O paraglider não depende de força bruta e não possui restrição de peso e altura, portanto homens e mulheres maiores de 18 anos podem se tornar piloto de parapente. Não exige preparo físico para iniciar, mas sim mobilidade e saúde mental.

“Voar de parapente é um esporte muito interessante, pois quebra alguns paradigmas: quanto mais velho você fica, mais experiente, melhor serão seus voos. Ou seja, com o passar do tempo a gente fica mais bem preparado, diferentemente de outros esportes que exigem demais da nossa condição física. Por exemplo, eu jogava basquete, mas com minha idade não consigo mais competir com a molecada, pois não tenho a mesma preparação física, apesar da minha pontaria na cesta ter melhorado. Com o parapente é diferente, quanto mais o tempo passa, mais experiente eu fico e melhor serão minhas decisões no ar.” (Marcos Meier)

A Associação Brasileira de Parapente – ABP – exige documentação que comprove a capacidade física e psicológica do praticante. A própria Carteira Nacional de Habilitação vale como comprovante devido ao exame médico e psicotécnico exigido pelo órgão competente. Caso o praticante não tenha CNH, torna-se necessário apresentar atestado médico.

Apesar do parapente não exigir rigorosamente preparo físico é importante ter em mente que praticar atividades físicas, alimentar-se bem, dormir bem, ir ao médico com regularidade e outros hábitos positivos são importantes para uma vida saudável, plena e com menos riscos. O ideal é que faça um check-up para iniciar no esporte conversando com seu médico a respeito para averiguar se não há nenhum impedimento como crises agudas de labirintite, desvios sérios e perigosos na coluna, osteoporose, problemas cardíacos etc. Nunca é tarde para começar a cuidar-se melhor e praticar qualquer atividade com tranquilidade.

Embora no Brasil não haja decretos ou normativas que expressem proibições da prática esportiva parapente, na Europa existe uma comissão médica que informa as contraindicações para cada esporte. Transcrevo as emitidas pelo Conselho de Medicina da Federação Francesa de Voo Livre, caso tenha alguma das contraindicações orientamos que busque um médico que avalie qual é a sua situação e seus riscos esportivos.

CONTRAINDICAÇÃO SISTEMA NERVOSO

  • Qualquer alteração ou perda de consciência de origem conhecida ou desconhecida (epilepsia, desconforto vagal, espasmofilia) é uma contraindicação até o desaparecimento clínico ou para clínico estabilizado dois anos sem ou com tratamento, se isso não afetar o nível de vigilância e sua administração for compatível com a atividade.

A ser avaliado individualmente dependendo da intensidade da prática e do tratamento:

  • Seqüelas de doenças cerebrais ou meníngeas, traumáticas ou não, com risco aumentado de edema cerebral hipóxico altitude.
  • Qualquer deficiência psicológica conhecida e / ou tratada, ou detectada durante o exame que verifique a instabilidade ou perda de domínio de si.
  • Qualquer intoxicação ou qualquer tratamento (medicamentoso ou não) que possa levar à falta de controle.

MOBILIDADE

É necessário possuir mobilidade física.

Contraindicações: Instabilidade do ombro não operada e não estabilizada.

A ser avaliado individualmente dependendo da intensidade da prática e do suporte:

  • Alteração da proprioceptividade dos membros inferiores (em particular não restaurada após trauma).
  • Instabilidades espinhais, material de osteossíntese espinhal causando rigidez que não permite controle satisfatório pilotagem.
  • Hérnias, eventrações, até consolidação pós-cirúrgica, (3 meses “simples”) ou 6 meses (coluna), então reavaliação a cada 6 meses por 2 anos após a consolidação.

Sistema cardiovascular:

Contra-indicações: doença cardíaca instável (hipertensão, insuficiência cardíaca, síndrome coronariana, doença valvar, arritmogênios ou não, seja qual for a origem).

Para ser apreciado de acordo com a intensidade da prática e do apoio:

  • Distúrbios da hemostasia = coagulação (inata, adquirida ou medicamentosa)
  • Uso de certas classes de tratamentos cardiológicos: betabloqueadores, anti-hipertensão central, bloqueador bradicárdico dos canais de cálcio.
  • Neste caso uma hipotensão ortostática contra indicará a prática sem adaptação (Meias / Meias de compressão, …) e em prática acrobática, um perfil de estresse será solicitado.

RESPIRATÓRIO

  • Contra-indicações: História de pneumotórax não monitorada e não verificada (tomógrafo de tórax).
  • A apreciar de acordo com a intensidade da prática e do apoio: História de “doença aguda” da montanha ou de desajustamento em altitude.
  • Insuficiência respiratória sintomática, enfisema sintomático na saturação de O2
  • Doenças pleuropulmonares ativas (incluindo infecciosas).

DOENÇAS ENDÓCRINAS E METABÓLICAS

  • Contra-indicações: Diabetes ou outra patologia endócrina instável suscetível a desconforto que pode levar a um defeito de lucidez.

Para ser apreciado de acordo com a intensidade da prática e do apoio:

  • Tratamentos com risco de hipoglicemia: Na ausência de monitoramento contínuo eficaz e meios de compensação antes do desconforto que pode ser usado, o uso de INSULINA e todos os tratamentos antidiabéticos, exceto METFORMINA, inibidores DDP4 (GLITAZONE) clinicamente tolerado, os análogos de GLP 1 possíveis de acordo com a tolerância digestiva do sujeito representam uma contra-indicação (PP-D)
  • Corticoterapia de longo prazo> 10 mg equivalente de cortisona e insuficiência adrenal.
  • ENT: Contra-indicações: Tontura verdadeira e distúrbios de equilíbrio (teste de Romberg, nistagmo, teste de equilíbrio 1 ou 2) não estabilizado.
  • A ser apreciado dependendo da intensidade da prática e do suporte: A perda auditiva não permite que uma voz seja ouvida sussurrado a 1m: Catarro tubário, otite média aguda e otite crônica não ventilada. Por analogia, inflamações dentais sob amálgama (pulpite barotraumática).

OFTALMOLOGIA E CAPACIDADE VISUAL:

Contra-indicações: Qualquer patologia que não permita que os obstáculos do caminho sejam visualizados com antecedência para evitá-los:

  • Descolamento de retina instável (monitoramento trimestral e depois anual); VA distante combinado corrigido <7/10 e P4 corrigido combinado próximo ao VA;
  • Astigmatismo horizontal após a correção não permitindo ver as linhas horizontal;
  • Visão do relevo após correção insuficiente para avaliar a distância aos obstáculos;
  • Campos visuais tubular <30 ° centralmente ou redução súbita do campo visual <6 meses. Para ser apreciado de acordo com a intensidade da prática e do apoio:

Para ser apreciado de acordo com a intensidade e tratamento:

  • Cegueira unilateral;
  • Campo visual tubular <30 ° centralmente ou redução súbita do campo visual <6 meses, (LK-SK).