montanhismo. O amor pelas montanhas aflorou verdadeiramente quando realizou o primeiro hike’n fly do Araçatuba. 8 quilômetros de trilha com 16 quilos de equipamento, e se considerava meio fora de forma, com sobrepeso, massa corporal de aproximadamente 70kg para 1,63 de altura.
“Cheguei com câimbra no corpo todo, muita dor e choro. Na rampa disse que nunca mais iria fazer aquilo na vida. Decolei sem vário e senti minha primeira térmica bater na ponta da asa, ganhei muita altura e olhei aquela vastidão dos campos do Quiriri, e um sentimento imenso de paz e felicidade e logo pensei, me contradizendo de horas antes; É isso que eu quero para mim! Hoje eu amo poder subir uma montanha, e voar dela é a cereja do bolo. Carrego duas vontades no momento. Começar a participar das competições de hike’n fly, praticar a modalidade nos Alpes Franceses e se o Márcio me autorizar, levar os alunos e alunas para os primeiros voos de hike’n fly. ”

Para quem acompanha a Carol, sabe que vem se preparando fisicamente há tempos para essas aventuras. Após a primeira investida no hike’n fly decidiu mudar alguns hábitos e adotar novos. Investiu em condicionamento físico, que também resultou em uma perda de peso expressiva, maior saúde física e mental. Neste último ano em particular, focada nas possíveis competições, intensificou ainda mais a musculação, subidas do Morro do Cal, a subida de montanhas com quilometragens mais longas e altimetrias maiores, além dos treinamentos de voos.
Seu currículo de hike’n fly conta com as travessias Anhagava Morretes, Campaua Antonina, Araçatuba, Capivari, Pedra Grande e Pico Marins, este último ela e a Raquel Canale foram as primeiras mulheres a realizarem.

Tudo isso lhe deu bagagem em se inscrever na categoria hard, com alguns objetivos: “poder voar mais, conhecer todas as paisagens que seja possível conhecer em 3 dias de competição e principalmente mostrar para as pessoas inseguras e que se sentem menores que outras, que elas não são. Que podemos realizar todos nossos sonhos, podemos fazer tudo. É uma mulher que me inspira muito, e eu quero também poder inspirar e motivar outras pessoas a viverem os seus sonhos, além de algo fundamental para esses dias de competição: quero ter a capacidade de voar bem, segura e realizar bons hikes.”

O adendo é que o equipamento da Carol não é light, e irá caminhar na hard (que pode ser 20km ou 40km, dependendo da estratégia e condição climática) com cerca de 11kg no lombo. #forçacarol
A Carolzinha rebate as críticas aos 11kg do seu equipamento. “Se eu ficar pensando nos 11 kg não vou fazer o que eu gosto e o que quero realizar. Não resolve nada a lamentação de não possuir um equipo leve, ou o dinheiro para adquirir um light, vou fazer o melhor com aquilo que tenho.”
É gente, determinação tem nome e sobrenome, e uma torcida enorme!
Carolzinha deixa uma mensagem para a galera:

“Agradeço aos patrocinadores da grande família Vento Norte e as meninas que compraram as rifas. Conseguiremos ir por essa ajuda financeira, as parcerias nas trilhas, os treinos em montanhas e no Cal, o incentivo de tantos outros amigos e familiares. Eu hoje estou aqui por essas pessoas, que me chamaram, me incluíram, que me abraçaram e que eu abracei, e por que não os futuros e futuras vento nortes, que poderão se inspirar nas nossas vivências e acreditarem em si. É tudo uma questão da nossa mente e a nossa vontade.”

Catiane Kugelmeier

A cidadezinha paranaense de Palotina não foi apenas a cidade natal da Raquel Canale, coincidentemente a Cat também nasceu nessa terrinha de mulheres fortes, mas foi criada em Terra Roxa.
“Fui uma menina do interior, criada em chácara, com 2 irmãos e 2 irmãs, sendo uma gêmea minha. Meus animais de estimação eram um tatu, um cágado (parecido com a tartaruga), uma ema, um porquinho da índia, cavalos e porcos.”
Quem olha a Cat ou acompanha seu insta se quer imagina que todas essas aventuras e experiências que nos fazem vibrar começou há pouquinho tempo. Para sermos mais exatos quando ela resolveu começar o curso de parapente aliado ao início de corridas, pedais e montanhas. Estava na base do Araçatuba, em um evento do Hilton e do Rafa, pela empresa deles, Alta Montanha, e justamente estavam encabeçando uma prova de hike’n fly. A Cat viu o parapente pela primeira vez ali. Até então era algo muito distante, coisa de novela nas palavras da Cat. Chegou em casa e começou a pesquisar escolas, conversar com um e com outro, até que chegou por aqui, com aqueles olhos azuis desconfiados, brilhantes e cheios de vontade de vivenciar novos desafios e encontrar mais liberdade que a cidade grande havia lhe “roubado”. A verdade é que o espírito da aventura sempre esteve na alma da Cat, o parapente só chacoalhou/resgatou/despertou/encontrou o que estava escondido, ou esquecido, ou adormecido em algum canto da sua infância.
Ela nunca quis morar em cidade grande, sempre gostou de mato, de vida simples na natureza, fazer os crochês, as comidas deliciosas que faz (estamos esperando nosso pãozinho e bolinho de banana. hehehe), e como ela diz, dos arranhões do mato, os roxos de uns tombos e as unhas encardidas das aventuras nas florestas e bosques.
“Por mais incrível que pareça e contraditório, eu vivi praticamente dez anos absorvida pelas rotinas urbanas e sem contato com a natureza. O voo fez com que eu retornasse bastante para esse sentimento do interior, de reviver o contato com a natureza, com as montanhas, com a terra, e me sujar. Isso é muito legal.”
Veio para Curitiba por conta da irmã gêmea, aos 24 anos. Conta que por algum tempo foi a sombra da irmã, que considera mais forte, e achava que deveria seguir os seus passos, mesmo sabendo no fundo da sua alma que não era o que queria para si. Com o tempo é que entendeu que não precisava ser assim. Hoje admira demais a irmã por todas as viagens que realiza e a vida que conquistou fora do país, e tem certeza que a irmã também a admira pela coragem, pelas conquistas e por todos os seus gostos pela natureza. Um apoio mútuo.

Considera que a família a super protegeu, por ser a mais estabanada, desastrada talvez, ela que diz isso, nós particularmente não achamos a Cat estabanada e precisamos escrever isso. rsrsrs. Essa super proteção gerou medos no seu dia-a-dia. Não se sentia com capacidade de fazer quase nada, achando que iria se machucar. Criou receios simples como subir em uma esteira e cair, e quem dirá das experiências mais radicais. Com o tempo, através das montanhas, das corridas, do voo, dos pedais e da academia, é que a superação e a confiança em si foram construídas. Vermos a Cat correndo pelos campos acidentados, cheios de obstáculos, fazendo travessias de 6 cumes em sete horas, escalando, decolando das montanhas, estampando no céu, realmente é uma grande alegria e um orgulho gigante pela superação dos seus medos que eram tão gigantes.
Desde que entrou no curso, pensava em participar de uma competição de hike’n fly, afinal de contas ela conheceu o parapente desta forma.
No começo do ano desenvolveu síndrome do pânico. Não sabe muito bem a razão, que pode ser a somatória de muito tempo em home office, isolada, sem contato com muitas pessoas, escolhendo horários com pouca movimentação de pessoas para tudo que iria fazer, como academia, desanimada com o trabalho, se comparando com o desenvolvimento fora da curva do Gabe (depois tocaremos mais profundamente nesse ponto), achando que não era boa em nada e entrando em uma bolha solitária. Chamou o Márcio para dizer que iria parar de voar. O Márcio recomendou que recomeçasse do zero e se ainda assim não acreditasse mais em si, que os medos e temores não seriam vencidos, ele não diria mais nada e ela poderia desistir ao menos com o sentimento de que tentou. Claro que a Cat tratou a síndrome do pânico com profissional capacitado da área, e venceu mais essa batalha.
“O Márcio sempre muito sábio e com os melhores conselhos. Enfrentei meus medos, fui mais gentil comigo, recebi o apoio da galera do voo. Tudo isso junto fez com que eu buscasse ficar melhor no esporte. Os treinos se tornaram mais intensos e a busca por conhecimento também. Estou muito, muito feliz em poder participar dessa competição e muito mais feliz em poder levar o nome da escola junto.”
O Gabe menciona pontos extremamente positivos dessa participação na competição. Através dela é que intensificaram as investidas nas montanhas, e isso expandiu bastante a vivência deles na natureza, além de ter sido inserido um “alfinete” de meta para ser atingida.

Gabriel Jansen

O Gabe tem apenas um ano e alguns meses de voo. Entrou na grande família Vento Norte através da Cat. A primeira vez que foi dar uma espiada nos treinos da escola não achou sentido nenhum no esporte. Bastava colocar o parapente no carro, levar para o topo da montanha, decolar, pousar, guardar no carro novamente, e só isso? Um esporte de preguiçoso? de gordinhos? (Quem diria que pouquíssimos meses depois já estaria colecionando grandes voos e falando do parapente apaixonadamente)
Demorou dias estudando a ideia se iria ou não ser piloto de parapente. Engenheiro, gestor de obras e é um aventureiro dos pés à cabeça. Na realidade vamos contar um segredo. A mente do Gabe, é a mente de um estrategista nato atrás das suas metas. Antes de entrar no curso ele já era escalador há 9 anos, já realizava grandes travessias nas montanhas e inclusive aos vinte anos já havia realizado um rolé solitário de bike de Curitiba até o Uruguai. Pasme, porque eu também! Você pode ler um pouquinho dessa saga no blog do Gabe, aqui.
Sim, um ponto fora da curva, e quando pedimos que não se comparem com ele, (aliás não se deve se comparar com ninguém) é um conselho valioso e honesto que falamos, pois ele é o nosso piloto com o desenvolvimento mais rápido. Absorve tudo em simples conexões, adota estratégias e tem a capacidade de se auto gerenciar de uma forma muitíssimo diferenciada. Claro que todas essas características lhe geram bons resultados e performances precoces, que muitos pilotos só alcançam depois de 5 ou até mesmo 10 anos dentro do voo livre, estudando, treinando e viajando. Mas o que mais se destaca no Gabe é a sua humanidade, alegria, bom humor, vontade de aprender, se descobrir, se reinventar e se aventurar entre natureza, pessoas e culturas. Tivemos uma sorte danada de termos sido escolhidos por ele, e assim podermos aprender tanto.
Vou transcrever um pouco da minha conversa com o Gabe sobre essa competição e a sua participação, e assim podermos aprender um pouquinho mais juntos. (Exclui as minhas perguntas).
As competições são locais que encontramos pessoas que compartilham pensamentos similares e podemos trocar experiências e evoluir tecnicamente. O H&F no Brasil está engatinhando e podermos fazer parte do desenvolvimento do esporte apoiando quem faz as competições e indo lá e se colocando nas situações nas quais as habilidades de vôo, navegação, aerologia, geografia, performance e conhecimento do corpo precisam trabalhar juntas, tudo isso tomando decisões seguras em um estado de alto esforço físico, é uma das minhas motivações em participar.
O tempo é limitado nos afazeres diários, então dividi o treinamento em treino de vôo e treino de hike, e quando a condição e o local de vôo permitiram, juntei os dois.
No nosso “ninho” podemos realizar treinos curtos e de alta intensidade(a inclinação média do Cal é em torno de 20%). Já os treinos na nossa serra são difíceis, pois o relevo é extremamente acidentado o que torna cada passo mais lento, porém o treino se torna mais efetivo em razão do esforço por km ser muito maior.
Nas competições de H&F tem trechos de trilhas, mas muitos trechos de estrada. Para quem está acostumado com raiz, buracos, florestas fechadas fica um passeio no parque nessa situação.
Os treinos na montanhas foram graduais. Aumentei a dificuldade e intensidade gradativamente e regularmente. Não é aconselhado treinar regularmente com peso,  pois a sobrecarga pode lesionar, por isso os focos dos treinos foram o  hiking e trail running com desnível positivo acentuado, pedal em subidas e alguns treinos com carga, normalmente aliados ao vôo.
A competição de H&F foi uma oportunidade que nos presenteou com muita motivação e aumento da vivência nas montanhas.
Ter uma meta e uma data de competição nos fez  tomar decisões mais fáceis de  programação e até sair em dias de chuva com o anorak para o treino. Para quem sabe o que quer fica mais fácil.  Se você não tem metas e desafios, se der 10 ou 100 passos não faz a diferença, pois te falta um objetivo para perseguir.
A partir do momento que você se comprometeu com algo, fica muito mais fácil dividir a meta maior em pequenos objetivos a serem cumpridos. Aí é que mora o segredo, você se torna seu próprio treinador.
As montanhas são lugares comprometidos. Não dá pra pedir pra sair. Começou tem que acabar, essa é a regra.
O importante é ir se conhecendo com desafios regulares e graduais, pois a segurança sempre vem em primeiro lugar. O restante é curtir e ir aprendendo com o melhor cenário possível.
O vôo em montanha seria o mesmo que voar em qualquer rampa estruturada, porém existem riscos adicionais pela dificuldade de acesso e qualquer suporte, portanto é um santuário para se encontrar consigo mesmo e se desafiar com muita maturidade e respeito.
A altimetria desta competição irá variar com o percurso e montanhas que cada piloto decidir subir para decolar. Quem irá mandar é o vôo, as pernas serão funcionárias do parapente.
O pessoal de Sampa e outras regiões tem uma cultura muito forte de caminhada e vôo, mais forte que a nossa. Não dá pra ganhar deles só na canela. Tem que ter estratégia e tomar boas decisões.
As paisagens durante a competição serão como as cerejinhas do bolo, e o foco que carregamos é no relevo, rota a seguir, o vento e os competidores, etc. Claro que durante os treinos as paisagens são o bolo, mas aqui a situação se inverte.
A condição não está das melhores, o vento está forte e entrando de Sul. Isso irá beneficiar quem se preparou fisicamente e estrategicamente.
A expectativa é se divertir, aprender e tomar boas decisões sob a pressão da competição.
E espetar o máximo de companheiros, é claro!
As descobertas não irão terminar depois da competição, o hike’n fly é um estilo de vida.
O parapente por aí, solitário e único não é muito pra quem está acostumado com endorfina na veia, mas com o hike se torna uma combinação perfeita pra cuidar da mente e do corpo.
E o Shurastey mandou uma inspiração para finalizarmos esse artigo, Ni:
“Os dias vão passando e você não se dá conta de que está perdendo a melhor fase da sua vida, a fase em que você esta vivo. É fácil definir o que você iria fazer da sua vida caso tivesse certeza da data da sua morte! Uns iriam beber até entrar em coma se lamentando por não terem feito nada de que se orgulham, outros iriam querer viver em dias o que tiveram anos para viver, alguns iriam recorrer as suas crenças e se agarrar ainda mais a sua fé!
Mas a certeza é que todo mundo iria fazer algo diferente do que tinha programado para amanhã, ninguém iria seguir a agenda e os compromissos…
É doido pensar no amanhã como sendo o seu último dia, mas e se fosse, o que você faria hoje?”
Gabe Janssen para todos(as).
É gente, como escreveu Maria Bopp, na entrevista sobre a nova audioserie Batman Despertar. “Na ausência de super-herói com super-respostas, cabe a nós sonhar (e noticiar, é claro) as possibilidades de encontros e resoluções que conseguirmos criar juntos.”
E como a jornalista Helena Galante finaliza um editorial: “Num mundo com ainda tão poucos lugares para sermos quem somos, por inteiro, todas as histórias que vem do coração e com emoção, nos aponta o caminho a ser seguido. Para abraçar quem você é para ampliar o que o mundo pode ser. Um clã de transformações positivas.”
Somos profundamente gratos à todos que participaram do patrocínio das meninas, as meninas que compraram as rifas apoiando as duas, somos extremamente gratos pelo Gabe estar junto nessa aventura, e somos extremamente orgulhosos dessas histórias que nos motivam a continuar o nosso trabalho, com amor e dedicação. É isso que nos impulsiona. Agradeço demais a generosidade dos três em me permitirem contar as suas histórias, seus segredos, seus desafios para outras pessoas. Se tivéssemos tempo, certamente nos aprofundaríamos em tantos outros assuntos que vocês tem para compartilhar.
Estamos na torcida por vocês, vibrando a cada superação. Saibam que não nos importamos com os primeiros lugares, porque já são vencedores e já somos orgulhosos da jornada de vocês. O que nos interessa é que se divirtam, que voem seguros, que se superem, que sigam respeitando os limites de vocês e da natureza, que façam grandes amizades, que riam bastante e que voltem cheios de histórias para nos contar, e o mais importante, que sejam felizes, porque no final de tudo, é só isso que verdadeiramente importa. Aproveitem!
Um namastê para essa galera fantástica que ajudou a realização das meninas:
Vento Norte R$500,00
Jean Carlo Toneli R$200,00
Marcelo de Freitas R$200,00
Edivan Luis Vier R$150,00
Silco Reis Seixas Me R$150,00
Adriana Regina de Oliveira R$100,00
Alexandre Raymundo da Silva R$100,00
Daianny Mores R$100,00
Fabiano Cordeiro R$100,00
Lucia Wanderley do Carmo R$100,00
Mauro Luiz Gomes dos Santos R$100,00
Miguel Zavilinsk Neto R$100,00
Rafaela Antunes Fortunato R$100,00
Vanderley Abrantes Sarmento R$100,00
Wellington Jose D Furtado R$100,00
Wilson da Silva R$100,00
Alvaro Guilherme R$50,00
Amanda Lima Silveira R$50,00
Gabriel Jansen Rabello R$50,00
Totalizando o valor de R$ 2.450,00.
Ao Vanderley que agilizou as passagens aéreas das 3 (da Raquel para a etapa de agosto também), com um desconto que tornou possível tudo isso.
Esses valores foram integralmente utilizados da seguinte forma:
Gastos
R$ 165,00
Passagem 1° Etapa Cati e Carol – Azul Amigo (Vanderley)
R$ 600,00
Inscrição 1° Etapa Cati e Carol
R$ 600,00
Hospedagem 1° Etapa Cati e Carol (4 diárias Hotel Casarão)
R$ 263,70
Demais despesas translado Carol e Cati
R$ 47,00 Rifa digital (falta atualizar)
R$ 774,30
Passagem 2° Etapa Raquel
As meninas do grupo Voe Guria que compraram as rifas do sorteio que irá ocorrer assim que as 2 tiverem tempo para se dedicar a isso. (pós etapa) Se alguém ainda quer comprar nos avisem!
Um namastê para todos vocês, no sentido real; “o Deus que habita no meu coração, saúda o Deus que habita no seu coração”. Um grande sentimento de respeito na palavra namastê, que invoca a percepção de que todos indivíduos compartilham da mesma essência, da mesma energia, do mesmo universo, portanto o termo e a ação possuem uma força pacificadora muito intensa.
E por enquanto ficamos por aqui, desejando bons, longos, seguros e divertidos voos, em terra e em céu.

Saudações aéreas de toda tripulação Vento Norte Paraglider, amigos e familiares.

Outsiders – Insights Thoreau

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Outsiders

“Tudo o que a gente quer é agarrar em alguma coisa para sair de uma vida atolada. Um novo amor. Um novo projeto. Uma viagem. Religião. Astrologia. Terapia. Curso tântrico. Uma corda. Qualquer corda.” 

Martha Medeiros

Me deparei com essa frase enquanto pesquisava as críticas de um livro que estou finalizando, Walden, de Thoreau. A frase poderia estar em alguma página do livro sem sequer se perceber que as 338 páginas foram redigidas no ano de 1854 e a afirmação no ano de 2017. (evidentemente sem considerar a peculiaridade da escrita)
O sentimento de querer mudar o rumo da vida e viver plenamente é presente em todos os tempos, é vitalício, assim como o apreço do homem pela natureza como resgate da qualidade de vida.
O livro que mencionei é uma autobiografia de um escritor estadunidense, naturalista, filósofo e transcendentalista, e que insatisfeito com o modo de vida instaurado pela Revolução Industrial resolve viver por dois anos e alguns meses nos bosques das margens do lago Walden,  em Concord, Massachusetts, nos EUA.
No livro do Leandro Karnal, O Dilema do Porco Espinho, Karnal utiliza algumas vezes Thoreau como exemplo de uma solidão positiva, do qual chama de solitude.
“Thoreau foi um entusiasta radical da natureza. Por necessidade absoluta de liberdade, independência social e descoberta espiritual. O isolamento lhe trouxe conhecimento da natureza ao redor, bem como de sua própria natureza.” Leandro Karnal
(Convenhamos que várias pessoas durante a pandemia conseguiram fazer quase o mesmo que o Thoreau, e alguns felizardos conseguiram migrar completamente para o campo).

Henry Thoreau escreveu na ocasião:
“Tornei-me vizinho dos pássaros, não por ter aprisionado um, mas por ter me engaiolado perto deles”.
Manoel Barros recebeu a sua influência e replicou: “Quando meus olhos estão sujos da civilização, cresce por dentro deles um desejo de árvores e pássaros”. Inclusive já usei essa frase aqui no blog para incentivar as pessoas a irem com suas famílias passearem no campo. Não há nada melhor para o espírito que caminhar na natureza.
A caminhada de que falo não tem nada a ver com o exercício ou fortalecimento do corpo; ela é a própria aventura. – Henry Thoreau
Terei que fazer uma breve apresentação de Thoreau, pois sua importância na sociedade crítica é enorme. (Se quiser pular esse trecho, pule, mas aconselho que se desafie a conhecer). Ele influenciou profundamente o pensamento político e ações de personalidades notáveis como Tolstói, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Emma Goldman, Marcel Proust, Ernest Hemingway e tantos outros com o seu livro Desobediência Civil, além das influências por outros livros, incluso o Walden, para os movimentos ambientalistas atuais. “Henry se transformou em um dos principais inspiradores filosóficos da preservação ecológica. Para ele, uma civilização é rica não pela expansão do consumo supérfluo, mas pela quantidade de áreas naturais e selvagens preservadas, defendendo a ecologia florestal e encorajando a comunidade agrícola a plantar árvores.” (extraído do site do Projeto Colabora). Influenciou diretamente o minimalismo, “que prega um estilo de vida no qual os indivíduos conscientemente escolhem minimizar a preocupação com o “quanto mais melhor”, em termos de riqueza e consumo. E tantos outros movimentos alternativos como Downshifting – redução de velocidade, intensidade ou nível de atividade (trabalhar menos e viver mais, em outras palavras) – e o Slow Food – direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção e os consumidores” (extraído do site Projeto Colabora). O movimento hippie (que foi bastante distorcido daquilo que propôs) tem grande influência do Thoreau.  “Os hippies buscavam praticar a não-violência em todas as relações e constituíram um movimento pelos direitos civis, de combate às injustiças e de defesa da natureza, nos moldes da luta de Gandhi e Martin Luther King, ou seja, inspirados na ideia de “desobediência civil” e na defesa dos direitos da natureza do livro Walden” (extraído do site Projeto Colabora). Aqui eu preciso fazer um comentário, a festa que os hippies fizeram nas margens do lago Walden não é o que Thoreau propôs em momento algum, e toneladas e toneladas de lixo foram retiradas com escavadeira para fazer a limpeza do lago após “a gazarra”, além das autoridades intervirem para preservar a natureza por ali. Por fim, Thoreau era um defensor da alimentação vegana por praticidade para o seu modo de vida quase autossustentável (autossuficiente).
Walden, foi o livro que influenciou o jovem Christopher MacCandless, que inspirou o filme Na Natureza Selvagem, filme de alto impacto em alguns jovens. Crhistopher queria romper com o mundo, doou todo o seu dinheiro para a caridade, largou tudo e saiu em busca de uma existência mais pura, como a de Thoreau, porém com algumas diferenças essenciais da vida humana. Embora Thoreau tinha em alta estima a sua solitude (solidão criativa, contemplativa e produtiva), sempre teve bons amigos visitando-os, também ia para a cidade de tempos em tempos, assim como possuía alimentos, tanto cultivados, quanto comprados da vizinhança. Mínimo esse último, mas havia. Um planejamento sábio. Enquanto o jovem Christopher escolheu um local inapropriado para a sua solitude, o Alasca, onde morou dentro de um ônibus abandonado e onde veio a falecer. A causa é incerta, alguns acreditam que foi por inanição, e outros por envenenamento após confundir uma pequena fruta venenosa com outra comestível (conforme descrito em Into The Wild, Krakauer). No filme, o grand finale importante da mensagem, é que o jovem aprendeu a redimensionar o papel dos pais e dos amigos em sua existência, e falece com os olhos marejados. Ainda assim, como escrevi, a história do Chris influenciou outros jovens que foram inclusive, viver dentro do mesmo ônibus que Chris, e pelo menos 4 pessoas morreram repetindo seus passos. O ônibus havia virado um santuário para a solidão de alguns jovens, e no ano de 2021 as autoridades tiraram o ônibus do local a fim de evitar essas trapalhadas e mortais aventuras. Sem sombra de dúvidas Thoreau diria, sentem aqui jovens, e vamos planejar o rolê do jeito certo. Brincadeiras a parte, mas seria mais ou menos isso.
Na década de 80 Thoreau e outros escritores, músicos e alguns filmes (Na Natureza Selvagem, O Rebelde no Campo de Centeio) foram intitulados como Outsiders, embora muitos tenham considerado a palavra infantil e detestado o uso do termo para a originalidade, responsabilidade, discernimento de algumas personalidades misturadas com personalidades duvidosas, loucas e autodestrutivas que entrariam mais para a psicanálise do que qualquer outro fato, com o passar do tempo o termo foi abandonado por essas razões. Quiçá, nem imaginamos a vastidão do termo e usamos tanto para os esportes radicais! Mas, cá entre nós, de instrutor e de louco todo mundo tem um pouco.
Eu poderia arriscar, no caso do autor que estou lendo e não da galera toda dos outsiders (até porque ainda não li, não vi e nem ouvi todos), que ele seria um grande incentivador dos esportes outdoors, desde que com responsabilidade e consciência ambiental e principalmente se essa for a frequência e ritmo ditado pelo coração.
Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor. Henry Thoreau
Mas afinal de contas o que é o espírito outsiders do autor que estou lendo?
É uma percepção de que a vida é muito mais sublime do que se supõem. Que todo homem pode fazer da própria vida uma existência esplêndida, mesmo com as ambiguidades desse imenso poder e seus imensos vacilos, tropeços e erros. Um mergulho na alma, uma liberdade, um embarque pelas entranhas do ser, uma viagem alucinante pelo sentir. Um levante contra a sociedade que diz que a felicidade está nas posses, nas aquisições, bens e conquistas materiais. Contra os absolutos, que não caminha no ritmo dos tambores de um sistema capitalista padronizado, pois considera essa frequência desnatural, sem intensidade, superficial, desnecessária, uma anestesia da vida, sem essência e sem alma. (Consideração: Thoreau vivia em um tempo em que a jornada de trabalho aproximava-se de 17 horas, sem descanso e sem férias, e escravagista).
Ele escreve que o essencial para nossa existência é simples, e está disponível para todos. Tudo que é simples é prazeroso. O cheiro da terra molhada, do mato, a rede na sombra, a garoa no vidro, a tempestade e a vela, o cume de uma montanha, a risada alta durante a caminhada, o vento sacudindo folhas, o cheiro do pão caseiro preenchendo o lar, o olhar para o simples, a alma na calma. A vida acontecendo nos detalhes. Rubem Alves tem várias crônicas sobre essas insignificâncias, que a vida é feita de um montão de pequenas insignificâncias, que ele chama de milagres, ou como um amigo diz, o dom de perceber as pequenas alegrias do cotidiano. Algumas das crônicas do Rubem Alves nesse sentido estão reunidas no livro “Ostra Feliz Não faz Pérolas”, e também tem outro artigo que acabei topando com ele e trouxe para o blog, “pássaros criados em gaiolas acham que voar é uma doença”.
Mas voltemos ao Thoreau. Ele gostaria que nada fosse realizado com pressa, e que a pressa nas cidades nos fazia muito mal.
Não basta ser ocupado. A pergunta é: estamos ocupados com o quê? – Henry Thoreau
Foi essa motivação que o levou a morar no bosque por dois anos e alguns meses, na tentativa de comprovar na prática que era possível viver com menos, de forma mais autossustentável possível.
“Fui para o bosque porque queria viver deliberadamente, enfrentar apenas os fatos essenciais da vida e ver se não poderia aprender o que ela tinha a ensinar, em vez de, vindo a morrer, descobrir que não tinha vivido.” – Thoreau
Não estamos em 1857, mas essa inquietude e insatisfação com o modo de vida que estamos levando é mais que atual, engoliu quase todos nós em ansiedade, desesperança, medo, tristeza pelas perdas, notícias desmotivadoras e inacreditáveis, especialmente desde que viramos o calendário de 2019 para 2020. Sufocamos em horas e horas de trabalho para tentar garantir o ganha pão com a inflação subindo a passos largos e devorando a suada renda mensal.
O custo de alguma coisa é a quantidade do que chamamos de vida que é preciso dar em troca, à vista ou a prazo. – Henry Thoreau
Foi oportuno rever o legado de Thoreau. O trabalhar para ter coisas apenas contribuí para atolar ainda mais o homem na areia movediça enquanto a alma grita pela tal corda que Martha Medeiros escreveu lá no começo desse artigo.
Sabe como é que foi, seu moço, eu conto: vinha fugindo da minha verdadeira identidade, sem coragem para ser uma pessoa mais original e livre, assustada por achar que não daria conta de viver fora dos padrões, e então corri, corri tanto que, quando vi, tchibum, caí nessa rotina movediça desgraçada, e o meu sonho de ser eu mesma, que seria facilmente alcançável com duas braçadas, ficou longe demais da minha realização. Estou imobilizada pela força sugadora das minhas escolhas covardes.
Particularmente não acho que ela seja covarde, porque né? Quem acha que essa vida é moleza, desceu no planeta errado, e viver no Brasil definitivamente não é para amadores.
Benditos os que nunca leem jornais. – Henry Thoreau
Mas lembremos sempre que ser otimista é um ato revolucionário, encontrar motivação para seguir em frente nem sempre é tão simples, a motivação tira férias mesmo, vai passear bem longe de nós levando na mala até mesmo a força de vontade.
Seja o Colombo de novos continentes e mundos inteiros dentro de si mesmo, abrindo novos canais, não de comércio, mas de pensamento. – Thoreau
Lembremos que todos os dias temos o convite ao singelo, ao puro e ao simples. As miudezas do cotidiano. O convite que mesmo em meio ao caos, adotemos uma visão mais otimista da nossa própria existência, e sem se criticar, mas sim para curtir o hoje com alma na calma. Obviamente, como pontuou Leandro Karnal no livro que retrata algumas passagens da existência de Thoreau, a cabana em Walden não é sempre acessível à todos, nem mesmo o estupendo despojamento que ele possuiu em vida,  assim como a primeira classe (pessoas com grana que conseguem se recolher com grande conforto a solitude), mas que podemos buscar tranquilamente essa relação com a vida em um livro, em um café com nossos familiares, um período sem acesso ao burburinho do mundo virtual e real, para descobrirmos nós mesmos e aquilo que queremos.
Quer andemos depressa ou devagar, o caminho esta aberto. – Thoreau
O convite outsider (no bom sentido, com responsabilidade pela vida e pela natureza) de se permitir observar a vastidão do céu e ouvir o coração vibrar quando levantar o seu voo a medida que descobre novas formas de viver. É a vida em eterno movimento! Tente, sem vontade ou com vontade, agarre a corda, a boia, a dança, o parapente, nós sabemos que muitas vezes não é faca e o queijo que precisamos, mas sim da fome. Tenha a fome.
Os únicos seres felizes do mundo são os que gozam livremente de um vasto horizonte. – Thoreau
Todos temos horizontes. Está em seu poder querer voar. Esvaziemos as mochilas, as bolsas, a casa e a mente. Não precisamos disso tudo. Quanto mais leve, mais livre é o voo. Quanto mais temos, mais escravos, pobres e presos ficamos, e mais cedo iremos sufocar com todo esse peso em nossas costas, sem falar no peso e bombardeios de tantas informações inúteis que nos chegam minuto à minuto pelas redes sociais, e que nos tomam tempo. Simplifiquemos, sem mistificações. Redimensionemos nossa vida, nosso tempo, o bem mais precioso que realmente possuímos. A vida não dá talento e nem faz graça, ela é difícil mesmo, talvez a nossa missão seja deixá-la mais leve, mais transcendental e isso vale a pena, talvez seja só isso que verdadeiramente importa no fim das contas.
Fazer todos os dias um bom dia, essa é a mais elevada das artes. – Thoreau
Precisamos do essencial, do silêncio, da arte, do amor, de bons amigos, familiares amados, da ousadia e da coragem para levantarmos nosso voo. Seria como um “Ra,ra, ra, ra, ra, mas eu estou rindo à toa, não que a vida seja assim tão boa, mas um voo ajuda a melhorar…”
Isso é fato!
Outras frases H.D.Thoreau
Lançou-se a tais altitudes e eventuais platitudes, disposto não apenas a ver o mundo de cima, mas a experimentar um universo, habituara-se a flutuar em céu azul, como se fosse parte da paisagem que tanto amou.
Vida nas cidades; milhões de seres humanos vivendo na solidão.
Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre, assim também um homem.
Só há um remédio para o amor, amar mais.
A bondade é o único investimento que nunca vai a falência.
Velho é aquele que perdeu o entusiasmo.
Nada é tão útil ao homem como a resolução de não ter pressa.
Siga confiante na direção dos seus sonhos. Viva a vida que imaginar.
Caminhar sem rumo é uma grande arte.
Para aqueles que curtem documentários, segue um longa sobre o livro Lago Walden e seu autor:

Caio Fernando Abreu

Depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.

Charles Bukowski,

Você tem de morrer algumas vezes antes que você possa realmente viver.

Roberto Freire

Vamos brincar de imaginar um mundo diferente?
As pessoas deixam de ser coisas e passam a ser gente!

Janes Joplin

É melhor viver dez anos de uma vida efervescente do que morrer aos setenta e ter passado a vida assistindo Tv.

David Foster Wallace,

A verdade liberta, mas só depois de acabar com você.

Kurt Cobain

Não temos o direito de expressar uma opinião até que saibamos todas as respostas.

Entre tantos outros como Luciano Alabarse e poetas como Cacaso, Ledusha, Chacal, Leminsky, Alice Ruiz e Ana Cristina Cesar, HendrixLou Andreas-SalomeGinsberg, Lenon.  Filmes como Natureza Selvagem e Apanhador no Campo de Centeio, de Salinger, Philip L. Dick e Willian Reic.

Para os alunos e pilotos Vento Norte: Disponível para empréstimo: Livro Walden – H.D.Thoreau, Ostra Feliz Não Faz Pérola – Rubem Alves; Humanidade – Uma visão mais otimista do homem.

Nicolle Muraro

Voar na Ilha

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BORA PARA A ILHA!

A Ilha do Mel é considerada por muitos a detentora das praias paranaenses mais belas. Esse refúgio natural faz parte do calendário da nossa escola de voo livre.

O foco principal das trips para a Ilha é desenvolver habilidades e técnicas dos alunos e pilotos do curso de parapente. É neste pedacinho especial de terra que executam os seus primeiros desafios aéreos. Aprimoram técnicas de pilotagem, realizam os primeiros voos solos, outros as primeiras longas horas de voo, realizam manobras de descida e voam até o anoitecer. Embelezam a paisagem natural e inspiram diversas pessoas a ingressarem no fantástico mundo do voo livre.

Um ponto adicional que torna a viagem ainda mais especial é a presença de familiares e amigos, que acompanham a aventura de maneira ativa, além disto com a oportunidade de realizar um voo duplo e sentir a poesia dos ares que encanta tantos aventureiros.

Novas amizades, muitas histórias, aventuras e o privilégio de ver toda a beleza do local de um ângulo fascinante – ficam gravadas na lembrança, comprovando que o melhor da vida não são coisas, mas sim experiências.

INFO DE VOO

Com os quadrantes de vento sul, sudeste e nordeste, a decolagem é relativamente fácil para o piloto que possui pleno domínio do seu equipamento de voo.

O pouso Sul é enorme, o que torna muito difícil errar!

O maior cuidado que o piloto deve ter é em frente à Praça de Alimentação. Procure sempre pousar na areia, evitando a restinga que acompanha toda a Praia de Fora por algumas razões:
  • Trata-se de uma área de conservação fiscalizada por funcionários do IAP. Pousar ou dobrar equipamento nessa área pode gerar multa para o piloto ou apreensão do equipamento, conforme lei ambiental.
  • A restinga possui grandes áreas alagadas e fundas, podendo passar do tornozelo em alguns pontos. Um pouso ali poderá lhe render escorregões ou até mesmo memorável tombo, que além de molhar e danificar seus equipamentos, poderá lhe causar alguma torção.
  • Algumas espécies de animais fazem seus ninhos na restinga.

Já o pouso Nordeste exige um pouco mais de astúcia e experiência quando a maré está alta (a fim de evitar arborizar). Em maré baixa, segue o mesmo padrão do pouso sul.

Respeite as regras de tráfego aéreo!

Na Praia de Fora, em frente a Praça de Alimentação, são realizados os treinos de controle de solo.

CULTIVE SUA SORTE, TREINE!

O vento constante e a geografia do local permite aprimorar e desenvolver técnicas de controle de solo. Esses treinamentos são importantíssimos para a execução de decolagens seguras e elegantes, além é claro da familiarização e afinidade cada vez maior do piloto com seu equipamento de voo.

Todos os alunos e pilotos Vento Norte devem executar esse treinamento até chegar a perfeição, mantendo o pleno domínio do equipamento durante toda a vida esportiva. Quem erra decolagem, 80% das vezes é por falta de treino.

Orientamos que todos aproveitem a viagem para aprimorar o domínio do equipamento, quem estiver autorizado a decolar, porém esta muito ansioso é uma ótima forma de se tranquilizar e adquirir confiança pelo conhecimento e técnica.

INFOS ÚTEIS ILHA DO MEL

Programação Vento Norte

As atividades da escola são intercaladas e/ou simultâneas entre treino solo, voos dos alunos e pilotos e voos duplos, conforme quadrante e intensidade do vento, assim como o nível técnico e ritmo de aprendizado de cada aluno, enquanto alguns utilizarão o dia para voar, outros utilizarão o dia para aperfeiçoar o domínio do equipamento em solo para executar decolagens com tranquilidade e técnica.

Os voos duplos são realizados conforme a avaliação dos instrutores. Saiba mais sobre os voos duplos aqui.

Celular e internet

O serviço de telefonia móvel e internet na Ilha do Mel é bastante instável. A conexão disponível é muito lenta e em alguns pontos não existe cobertura. Algumas pousadas oferecem Wi-Fi.

Pilotos e alunos: Recomendamos que mantenha o rádio na frequência da escola, evitando falta de comunicação via celular.

IMPORTANTE: Leve água, lanche, protetor solar e repelente para a Praia de Fora

Atualmente a Praça de Alimentação da Praia de Fora esta fechada, sem previsão para reabrir. Era o único comércio desse lado da Ilha.  Tendo em vista que passamos a tarde na Praia de Fora, é importantíssimo que leve água com você, para evitar desidratação e insolação. Levar lanches (frutas ou barrinhas de cereais) também é recomendado.

A água e outros alimentos são comprados na Praia de Dentro, onde além de ser o local das pousadas, tem mercadinhos.

Algumas pessoas levam kooler – caixas térmicas para a Praia de Fora, caso tenha e queira levar, não hesite, será usado.

No verão é possível que tenha vendedores ambulantes na Praia de Fora, porém não conte com isso em baixa temporada, que o turismo é basicamente concentrado em pilotos de parapente, corridas esportivas, surf e ocasionalmente turistas passeantes.

Tenha em mente que você irá passar o dia em contato com a natureza e é necessário que proteja-se do sol com protetor solar, boné, chapéu, viseira, óculos, que mantenha-se hidratado. Todos esses cuidados além de evitar câncer de pele em razão da exposição constante aos raios uv, também evitam insolação/desidratação.

Leve sempre com você um saco plástico para acondicionar o seu lixo.
A grande maioria das rampas, pousos e locais de treinos não possuem lixeiras, portanto você é o responsável por dar o destino correto ao seu lixo. Deixar para trás latas, plásticos, tampinhas e outros tipos de lixo, além de poluir, pode causar incidentes com animais curiosos. Seja responsável com o meio ambiente. Traga todo o seu lixo de volta com você. Não enterre o seu lixo. Esta ação polui o lençol freático, podendo até mesmo atingir uma nascente ou córrego.

Clima

Como as atividades ocorrem no mar de fora, a incidência de ventos pode ser constante, em dias frescos e de inverno esses ventos são um pouco gelados, portanto um agasalho é bem vindo, inclusive para voar com maior conforto (sem sentir frio).

A temperatura na Ilha é a do litoral paranaense. Verão quente, inverno fresco para frio.

Medicamentos

A Ilha não possui farmácia, é necessário levar os medicamentos pertinentes a sua saúde.

Alimentação

A ilha é repleta de pequenos restaurantes e lanchonetes para refeições simples ou petiscos, caso busque uma refeição diferenciada a dica é reservar ou agendar um jantar na Pousada das Orquídeas ou na Pousada Fim da Trilha.

Eletricidade

Verifique antes de viajar se os seus aparelhos, como notebooks e celulares funcionam tanto em 220 como em 100 volts, ou seja se são bivolts. A voltagem oficial é de 110 volts.


Caso não tenha ingressado no esporte, mas tem a intenção, saiba que você pode participar dessa trip e começar a sua aventura nos ares.

ASSINAR A NEWSLETTER E OBTER MAIORES INFORMAÇÕES

Participe e viva essa experiência inigualável.

Artigo de Nicolle Muraro

Outras informações sobre a Ilha do Mel:

Como chegar na área de voo Ilha do Mel.

Atrativos Ilha do Mel.

Fotos do Festival Eco Cultural e Esportivo – 2016

Programação Vento Norte Paraglider

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Programação Vento Norte Paraglider

Separamos as principais datas dos eventos esportivos da escola e da Federação Paranaense de Voo Livre de forma a facilitar o planejamento dos alunos e pilotos. Tome nota!

Lembrando que todos os eventos estão a mercê do clima e poderão sofrer alterações, fique sempre atento(a).

Baixar o calendário

Início das Aulas Teóricas do Módulo 01

28 de outubro de 2021

Que tal começar um novo estilo de vida?

Lidar com novos desafios, superar limites, adquirir vivências realmente extraordinárias, com diversão, novas amizades, em contato constante com a natureza, contando com a qualidade e confiança da escola de voo livre que é tradição no Paraná. São mais de duas décadas dedicadíssimas a ensinar a arte de voar.

Acesse aqui para saber mais detalhes sobre o curso de parapente

Trip Vento Norte Itajaí, Praia Vermelha e Balneário Camboriú

22 e 23 de janeiro de 2022

Objetivo: Oportunizar aos alunos e pilotos conhecer diferentes locais, pessoas e costumes, encantando e surpreendendo através de novas experiências de voo.

Organização: Vento Norte Paraglider

Local: Praia Vermelha, Itajaí e Balneário Camboriú

Em breve serão abertas as inscriçoes!

Início das Aulas do Módulo 02

01 de fevereiro de 2022

E aí bora evoluir no voo?

Trip Vento Norte do Carnaval: Governador Valadares

26 de fevereiro a 02 de março de 2022

Objetivo: Oportunizar aos alunos e pilotos conhecer diferentes locais, pessoas e costumes, encantando e surpreendendo através de novas experiências de voo.

Organização: Vento Norte Paraglider

Local: Governador Valadares – MG

Em breve serão abertas as inscrições!

Trip Vento Norte Sapiranga/RS

21 a 24 de abril de 2022

Objetivo: Oportunizar aos alunos e pilotos conhecer diferentes locais, pessoas e costumes, encantando e surpreendendo através de novas experiências de voo.

Organização: Vento Norte Paraglider

Local: Sapiranga – RS

Em breve serão abertas as inscrições!

Trip Vento Norte Atacama – Chile

Previsto para 12 a 23 de maio de 2022

Iquique, é o Q.G  chileno para voar de parapente, inclusive já foi cenário de uma das produções do piloto francês Jean Baptiste Chandelier.

As montanhas e morros de areia que dominam a paisagem, com suas rochas, a Cordilheira dos Andes, o rico pacífico, a brisa constante, as n’s possibilidades de amplos pousos e sol diário fazem da região norte chilena, uma constante temporada de voo, e que não tira férias. Para todos os paladares, do piloto calouro ao veterano.

Confira todos os detalhes dessa trip inesquecível e inigualável.

 

 

Jogos de Aventura e da Natureza

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parapente morro do boi

Abreviado pela sigla JANS, “a sua edição inaugural, em 2019, contou com a participação de mais de 20 mil atletas nas competições, realizadas em 26 municípios de três regiões do Estado: Litoral, Lindeiros e Ângra Doce. Sendo que, todas as modalidades realizadas em nível de competição foram chanceladas pelas federações que abraçaram a ideia e agora passam a integrar os Jogos,” (extraído do site da Superintendência do Esporte)

Os jogos estavam suspensos em 2020 por conta da pandemia, mas com o avanço da vacinação e diminuição dos casos de COVID-19 retornam na edição deste ano, 2021.

Acontecerão em 2 etapas, em 20 municípios de duas regiões do Estado: Litoral e Lindeiros, num total de 30 modalidades esportivas. As competições vão evidenciar as belezas do Paraná, estimular o turismo e movimentar a economia. Para saber mais sobre a programação dos Jogos e todas as modalidades acesse aqui.

Os JANS são uma realização do Governo do Paraná por meio da Superintendência do Esporte em parceria com as Federações Esportivas paranaenses.

O parapente estará participando na etapa do Litoral, no Morro do Boi, Caiobá, com um Festival de Voo nos dias 06 e 07 de novembro de 2021.

Fazer a inscrição para a Etapa Parapente – Morro do Boi

Confira o Regulamento

Recordação da primeira edição dos Jogos de Aventura e Natureza, etapa Morro do Boi, em 2019.

A primeira rodada dos Jogos de Aventura e Natureza, ocorreu no litoral paranaense, no fim de semana dos dias 17 e 18 de agosto de 2019. Cerca de 5 modalidades esportivas alteraram a rotina do litoral, movimentando restaurantes, hotéis, pousadas e comércio na baixa temporada. Do asfalto, para a areia, para o mar, para a baia e para o céu, onde o nosso esporte foi contemplado.

Movimentamos o esqueleto trilha acima, uma bela trilha pela mata atlântica e decolamos para colorir o céu.

Nosso piloto Fábio Klock levou a sério essa parte de colorir o céu, e o seu relógio, não apenas presente em seu sobrenome, também ficou presente na marca de permanência no ar. Seis horas e dois minutos (ok, os minutinhos são irrelevantes perante as seis horas). Parabéns Fabião! Resistência e persistência tem endereço, e é o seu.

morrodoboi
Fábio Klock no Morro do Boi. Será que foi premonição da divulgação?

Na brincadeira do hike’n Fly, que significa caminhar e voar, uma modalidade do parapente que visa caminhar pelas montanhas para decolar dos altos cumes, o esquema era correr com a mochila do parapente do Q.G até a trilha do Morro do Boi, da trilha até o cume, em menor tempo, e decolar para pousar o mais longe.  Quem ganhou foi o Rafael Wojick, do Alta Montanha. Parabéns Rafa! Araçatuba e Rio que te aguardem.

Toda essa vibe do Festival de Voo Livre de Caiobá nos lembrou o que já cantaram os poetas, “que pra viver e pra ver não é preciso muito, pois a lição está em cada gesto. Tá no mar, tá no ar. Acrescento: está na ação.”

É na água, é no ar, é nas matas, é no asfalto, é nas estradas de chão, é no livre que encontramos preciosas lições que melhoram a vida.

Não foi apenas compartilhar essa nobre visão que o Governo do Estado do Paraná assumiu com os Jogos, afinal; visão sem ação é alucinação. Eles foram muito além do crescimento individual de cada esportista. A inciativa é inédita para a sociedade como um todo. O publicitário Nizan Guanaes já bateu algumas vezes na tecla, nosso país tem potencial turístico, tem vocação esportista para desenvolvermos as regiões. E cá estamos, com o governo do Estado vestindo essa camisa para:

  • Desenvolver os municípios com determinada vocação esportiva.
  • Fortalecer o turismo eco esportivo.
  • Fomentar a economia.
  • Valoriza as riquezas e belezas naturais do estado.

E vem os benefícios como respeito, solidariedade, amor ao meio ambiente, amizades, desafios, superações, qualidade de vida, mais saúde, mais verde, uma economia engajada pelo turismo, que respeita as riquezas e belezas naturais. Esses são alguns dos valores disseminados e sementes plantadas.

Compartilhar o sabor disto em conjunto com outros 28 esportes, que igualmente recebem esse apoio e olhar do Governo, é mais que genial. (Queremos dar um abraço nos gênios!)

Não dá para apenas se deter no parabenizar esse ousado projeto grandioso, de responsa mesmo, e agradecer a oportunidade preciosa de estar presente nos Jogos, em nome de todos os pilotos paranaenses. Tem que ir além, tem que apoiar, prestigiar, unir e divulgar.

União é o que não faltou. A estimativa de 30 pilotos passou longe da realidade, e foram 60 pilotos vindos de diversos cantos do nosso Paraná. Do parapente ao paramotor, lá estávamos todos nós espalhados pelo litoral.

Para isso se tornar possível algumas pessoas muito envolvidas na força tarefa merecem o nosso obrigado. Em especial ao Paraná Esportes, Sr. Marcos “Padre” Schemberger e  Sr. Rogério Bufrem Riva. A Prefeitura de Matinhos. Márcio André Lichtnow, nosso instrutor que representou o parapente na abertura dos Jogos em Curitiba, na abertura em Caiobá, e no Festival de Voo Livre Morro do Boi. Ao nosso instrutor Kauan Felipe Lichtnow,  que além de ter monitorado e orientado as decolagens e os voos, subiu e desceu o Morro inúmeras vezes na quinta e na sexta, para garantir a rampa com mato baixo, juntamente com o Jesus Ortega. Sibelly Blum que auxiliou nas decolagens. Raquel Venceslau, que grandemente apoiou e ajudou no pré, durante e pós evento. Hilton Benke e Rafael Wojick. Rafael de Góes, encabeçou e agitou o hike’n fly.

É isso, ninguém faz nada sozinho, é pura sinergia. Como falamos nas primeiras aulas, talento ganha jogos, mas trabalho em equipe vai muito além da conquista individual.

sinergia

E que só tem sentido se outras pessoas estão acolhidas, contempladas, engajadas. É para todas essas pessoas que deixamos o nosso SALVE, SALVE, OBRIGADO! O salve-se o prazer de puramente e belamente voar! E isso vocês fizeram lindamente.

Ousaremos agradecer todos que estiveram presentes, pela lembrança que temos do sábado e do preenchimento da ficha de participação, se alguém ficar de fora, nos perdoe, saiba que somos igualmente gratos.

Guilherme Hoffmann, Mauricio Baril, Jucemar Vicente, Caroline Santana, Elaine Gomes, Luana Amaral, Silvio Pereira Moraes, Fabiano Cordeiro, Fabio Gafke, Sibelly Blum, Marcos Gabardo, Paulo Oliveira, Rodrigo Fernandes (UM SALVE ESPECIAL), Alessandro Barbosa, André Rosa, Jesus Ortega e família, Joziel Santos, Ivoney Cardoso, Lucieli Fragoso, Maiara Aparecida, Loreani, Washington Lima, Rogério Santos, Diego Nascimento, Bora, Aloysio Pinto, Simone Inzinger, Mauro Gomes, Leonardo Furletti, Fábio Klock, Jefferson Dias, Daniel Dangui, Ana Paula Elias, Ana Paula Rocha, Maicon Veiga, Marcos Luis Ferreira, Jaci, Marcia Correa, Karine Poland, Jean Cochak, Elder Teixeira, John Frank, Ericsson Souza, Raquel Canale, Rafael de Góes, Hugo Soares, Giuliano Dedini, Edson Feler, Marcos Antonio Ferronato, Sandro Bichibichi, Leandro Souza Chaicoski, Claudemir Antunes e toda a galera do paramotor que movimentaram o céu do litoral.

Para mergulhar virtualmente no mundo do parapente, e descobrir um pouquinho mais dos ares, acesse https://blog.voeventonorte.com.br/sobre_o_parapente/

Menu de links desse artigo:

Jornada Técnica Vento Norte Paraglider 2021

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Terra Rica 2021

SOBRE TERRA RICA

Terra Rica é uma cidade do norte do Paraná e conhecida em nosso esporte por ser o local com potencial para os voos de cross country, inclusive o recorde paranaense de distância percorrida em parapente é de lá e a marca é de 270km.
A cidade já foi chamada de Estrela do Norte. Serpenteada pelo Rio Paranapanena, que significa rio-azarado, que não é azarado não, pois é um dos rios mais importantes que nasce no interior de São Paulo e tão importante quanto é o menos poluído do estado paulistano, e que desagua no Rio Paraná no ponto tríplice entre Paraná, Mato Grosso do Sul e Sampa. (Admito que fiquei com vontade de arranjar um caiaque e atravessar o rio só para dizer que pisei no Mato Grosso do Sul, mas continuando..)
Foto do Felipe Krausse
Pouso na beira do Rio e o primeiro cross de FELLIPE KRAUSE DOS SANTOS, que também foi o primeiro a fazer o goal.
A região é super plana e possui vastos campos do agronegócio e uma única elevação na paisagem, o Morro dos Três Irmãos, carinhosamente chamado de Três Morrinhos. Por lá vimos vários pássaros diferentes, inclusive um casal de araras vermelha e azul anunciando que a primavera está chegando e por consequência a temporada dos voos de grandes distâncias para os humanos esquisitos com asas de pano. Um cenário que me lembrou uma aula que assisti com o Leandro Karnal e a Gabriela Prioli, que vou adaptar ao contexto: “Em um ambiente que temos ipês brancos floridos, mangueiras repletas de frutas, pássaros coloridos voando, esquilos nas árvores, pôr do sol no Rio Paraná, pessoas felizes e sintonizadas, vamos e venhamos, é moleza ser humanista, ” e confessamos que nos sentimos assim nesses ensolarados dias em que promovemos – com parcerias incríveis – a Jornada Técnica de 7 de setembro.
A ORGANIZAÇÃO DA JORNADA TÉCNICA VENTO NORTE 2021
Tudo começou no teatro da Casa da Cultura. A Prefeitura disponibilizou o espaço para realizarmos as palestras 3 dias pelas manhãs, além de um ônibus de resgate no raio estabelecido de 50km da decolagem. Um luxo para os crosseiros não precisarem pedir carona para voltar ao “Q.G”.

 

Na cidade foi distribuído pela própria natureza 2 sóis para cada pessoa, na rampa 5 sóis para cada. Uma fornalha para os meros curitibanos vestidos para o sucesso; lycra, casaco, luvas, capacetes e por aí vai. Toda essa rouparada em um calor sufocante não é questão de elegância e estilo, é porque a cada 100 metros que subimos no voo a temperatura abaixa um grau, e podemos subir até o teto estabelecido e permitido que pode ultrapassar os 2.000 metros em algumas regiões.
Enquanto esperávamos a condição abrigados nas sombras das árvores vimos a miúda cuíca, lebres, lagartos, calangos, sol e mais sol, e obviamente, urubus que deram a largada para as decolagens maravilhosas – resultado de muito treino solo – em uma condição forte, consequência da grande seca que castiga as terras, a paisagem por quilômetros, quilômetros e quilômetros são campos e campos de plantação ou pasto, que atravessam cidades e fronteiras, e nos poucos e raros remanescentes florestais que vimos pela estrada, alguns estavam com focos de incêndios. Mas papo muito sério para um início de semana. Seguimos adiante com nosso feriadão.

 

No voo os tutores se dedicaram para que os participantes chegassem o mais perto possível de suas metas pessoais do dia. Primeiros voos, primeiros lifts, primeiras giradas de térmicas, primeiras permanências em voo através de térmicas, primeiros cross, primeiros goals, primeira rampa de voo fora da zona de conforto e muitos, muitos sorrisos distribuídos de orelha a orelha. Seria muito longo escrever as conquistas de 53 participantes, cada qual com uma experiência singular, entretanto deixamos o convite para quem gosta de escrever mandar para nós publicarmos a experiência e o olhar neste singelo blog.
Foto de Rafael Wojcik em Terra Rica.
Ah, tivemos alguns preguinhos de pilotos que possuíam a meta de realizar nem que fosse um pequenino cross. Se estávamos no paraíso das térmicas paranaenses? – Sim, estávamos. Mas não sei se sabe ou não, todo paraíso tem serpente. Não sou eu que estou dizendo isso, é um fato bíblico. Encontrar uma maladita descendente máster no caminho ou simplesmente ter que pousar porque a condição zerou (as térmicas “morreram”) acontece com todo piloto, novatos e experientes, tem até um artigo por aqui sobre a “merreca”, se você é um dos merrecados, leia.
O importante do voo livre, falando da parte técnica, é treinar, observar, estudar, aprender, refletir, trocar ideias, contar sobre o seu voo, comemorar as glórias da vitória e superar os dramas da merrecada, ser o tal observador que também mede a profundidade da sua própria natureza, e usar tudo isso como impulso para os próximos voos, com desejo por distância, por música, por vida, por superação com otimismo sempre.
Foto Samuel Quines Thomas
Vou dar um giro no velho globo e ir para um outro lado, para mostrar todas as faces do esporte. O arrastão da nossa nora amada Sibelly e da Kelly no chão. A Kelly levou um arrastão no chão e machucou o joelho no segundo dia, mas não se abalou, embora não tenha voado nos demais dias para poupar o joelho, afinal de contas a gente quer ela fortona na corrida, pedal e natação. Guerreira como é, foi para a rampa os outros 2 dias com a estratégia de observar decolagens, voos e condições, e de quebra motivar a galera nas decolagens. A Sibelly fez voos lindos, inclusive o primeiro cross, mas no último após horas voando térmica, já no chão levou um arrastão que acabou ocasionando uma lesão e será necessário repouso por um tempo. Paciência e caldo de galinha na convalescença, como diria minha avó, para que volte para o ar espalhando o bom humor, sorrisos e alegria que marcam a sua personalidade. O fator relevo foi a grande serpente nos dois casos. Os pastos de Terra Rica possuem algumas divisórias de terra, como ondas grandinhas no solo, chamadas de curva de nível e se não estivessem no caminho das duas, tudo isso não seria nada mais que um arrastão a ser controlado. Meninas, vocês mandam muito bem, são fortes e isso irá ajudar um montão na recuperação.
Duas dicas para o leitor:
  • Primeiro, manter distância de ondas no solo, valas, cupinzeiros, “trincheiras” e etc, são armadilhas terríveis, especialmente no treinamento solo e pouso.
  • Segundo ponto; estávamos conversando com a Kelly e com a Sibelly, que são muito ativas e queremos lembrar que os músculos protegem, e muito, os ossos e as cartilagens. Praticamos um esporte de natureza e que possui riscos que não estão apenas no ato de voar, mas também no chão, nas trilhas para o morro, no barranquinho e etc.  Quanto mais fortalecida é a musculatura menor é o dano em um tombo e mais rápida é a recuperação, e claro, te dará mais qualidade de vida na velhice. Até eu que detesto musculação fui convencida por uma médica a começar. Antes tarde do que nunca, não é? Já fui 3 vezes em 9 dias. rsrs (só isso porque veio o feriadão logo que comecei).
  • A título de incentivo achei esse pequeno artigo: “Fortalecer os músculos é importante para proteger os ossos e as articulações”, que pode expandir a sua ideia sobre musculação.
Mas adiante no resumo. O saldo da Jornada Técnica foi extremamente positivo. Arrasaram todos, não apenas nos voos. A AVLPN, a Prefeitura, os pilotos, os tutores, os monitores, os alunos(as), todos ajudaram, apoiaram, motivaram, observaram, aprenderam com atenção, com cuidado, ofereceram caronas no trecho rampa e pé de morro, filmaram as decolagens dos amigos, fizeram novas amizades, entre tantos outros pequenos detalhes que fizeram toda a diferença no todo. Não sei se vocês sabem, mas especialistas afirmam que as melhores sociedades são aquelas que aprendem em conjunto, e saboreamos o dito na prática, cada um de nós. Não é verdade?
Nós somos aquilo que ensinamos. Foi especial demais e já estamos com saudades dos momentos compartilhados.
Valeu a serenidade nos olhos, os risonhos votos de confiança, as “mãos e mentes” unidas na parceria de decolagens, voos e pousos, o olhar atento e genuíno da torcida para que tudo fosse perfeito com cada um, a vontade subjetiva de se fazer o melhor, as risadas altas, as conversas sem pé nem cabeça e outras tão profundas e sérias. Valeu pelos voos em terra e em céu. Que venha a próxima logo!
Agradecimentos especiais:
Prefeitura de Terra Rica e a Divisão de Turismo que apoiou o evento disponibilizando o espaço da Casa da Cultura e o ônibus de resgate, com a visão de alavancar o turismo esportivo, rural e cultural.
Associação de Voadores do Norte do Paraná que vestiram a camisa da Jornada Técnica Vento Norte e nos ajudaram enormemente na organização e aplicação de cada detalhe, sendo os melhores anfitriões que já nos receberam.
Aos tutores que buscaram auxiliar cada piloto e aluno em suas metas.
Aos pilotos e alunos que depositaram a confiança em toda essa equipe empenhadíssima em fazer o melhor por cada um e vocês retribuírem tão carinhosamente esse cuidado.
Terminamos esse artigo com a edição do Reginaldo Angelo de Oliveira, mais conhecido como Régi e um dos organizadores da Jornada.

Informações sobre a rampa de Terra Rica, acesse este artigo do site Guia 4 Ventos.

Entrevista Kelly Trindade

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Kelly passou correndo por mim e uma amiga em uma trilha da Ilha do Mel, com absoluto foco em sua corrida, sem perder a simpatia sorriu com o olhar para nós, como um Bom Dia Meninas, e sumiu, virou um pontinho distante no Morro do Sabão. Minha amiga já concluiu; “que simpatia desta atleta! Um dia eu corro, pedalo, nado, subo montanhas, surfo, faço yoga e especialmente sorrio para todos como ela.”
Foi a primeira vez que vimos a Kelly, e a impressão obviamente foi das melhores, mal imaginaríamos que teríamos a sorte de vê-la e conversar tantas outras vezes, pois ingressaria em nossa escola.
Kelly treino solo
Kelly no treino de controle do equipamento em solo, na Ilha do Mel.
A Kelly tem 34 anos, é curitibana, arquiteta, empreendedora, professora, gestora, triatleta e nossa aluna (chamamos de Vento Nortenhas). Sua mãe e seu pai se separaram quando ela e seu irmão, 5 anos mais velho, eram crianças. A mãe se virou nos trinta para atender os desejos dos filhos, e educa-los, pois, seu pai estava vivendo no Mato Grosso do Sul. A pensão era integralmente administrada pelos filhos e Kelly acredita que isto foi muito benéfico para a gestão financeira na fase em que eram adolescentes, aprenderam inclusive a poupar. Kelly casou, se divorciou, seu pai sofreu um câncer e neste período ela esteve ao seu lado em todas as consultas, tratamento, e hospital até os seus últimos momentos.
Incentivados pela mãe a praticarem esportes desde os 4 anos de idade, mais especificamente a natação, ambos tomaram gosto por atividades físicas. Academia, dança, luta e aulas de educação física, mesmo as teóricas eles gostavam. Na pré-adolescência, aos sábados, a mãe levava ao escotismo.
Primeira parte da prova de triatlhon do Xtreme Penha.
Kelly Montanhismo
Nascer do Sol no Monte da Crista, em Garuva, Santa Catarina.
Kelly, a sua mãe já sabia o que hoje é comprovado, escotismo desenvolve em crianças e adolescentes um senso de responsabilidade individual, coletiva e respeito pelo meio ambiente, e claro, o gosto pelas aventuras na natureza. O que você traz do escotismo para o montanhismo e o voo livre atualmente?
Muito da minha vida hoje foi influenciada pelo escotismo. Desenvolvi a independência e liderança, aprendi sobre respeito pela natureza e pratiquei a paciência de cumprir pequenas tarefas em busca de um reconhecimento maior. Na ficção “O Homem Mais Rico no Mundo”, de Rafael Vidac, ele compara as vitórias da vida com a subida em uma montanha, e concordo com ele! Temos que mirar o objetivo, e mesmo o trajeto parecendo difícil e longo, é só abaixar a cabeça, se concentrar no próximo passo, e trabalhar duro que se chega lá! Quem nunca olhou o cume do morro e se impressionou com a distância dele?
Nascer do sol no Morro dos Perdidos, em Tijucas do Sul.
Você me lembrou um sentimento que tenho sempre; estou no pé de uma montanha e olho o cume, imagino qual é a paisagem reservada, e quando estou lá em cima e olho o fundo do vale, eis que imagino quais são os segredos a serem explorados lá embaixo. Talvez por isso eu goste da música do Jorge Drexler: “Creo que he visto una luz al outro lado del río”. Chego a conclusão de que não há caminho pré-determinado, porque ele se faz ao caminhar, nos molda e nos ensina, chegar ao topo é um simbolismo da conquista da trajetória, porque o que realmente importa é o quanto absorvemos da sabedoria do caminho. Você tem isso também?
Muito! Uma frase que digo sempre: eu só sou quem eu sou por tudo que passei. Se algo tivesse sido diferente na minha vida, eu não teria conquistado tudo que conquistei. Comparo com o triatlhon. Minha conquista na prova não é a chegada, mas sim todos os meses de preparação dela! Isso é que me derruba lágrimas quando passo pelo portal!
kelly na chegada
Chegada na prova de triatlhon GPXtreme, na Penha. Kelly ficou em 4º lugar na categoria geral.
Luiz parabenizando a Kelly após a prova.
Durante um curso vocacional que apontava para a propaganda e publicidade e também para a arquitetura e urbanismo, é que Kelly descobriu a sua vocação e optou pela faculdade de arquitetura. Abriu seu próprio escritório logo após a sua formação, que permanece até hoje e foi um fator que impulsionou a desenvolver uma rotina com atividades físicas.
Comecei a “levar a sério” o esporte quando resolvi abrir meu próprio escritório, minha produtividade aumentava a noite, porém eu me sentia mal em acordar cada dia mais tarde para trabalhar. Arrumei um compromisso com o esporte que fazia eu acordar cedo, e assim chegava mais cedo no escritório. Logo em seguida, descobri que os treinos mais fortes me ajudavam a diminuir crises da “Síndrome Sincopal de Vasovagal” que eu sofri durante a juventude toda (é uma síndrome muito comum em mulheres jovens que em geral melhora com o passar do tempo. Nem sempre é diagnosticado, pois não acarreta nada grave fora um desmaio rápido e passageiro em lugares quentes a abafados).
Kelly é especialista em arquitetura em BIM (Building Information Modeling, um conjunto de softwares, tecnologias e processos que garantem uma maior qualidade no processo de execução e manutenção de edificações) leciona aulas sobre o tema e esta foto é de uma palestra que orientou no SEBRAE.
O esporte veio como uma forma de equilibrar a rotina e a busca por qualidade vida, hoje sendo uma atleta de alta performance, a busca por um equilíbrio deve ser ainda mais intensa na alimentação, descanso, treinos, leituras, trabalho e lazer. Você programa a sua semana detalhadamente para cumprir o “roteiro”?
Faço acompanhamento nutricional desde meus 19 anos (eu era gordinha) e de lá para cá, gosto de cuidar da minha alimentação. Programo meu celular para silenciar chamadas no horário que tenho que dormir para completar as horas de sono que acho adequado para minha rotina no momento. Apesar de ter o meu próprio escritório de arquitetura e poder “fazer o meu horário”, controlo as minhas 42 horas semanais de trabalho. Não costumo faltar treino, pois além de gostar muito da sensação física e psicológica do esporte, ele também dita o ritmo do dia em relação a isso: alimentação, saúde e trabalho.
Sou rígida com essa programação?  Não! Acho que o equilíbrio tem que acontecer inclusive na forma de se buscar o equilíbrio: tem dias que viajo e cuido menos da alimentação e quando saio com os amigos tenho que sacrificar o sono, e esta tudo bem. Temos que ser flexíveis, somos seres humanos orgânicos e mutantes.
Kelly no bodysurf em Ferrugem-SC
Esportes ensinam muito sobre auto responsabilidade, disciplina e superação. O que pode falar sobre isso.
Pouco tempo depois, fiz minha primeira competição de corrida, depois de aquatlhon (natação+corrida) e depois de triatlhon e delas, tirei algumas lições de vida e profissionais e até hoje faço analogias e tomo decisões a partir dessas experiências.
Apesar de eu já ter feito uma prova de corrida e ter ido bem, e estar nadando com frequência, minha primeira prova de aquatlhon foi um desastre: fui coagida por umas meninas no vestiário, entrei insegura na prova, e terminei tão cansada que lembro até hoje da cara de pena das pessoas me olhando no final da prova. Claro, fui para a casa bem chateada, mas depois de pensar e pensar e pensar, resolvi “voltar lá e fazer o negócio direito”! Pesquisei, conversei com meus treinadores da época, troquei meu estilo de treino e, é claro, depois fiz outro aquatlhon com muito mais confiança, garra e coragem e colhi o resultado disso. Quem nunca teve uma experiência profissional ruim? Daquelas de colocar o “rabinho no meio das pernas”, voltar a estudar mais, trabalhar mais, para então conseguir um resultado satisfatório?
Treino de corrida na pista de atletismo do Parque São José.
Pódio da prova de Triatlhon Insano Full Distance em Guaratuba em 2018, onde levou primeiro lugar na categoria.
Nesses anos de esporte, conheci muitas pessoas e suas histórias de superação, vitórias, fracassos e lesões. Isso fez com que eu sempre tivesse um perfil mais “conservador” de evolução esportiva. Acredito que é melhor dar um passo de cada vez, do que dar dois e ter que voltar três. Mas aconselho as pessoas, com calma e no seu tempo, a se prepararem para um desafio grande, uma prova que requer mais esforço que o habitual. Isso nos ensina muito sobre as várias facetas que a vida engloba: relacionamentos, saúde, equilíbrio financeiro.
Etapa de ciclismo da prova de Triatlhon Xtreme de Penha, 2019.
Em 2018 fiz uma prova de triatlhon um pouco maior que as de costume. Terminei ela muito bem e no dia seguinte tive um dia agitado de trabalho. As duas semanas seguintes depois da prova me deixaram muito preocupada: tive muita febre, deixei de trabalhar, fui diagnosticada com infecção urinária quando na realidade já era uma infecção no rim. Levei um susto e tomei uma lição, que foi reforçada com a leitura do livro “A semente da Vitória” de Nuno Cobra nas férias de 2018/19. Minha prova do ano seguinte, requereu muito mais disciplina com alimentação, sono, treinos, e equilíbrio da vida social, profissional e apoio da família. Acredito que faz parte da maturidade no esporte não buscar somente o pódio na linha de chegada da prova, mas sim as conquistas feitas em conjunto com a vida esportiva.
Etapa de ciclismo da prova de Triatlhon Xtreme de Penha 2019.
Quando começou a pensar no voo livre?
Meu namorado é apaixonado por aviação e desde que o conheci incentivo tudo que esta relacionado a isso. Ele terminou o curso e começaria a dar instrução de voo para acumular horas para o currículo logo no começo da Pandemia. A crise na aviação adiou um pouco alguns planos, mas o menino nunca tira os olhos do céu. Fomos ver o por do sol no Cume do Cal em um domingo de isolamento e ele ficou deslumbrado com as velas no céu. Em pouco tempo ele estava começando o curso de voo e eu estava ali do lado incentivando e apoiando. Assistia as aulas dele, ajudava e dobrar as velas e percebi que esse mundo não era tão distante do meu. O carinho do Marcio no convite a começar a assistir as aulas deu o empurrãozinho final para iniciar o curso!

 

Kelly e Luiz se apoiam de uma forma absolutamente genuína, que inspira admiração. Foto no cume do PP – Pico Paraná.
Você está no primeiro ano de voo livre, embora seja cedo para perguntar, estamos curiosos para saber se já possui algum desejo no esporte.
Gosto muito do clima social que os esportes têm, das amizades que conquistamos pela paixão em comum, e da ideia de conseguir interpretar e entender ainda mais natureza: o vento, as nuvens, os sinais que o próprio matinho dá para sabermos se é hora de inflar a vela ou não… Acho que ainda é cedo para eu saber qual o tipo de voo que mais vai me encantar, mas quero com esse esporte conhecer, conviver e respeitar ainda mais a natureza.  Quem sabe até me desafiar em alguma prova… porque não? A alguns anos atrás, se me falassem que eu seria uma triatleta hoje, eu acharia graça!
Kelly e Luiz em voo na Ilha do Mel.
Kelly no cume do Caratuva.
Kelly, para quem ainda não pratica nenhuma atividade física, entretanto gostaria de começar algo, o que você orienta?
A primeira coisa é experimentar. Não acredito que existe pessoa que não goste de atividade física, mas sim que ainda não encontrou aquilo que gosta. Existe esporte para todas as fases da nossa vida e gosto. Esportes que trabalham mais explosão, força, outros mais a habilidade manual, outros mais reflexos, ou instintos, e a maior parte das modalidades oferecem aula experimental que permite experimentar e encontrar algo que lhe toca.
Cachoeira no Caminho do Itupava.
O segundo ponto é a pessoa organizar o esporte na rotina, se programar para ter aquilo como um compromisso com ela mesma. Entender que ela é a pessoa mais importante, que sua saúde é mais importante, algo que não se deixa para amanhã. Se surgir um compromisso de trabalho ou com os amigos no mesmo horário que a atividade física, dizer não, nem precisa dizer a razão, apenas sugerir outro horário, outro dia. O que vejo é pessoas comprometendo-se com outro, e se deixando para segundo ou até terceiro plano. É organizar na agenda e cumprir com aquele compromisso que ela tem com ela mesma.
Kelly e sua versatilidade, conhecendo a canoa havaiana em Paranaguá.
A terceira orientação é; encontrou o que gosta e esta praticando, busque um profissional, uma equipe que ajude a evoluir, pegar gosto e fazer as coisas direito e melhor. Eu já treinei muitas vezes sozinha, achava prático por questão de horário, questão econômica, mas acho importante se programar para ter ajuda e orientação, assessoria, assim evolui, evita lesões e entende o porquê das coisas, além de engajar e desenvolver as habilidades de modo constante.
Etapa de Ciclismo da prova de Triatlhon Insano Full Distance em Guaratuba, 2018.
Durante muito tempo tive receio de mostrar para as pessoas a Kelly atleta e a Kelly que gosta de passar o final de semana no morro e na praia. Achei que julgariam o porquê eu “gasto” tanto tempo com isso. Foi conversando com uma pessoa aqui, aconselhando outra ali e apoiando outra acolá que decidi expor esse meu lado. Entendi que tem muito mais gente que é estimulada pela vida leve e saudável, do que gente que critica isso. De lá para cá, abri minhas redes sociais e passei a participar de grupos de WhatsApp (inclusive profissionais) de incentivo á qualidade de vida: alimentação adequada, atividades físicas, meditação, encontros sociais e leituras. A própria “responsabilidade” de postar meus cuidados comigo mesma, me incentivam a me cuidar cada vez mais! E seguimos assim… um ajudando o outro!
Kelly, para finalizar, quais são seus favoritos para a triologia discos, filmes e livros que inspiram dentro da temática que conversamos agora?
A Semente da Vitória, Nuno Cobra, livro que fala sobre equilíbrio da vida, importância da atividade física, alimentação saudável, a reconquista do corpo e o aprimoramento mental.
O Homem Mais Rico do Mundo, Rafael Vidac, uma ficção e fala sobre riquezas que não são as materiais, a riqueza da saúde, dos relacionamentos, um livro para refletir.
10% Mais Feliz, Dan Harris, reflexão sobre a meditação, que não necessariamente esta atribuída a religião. Meditação uma maneira eficaz de acalmar seus pensamentos, equilibrar suas emoções e se tornar uma pessoa melhor – sem perder a energia para lutar por aquilo que deseja.
Antifrágil, Nassim Nicholas Taleb, coisas que se beneficiam com caos, debate como ficamos fortes nas partes difíceis da vida.
Alegria, Osho, felicidade que vem de dentro, fala do percurso que inclusive mencionamos aqui.
Música:

Filme: 100 metros, do diretor Marcel Barrena. Um homem diagnosticado com esclerose múltipla questiona as limitações do seu corpo e, com a ajuda do sogro, treina para uma prova de Ironman.

Conecte-se com a Kelly

  • Instagram: @kellytrnd
  • Para conhecer a empresa de arquitetura da Kelly: www.trindadearquitetura.com.br

Kelly, muitíssimo obrigada pela conversa, sempre leve, honesta, transparente e inspiradora. Que venham muitas e muitas outras.

Nicolle Muraro

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Por falar em mulheres no comando, você conhece os ODS?

Os ODS são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, uma coleção de 17 metas globais, estabelecidas pelas Nações Unidas para organizar a agenda 2030.

Cada meta global é ampla e interdependente, com uma lista de sub-metas a serem alcançadas, desde desenvolvimento social, econômico, educação, pobreza, fome, saúde, saneamento, energia, meio ambiente e justiça social. Metas ambiciosas, entretanto, se todos usarem seu poder transformador poderemos ter mais polinizadores para a mudança que queremos ver no mundo. E nós, como escola e habitantes deste planeta lindo e repleto de desafios queremos estar no time que faz parte da solução e aproveitaremos este artigo para divulgar o Quinto ODS – Igualdade de Gênero, pois é queridos leitores, em todos os nossos artigos somos intencionais, queremos provocar a mudança para um mundo melhor.

Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas

O ODS número 5 tem como objetivo geral: Alcançar igualdade de gênero e empoderar as mulheres e meninas.

Não no sentido de dar poder a alguém, pois todos nós já nascemos com o poder, trata de garantir que mulheres exerçam o seu direito de usar o seu poder.

Os objetivos específicos são:

5.1 Acabar com todas as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas em toda parte.

5.2 Eliminar todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e de outros tipos.

5.3 Eliminar todas as práticas nocivas, como os casamentos prematuros, forçados e de crianças e mutilações genitais femininas.

5.4 Reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e doméstico não remunerado, por meio da disponibilização de serviços públicos, infraestrutura e políticas de proteção social, bem como a promoção da responsabilidade compartilhada dentro do lar e da família, conforme os contextos nacionais.

5.5 Garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública.

5.6 Assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos, como acordado em conformidade com o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento e com a Plataforma de Ação de Pequim e os documentos resultantes de suas conferências de revisão.

5.a Realizar reformas para dar às mulheres direitos iguais aos recursos econômicos, bem como o acesso a propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, serviços financeiros, herança e os recursos naturais, de acordo com as leis nacionais.

5.b Aumentar o uso de tecnologias de base, em particular as tecnologias de informação e comunicação, para promover o empoderamento das mulheres.

5.c Adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis.

Confira os detalhes do ODS -5 aqui.

Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é uma enfermidade

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Tempos atrás, em julho de 2018, encontrei a possível origem de uma das frases de efeito que por aqui somos constantemente bombardeados nas redes sociais, e que inclusive já usamos.

 “Somos assim: sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio.”

A busca nos levou ao livro Religião & Repressão, editado em 1979, por Rubens Alves. O assunto voar, altura, vazio, gaiolas e liberdade é amplamente debatido na introdução da obra.

Quem poderia imaginar?

Só os curiosos que como nós gostam de descobrir a autoria e origem da coisa toda. Sabe como é? Era para desvendar se a frase tinha alguma coisa a ver com o ato de planar pelos céus por meio de asas. E no fim não tinha a ver. 

A outra frase que adoramos; “pássaros nascidos em gaiolas acreditam que voar é uma enfermidade”, é do Alejandro Jorodowsky, que ainda acrescenta: “o ego é uma gaiola sem pássaro, que acredita ser um pássaro sem gaiola”. Isto descobrimos através do artigo Tempo de Liberdade, 19/02/2021, do jornalista Tio Flávio, no Jornal, o H-Hoje em dia.

Pois é, uma coisa puxa a outra, e que puxa outra no mundo das reflexões, e especialmente da literatura, e por isso compartilharemos com vocês as palavras do Rubens Alves, porque vale a pena desenrolar este novelo.

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Introdução do livro de Rubens Alves – 1979

De tudo o que Dostoiévski escreveu em Os irmãos Karamazov; o que mais me impressionou foi o relato sobre o “Grande Inquisidor”. Jesus havia voltado à terra e andava incógnito entre as pessoas. Todos o conheciam e sentiam o seu poder, mas ninguém se atrevia a dizer o seu nome. Não era necessário.

O Grande Inquisidor o observava de longe, no meio da multidão, e ordena que ele seja preso e trazido à sua presença. Então, diante do prisioneiro silencioso ele profere a sua acusação.

Não há nada mais sedutor aos olhos dos homens do que a liberdade de consciência, mas também não há nada mais terrível. E em lugar de pacificar a consciência humana de uma vez por todas, mediante sólidos princípios, tu lhes ofereceste o que há de mais estranho, de mais enigmático, de mais indeterminado, tudo o que ultrapassava as forças humanas, a liberdade.

Agiste, pois, como se não amasses os homens. […] Em vez de te apoderares da liberdade humana, tu a multiplicaste e, assim fazendo, envenenaste com tormentos a vida do homem, para toda a eternidade…

O Grande Inquisidor estava certo. Ele conhecia o coração dos homens. Os homens dizem amar a liberdade, mas de posse dela são tomados por um grande medo e fogem para abrigos seguros. A liberdade é amedrontadora.

Os homens são pássaros que amam o vôo, mas têm medo de voar. Por isso abandonam o vôo e se protegem em gaiolas.

Não me recordo o nome do autor. Mas não importa. O texto vale por ele mesmo e não pelo nome daquele que o escreveu. Eu o reconto com as minhas palavras.

Havia um bando de patos selvagens que voavam nas alturas. Lá em cima era o vento, o frio, os horizontes sem fim, as madrugadas e os poentes coloridos. Tão lindo! Mas era uma beleza que doía. O cansaço das asas, o não ter casa fixa, o estar sempre voando, as espingardas dos caçadores…
Foi assim que um pato selvagem, olhando lá das alturas para essa terra de anões aqui em baixo, viu um bando de patos domésticos. Estavam tranqüilamente deitados à sombra de uma árvore, poupados do esforço de voar. E havia comida em abundância.
O pato selvagem invejou os patos domésticos e resolveu juntar-se a eles. Disse adeus aos seus companheiros, desceu e passou a viver a vida que pedira a Deus.
E assim viveu por muitos anos até que de novo chegou o tempo da migração dos patos. Eles apareciam, lá no fundo do azul do céu, formações em “V”, grasnando, um grupo após o outro. Aquela visão dos patos em vôo, a memória das alturas, aqueles grasnados de outros tempos começaram a mexer com algum lugar esquecido dentro do pato domesticado.
Uma saudade, uma nostalgia de belezas, o fascínio do perigo e o vazio que se abria… Até que não foi mais possível agüentar. Resolveu voltar a ser pato selvagem. Abriu as asas e bateu-se para voar, como outrora, mas não voou. Caiu, esborrachou-se no chão.
Estava gordo demais. E assim passou o resto de sua vida: em segurança, protegido pelas cercas e triste por não poder voar.

Acho que Fernando Pessoa se sentiu um pouco como o pato. Pelo menos é o que sinto ao ler esse poema:

Ah, quanto vez, na hora suave
Em que não me esqueço,
Vejo passar o vôo de ave
E me entristeço!Por que é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Por que vai sob o céu aberto
Sem um desvio?Por que ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invadeUm horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minh’alma alheiaUm desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do vôo suave
Dentro em meu ser.

Somos assim. Sonhamos o vôo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas das gaiolas estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas.

“Prisioneiro”, dize-me, quem foi que fez essa inquebrável corrente que te prende?”, perguntava Tegore. “Fui eu”, disse o prisioneiro, “fui eu que forjei com cuidado esta corrente”.

Rubens Alves prossegue em sua longa introdução sobre Religião & Repressão e que não vem ao caso eu transcreve-la inteira por aqui.

A invocação da “verdade” é o instrumento de que se valem os inquisidores, nas suas múltiplas versões, para matar – ou silenciar – aqueles que têm idéias diferentes das suas. Trata-se de uma tentação universal, possivelmente uma variação da tentação original (“… e sereis como Deus”). Dessa tentação não estão livres nem mesmo as instituições científicas, como mostrou Thomas Kuhn, historiador da ciência…

Deus dá a nostalgia pelo voo. As religiões constroem as gaiolas e quando o voo se transforma em gaiolas, isso é idolatria. Um pássaro empalhado.

Finaliza:

A tentação dos absolutos é uma característica universal do espírito humano. Todos queremos possuir a verdade (quantas vezes ouvimos o que é certo é certo o que é errado é errado, ignorando-se todo o resto que não se encaixa nessas caixas). Para possuir a verdade é preciso que se engaiole a verdade, e para engaiolar a verdade é inevitável que também aprisione toda a liberdade e o pensamento.

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Quem diria que essa frase de efeito é uma crítica e uma afirmação que a possibilidade de admirar-se genuinamente diante do mistério da vida só é possível ser alcançada quando são deixadas para trás as grades opressoras dos discursos dogmáticos. É isso que Rubens Alves queria nos contar quando escreveu: Somos assim: sonhamos o voo… e que mesmo fora do contexto em que foi redigida podemos usar em qualquer outra esfera das nossas vidas que não perde seu sentido e a sua bandeira. A liberdade do pensamento como impulsionadora da ação.

Bons voos, em terra e em céu.

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