Fãs do Red Bull X-Alps – uma competição duríssima em que os atletas devem caminhar e voar (hike’n fly) 1.200 quilômetros (sim, eu escrevi mil e duzentos quilômetros) através dos Alpes – entre nossos (as) pilotos é o que não faltam por aqui.

Embora não tenhamos um Alpes, temos montanhas e morros por todo território brasileiro, e o número de adeptos da modalidade hike’n fly (H&F) na grande família VN (Vento Norte) é maior do que você pode imaginar.
As caminhadas e os voos em montanhas da Serra do Mar e suas travessias – um H&F estupendo em paisagens – estão cada vez mais comuns entre os nossos. Na realidade mais possível, mais alegre, mais leve, mais democrático e mais inclusivo.
O que antes eram pouquíssimos (as) vento nortenhos (as) realizando (Hilton, Rafa, Michel, Eric, Raquel e os grandes pilotos e amigos Gil Piekarski, Rafa Cabelo e Cláudio Mega), hoje está ao alcance de todo piloto formado que queira treinar, estudar e se aventurar pelas matas e trilhas acompanhando a galera e adotando este “novo” estilo de voo.
A nossa vento nortenha Raquel Canale talvez tenha sido a primeira mulher a realizar as travessias da Serra do Mar, caminhando e voando. Não porque as outras não seriam capazes do feito, mas porque ela sabia que todas e todos são capazes de fazer se assim quisessem. Bastou mostrar que era e é possível. Eu sempre me emociono com esse video da Raquel. Ok, não só com esse.

Inspirou os sonhos de muita gente que ela nem imagina, que seguiram os mesmos passos, e também criaram os seus próprios passos, e que de passinho em passinho, de histórias e estórias, é que o hike’n fly timidamente, embora de passos coesos e seguros, cresce devagar e sempre, e todos nós somos agraciados por uma diversidade de oportunidades e inspirações que precisamos abrir espaço, compartilhar e também agradecer.
Uma destas oportunidades ocorre neste fim de semana, e tem como fonte de inspiração o Red Bull X-Alps. O casal de atletas e amantes do hike’n fly, Lucas Porto e Micheli Sossai, organizam mais uma competição da modalidade em um formato mais arrojado que a competição realizada no ano passado, que inclusive a Raquel Canale participou. Na ocasião não havia modalidade feminina para a categoria de dificuldade maior, a hard, do qual havia se inscrito, obviamente porque a quantidade de mulheres nesse tipo de prova é bastante baixa, uma das razões que nos motivam a apoiar a presença feminina, fortalecer e nos comprometermos conjuntamente com tantas e tantos na empreitada de mostrar que não é força, mas sim determinação, mente, estratégia, garra, e assim termos mais mulheres nas competições da modalidade que inspira tanto. Esta prova em particular serão 35 competidores brasileiros, sendo 5 mulheres, e destas, 2 são nossas vento nortenhas e 1 vento nortenho.
A competição organizada por Lucas e Michele acontece nesta sexta, e prossegue até domingo, na cidade de Fundão, cerca de 57 km da capital capixaba. A escolha do local é explicada por Lucas para a revista GoOutside: “O Espírito Santo tem muitos topos de colina que são pastos e perfeitos para as decolagens. Esse formato de prova em travessia tem pontos de controle obrigatórios, mas as distâncias percorridas a pé ou voando dependerá da estratégia, equipamento e talento de cada piloto, afim de aproveitar tanto as condições atmosféricas quanto as altimetrias. ”

Para a competição do ano que vem, a Raquel Canale já nos avisou que o casal está pensando em incluir um desafio a mais, um plus de superação, o bivac.
Antes de prosseguir, vou fazer uma pausa meio fora de hora e de ordem, mas necessária. O hike’n fly não é apenas caminhar com o glider nas costas por estradas, trilhas, alagados, pântanos, lamaçal, ventaca, friaca, “caloraca”, desertos, glaciares, montanhas até o seu cume e depois decolar com o parapente para descer. Hike’n fly é a adoção de um estilo de vida que une a atividade física propriamente dita, a beleza do trajeto – por onde nossos pés pisam -, o desafio, para então levantar belíssimos voos em sua forma mais pura por montanhas espetaculares que nos conectam com a grandeza e importância da natureza. É ajustar, alinhar e integrar o corpo, mente, alma, terra, água e céu.
Retornando ao assunto principal, pois foi assim, no conversa vem, conversa vai, que os 3 Vento Nortenhos(as) acabaram seguindo rumo ao Espirito Santo.
Uns meses atrás recebi a primeira mensagem de uma Vento Nortenha, a Fátima.
– Ni, o que você acha de fazermos uma vaquinha para enviarmos as 3 (Raquel, Carol e Catiane) para a primeira competição mais arrojada do hike’n fly. É uma grana né Ni?
No mesmo dia o Márcio; – Ni, vamos tentar patrocínio para as meninas?
Bastou apenas uma mensagem do Márcio no grupo de pilotos da escola, e o resultado do patrocínio foi quase o suficiente para enviarmos a Cat e a Carol, e combinar com a Raquel Canale a administração do fundo do patrocínio pelo projeto Voe Guria, afinal o patrocínio era destinado para as 3, mas a Raquelzinha não obteve liberação médica por hora, para participar de uma atividade tão intensa como o exigido neste tipo de competição, e no nosso grupinho deixou a mensagem para as meninas que compartilhamos por aqui:
Carol e Cát vou estar aqui torcendo e vibrando por vocês. Agradeço de coração (cogitamos guardar parte dos recursos para enviar a Raquel para a próxima etapa), mas Carolzinha e Cat tem um caminho lindo a trilhar e serão as próximas inspirações. A mensagem que fica com esse apoio, é ter uma equipe feminina representante do PR em uma competição mais que desafiadora, e sim uma competição de superação, onde o objetivo é mostrar de qualquer um é capaz de alcançar seus sonhos. E mais três coisas que preciso falar, divirtam-se, divirtam-se e divirtam-se.”
As duas ventos nortenhas que já estão na rampa da cidadezinha de Fundão possuem currículo para realizarem essa competição, mas não foi sempre assim.
Ao vivo gente! Estão preparadíssimas para decolar.

Carol Santana

Carolzinha, para os mais íntimos, é a irmã do meio de 4 e “mãe” de 2 cachorrinhas. Formada em educação física, com pós em ergonomia, Carol trabalha com ginástica laboral, é personal, também leciona aulas de xadrez para crianças e pratica um montão de esportes que nem consigo listar por aqui.
Começou o curso na Vento Norte logo após uma separação. Caiu de paraquedas no mundo dos ares bem dizer, pois não esperava muita coisa do esporte que unicamente preencher o vazio dos fins de semana pós separação. Aos poucos é que se envolveu nas aventuras e nas novas descobertas. Passou a se dedicar com afinco na técnica e no treino do parapente. Subia e descia o Rio Verde(local de treino solo do glider) umas 15 vezes em uma única manhã. Fez amizades importantes, viagens lindas, histórias emocionantes, voos seguros e tão importante quanto, se redescobriu e ganhou confiança em si. No primeiro ano de curso já havia totalizado mais de 100 voos. Era apelidada de fominha, só queria voar, voar e voar. Integramos a Carolzinha na equipe de campo de monitoria das aulas e treinamentos práticos, pois amava (ama) realmente ensinar e dar aulas. Realizava suas funções com um carinho, amor e dedicação enorme durante a pandemia e que somos profundamente gratos por todo o período que esteve submersa treinando nossos alunos e alunas com tamanho envolvimento. (Volte logo Carolzinha, todos sentimos a sua falta).
A primeira vez que subiu uma montanha já estava no curso da Vento Norte, e foi com a minha prima Andressa Zanlorenzi no Araçatuba. Na ocasião o coração não bateu forte pelo montanhismo. O amor pelas montanhas aflorou verdadeiramente quando realizou o primeiro hike’n fly do Araçatuba. 8 quilômetros de trilha com 16 quilos de equipamento, e se considerava meio fora de forma, com sobrepeso, massa corporal de aproximadamente 70kg para 1,63 de altura.
“Cheguei com câimbra no corpo todo, muita dor e choro. Na rampa disse que nunca mais iria fazer aquilo na vida. Decolei sem vário e senti minha primeira térmica bater na ponta da asa, ganhei muita altura e olhei aquela vastidão dos campos do Quiriri, e um sentimento imenso de paz e felicidade e logo pensei, me contradizendo de horas antes; É isso que eu quero para mim! Hoje eu amo poder subir uma montanha, e voar dela é a cereja do bolo. Carrego duas vontades no momento. Começar a participar das competições de hike’n fly, praticar a modalidade nos Alpes Franceses e se o Márcio me autorizar, levar os alunos e alunas para os primeiros voos de hike’n fly. ”

Para quem acompanha a Carol, sabe que vem se preparando fisicamente há tempos para essas aventuras. Após a primeira investida no hike’n fly decidiu mudar alguns hábitos e adotar novos. Investiu em condicionamento físico, que também resultou em uma perda de peso expressiva, maior saúde física e mental. Neste último ano em particular, focada nas possíveis competições, intensificou ainda mais a musculação, subidas do Morro do Cal, a subida de montanhas com quilometragens mais longas e altimetrias maiores, além dos treinamentos de voos.
Seu currículo de hike’n fly conta com as travessias Anhagava Morretes, Campaua Antonina, Araçatuba, Capivari, Pedra Grande e Pico Marins, este último ela e a Raquel Canale foram as primeiras mulheres a realizarem.

Tudo isso lhe deu bagagem em se inscrever na categoria hard, com alguns objetivos: “poder voar mais, conhecer todas as paisagens que seja possível conhecer em 3 dias de competição e principalmente mostrar para as pessoas inseguras e que se sentem menores que outras, que elas não são. Que podemos realizar todos nossos sonhos, podemos fazer tudo. É uma mulher que me inspira muito, e eu quero também poder inspirar e motivar outras pessoas a viverem os seus sonhos, além de algo fundamental para esses dias de competição: quero ter a capacidade de voar bem, segura e realizar bons hikes.”

O adendo é que o equipamento da Carol não é light, e irá caminhar na hard (que pode ser 20km ou 40km, dependendo da estratégia e condição climática) com cerca de 11kg no lombo. #forçacarol
A Carolzinha rebate as críticas aos 11kg do seu equipamento. “Se eu ficar pensando nos 11 kg não vou fazer o que eu gosto e o que quero realizar. Não resolve nada a lamentação de não possuir um equipo leve, ou o dinheiro para adquirir um light, vou fazer o melhor com aquilo que tenho.”
É gente, determinação tem nome e sobrenome, e uma torcida enorme!
Carolzinha deixa uma mensagem para a galera:

“Agradeço aos patrocinadores da grande família Vento Norte e as meninas que compraram as rifas. Conseguiremos ir por essa ajuda financeira, as parcerias nas trilhas, os treinos em montanhas e no Cal, o incentivo de tantos outros amigos e familiares. Eu hoje estou aqui por essas pessoas, que me chamaram, me incluíram, que me abraçaram e que eu abracei, e por que não os futuros e futuras vento nortes, que poderão se inspirar nas nossas vivências e acreditarem em si. É tudo uma questão da nossa mente e a nossa vontade.”

Catiane Kugelmeier

A cidadezinha paranaense de Palotina não foi apenas a cidade natal da Raquel Canale, coincidentemente a Cat também nasceu nessa terrinha de mulheres fortes, mas foi criada em Terra Roxa.
“Fui uma menina do interior, criada em chácara, com 2 irmãos e 2 irmãs, sendo uma gêmea minha. Meus animais de estimação eram um tatu, um cágado (parecido com a tartaruga), uma ema, um porquinho da índia, cavalos e porcos.”
Quem olha a Cat ou acompanha seu insta se quer imagina que todas essas aventuras e experiências que nos fazem vibrar começou há pouquinho tempo. Para sermos mais exatos quando ela resolveu começar o curso de parapente aliado ao início de corridas, pedais e montanhas. Estava na base do Araçatuba, em um evento do Hilton e do Rafa, pela empresa deles, Alta Montanha, e justamente estavam encabeçando uma prova de hike’n fly. A Cat viu o parapente pela primeira vez ali. Até então era algo muito distante, coisa de novela nas palavras da Cat. Chegou em casa e começou a pesquisar escolas, conversar com um e com outro, até que chegou por aqui, com aqueles olhos azuis desconfiados, brilhantes e cheios de vontade de vivenciar novos desafios e encontrar mais liberdade que a cidade grande havia lhe “roubado”. A verdade é que o espírito da aventura sempre esteve na alma da Cat, o parapente só chacoalhou/resgatou/despertou/encontrou o que estava escondido, ou esquecido, ou adormecido em algum canto da sua infância.
Ela nunca quis morar em cidade grande, sempre gostou de mato, de vida simples na natureza, fazer os crochês, as comidas deliciosas que faz (estamos esperando nosso pãozinho e bolinho de banana. hehehe), e como ela diz, dos arranhões do mato, os roxos de uns tombos e as unhas encardidas das aventuras nas florestas e bosques.
“Por mais incrível que pareça e contraditório, eu vivi praticamente dez anos absorvida pelas rotinas urbanas e sem contato com a natureza. O voo fez com que eu retornasse bastante para esse sentimento do interior, de reviver o contato com a natureza, com as montanhas, com a terra, e me sujar. Isso é muito legal.”
Veio para Curitiba por conta da irmã gêmea, aos 24 anos. Conta que por algum tempo foi a sombra da irmã, que considera mais forte, e achava que deveria seguir os seus passos, mesmo sabendo no fundo da sua alma que não era o que queria para si. Com o tempo é que entendeu que não precisava ser assim. Hoje admira demais a irmã por todas as viagens que realiza e a vida que conquistou fora do país, e tem certeza que a irmã também a admira pela coragem, pelas conquistas e por todos os seus gostos pela natureza. Um apoio mútuo.

Considera que a família a super protegeu, por ser a mais estabanada, desastrada talvez, ela que diz isso, nós particularmente não achamos a Cat estabanada e precisamos escrever isso. rsrsrs. Essa super proteção gerou medos no seu dia-a-dia. Não se sentia com capacidade de fazer quase nada, achando que iria se machucar. Criou receios simples como subir em uma esteira e cair, e quem dirá das experiências mais radicais. Com o tempo, através das montanhas, das corridas, do voo, dos pedais e da academia, é que a superação e a confiança em si foram construídas. Vermos a Cat correndo pelos campos acidentados, cheios de obstáculos, fazendo travessias de 6 cumes em sete horas, escalando, decolando das montanhas, estampando no céu, realmente é uma grande alegria e um orgulho gigante pela superação dos seus medos que eram tão gigantes.
Desde que entrou no curso, pensava em participar de uma competição de hike’n fly, afinal de contas ela conheceu o parapente desta forma.
No começo do ano desenvolveu síndrome do pânico. Não sabe muito bem a razão, que pode ser a somatória de muito tempo em home office, isolada, sem contato com muitas pessoas, escolhendo horários com pouca movimentação de pessoas para tudo que iria fazer, como academia, desanimada com o trabalho, se comparando com o desenvolvimento fora da curva do Gabe (depois tocaremos mais profundamente nesse ponto), achando que não era boa em nada e entrando em uma bolha solitária. Chamou o Márcio para dizer que iria parar de voar. O Márcio recomendou que recomeçasse do zero e se ainda assim não acreditasse mais em si, que os medos e temores não seriam vencidos, ele não diria mais nada e ela poderia desistir ao menos com o sentimento de que tentou. Claro que a Cat tratou a síndrome do pânico com profissional capacitado da área, e venceu mais essa batalha.
“O Márcio sempre muito sábio e com os melhores conselhos. Enfrentei meus medos, fui mais gentil comigo, recebi o apoio da galera do voo. Tudo isso junto fez com que eu buscasse ficar melhor no esporte. Os treinos se tornaram mais intensos e a busca por conhecimento também. Estou muito, muito feliz em poder participar dessa competição e muito mais feliz em poder levar o nome da escola junto.”
O Gabe menciona pontos extremamente positivos dessa participação na competição. Através dela é que intensificaram as investidas nas montanhas, e isso expandiu bastante a vivência deles na natureza, além de ter sido inserido um “alfinete” de meta para ser atingida.

Gabriel Jansen

O Gabe tem apenas um ano e alguns meses de voo. Entrou na grande família Vento Norte através da Cat. A primeira vez que foi dar uma espiada nos treinos da escola não achou sentido nenhum no esporte. Bastava colocar o parapente no carro, levar para o topo da montanha, decolar, pousar, guardar no carro novamente, e só isso? Um esporte de preguiçoso? de gordinhos? (Quem diria que pouquíssimos meses depois já estaria colecionando grandes voos e falando do parapente apaixonadamente)
Demorou dias estudando a ideia se iria ou não ser piloto de parapente. Engenheiro, gestor de obras e é um aventureiro dos pés à cabeça. Na realidade vamos contar um segredo. A mente do Gabe, é a mente de um estrategista nato atrás das suas metas. Antes de entrar no curso ele já era escalador há 9 anos, já realizava grandes travessias nas montanhas e inclusive aos vinte anos já havia realizado um rolé solitário de bike de Curitiba até o Uruguai. Pasme, porque eu também! Você pode ler um pouquinho dessa saga no blog do Gabe, aqui.
Sim, um ponto fora da curva, e quando pedimos que não se comparem com ele, (aliás não se deve se comparar com ninguém) é um conselho valioso e honesto que falamos, pois ele é o nosso piloto com o desenvolvimento mais rápido. Absorve tudo em simples conexões, adota estratégias e tem a capacidade de se auto gerenciar de uma forma muitíssimo diferenciada. Claro que todas essas características lhe geram bons resultados e performances precoces, que muitos pilotos só alcançam depois de 5 ou até mesmo 10 anos dentro do voo livre, estudando, treinando e viajando. Mas o que mais se destaca no Gabe é a sua humanidade, alegria, bom humor, vontade de aprender, se descobrir, se reinventar e se aventurar entre natureza, pessoas e culturas. Tivemos uma sorte danada de termos sido escolhidos por ele, e assim podermos aprender tanto.
Vou transcrever um pouco da minha conversa com o Gabe sobre essa competição e a sua participação, e assim podermos aprender um pouquinho mais juntos. (Exclui as minhas perguntas).
As competições são locais que encontramos pessoas que compartilham pensamentos similares e podemos trocar experiências e evoluir tecnicamente. O H&F no Brasil está engatinhando e podermos fazer parte do desenvolvimento do esporte apoiando quem faz as competições e indo lá e se colocando nas situações nas quais as habilidades de vôo, navegação, aerologia, geografia, performance e conhecimento do corpo precisam trabalhar juntas, tudo isso tomando decisões seguras em um estado de alto esforço físico, é uma das minhas motivações em participar.
O tempo é limitado nos afazeres diários, então dividi o treinamento em treino de vôo e treino de hike, e quando a condição e o local de vôo permitiram, juntei os dois.
No nosso “ninho” podemos realizar treinos curtos e de alta intensidade(a inclinação média do Cal é em torno de 20%). Já os treinos na nossa serra são difíceis, pois o relevo é extremamente acidentado o que torna cada passo mais lento, porém o treino se torna mais efetivo em razão do esforço por km ser muito maior.
Nas competições de H&F tem trechos de trilhas, mas muitos trechos de estrada. Para quem está acostumado com raiz, buracos, florestas fechadas fica um passeio no parque nessa situação.
Os treinos na montanhas foram graduais. Aumentei a dificuldade e intensidade gradativamente e regularmente. Não é aconselhado treinar regularmente com peso,  pois a sobrecarga pode lesionar, por isso os focos dos treinos foram o  hiking e trail running com desnível positivo acentuado, pedal em subidas e alguns treinos com carga, normalmente aliados ao vôo.
A competição de H&F foi uma oportunidade que nos presenteou com muita motivação e aumento da vivência nas montanhas.
Ter uma meta e uma data de competição nos fez  tomar decisões mais fáceis de  programação e até sair em dias de chuva com o anorak para o treino. Para quem sabe o que quer fica mais fácil.  Se você não tem metas e desafios, se der 10 ou 100 passos não faz a diferença, pois te falta um objetivo para perseguir.
A partir do momento que você se comprometeu com algo, fica muito mais fácil dividir a meta maior em pequenos objetivos a serem cumpridos. Aí é que mora o segredo, você se torna seu próprio treinador.
As montanhas são lugares comprometidos. Não dá pra pedir pra sair. Começou tem que acabar, essa é a regra.
O importante é ir se conhecendo com desafios regulares e graduais, pois a segurança sempre vem em primeiro lugar. O restante é curtir e ir aprendendo com o melhor cenário possível.
O vôo em montanha seria o mesmo que voar em qualquer rampa estruturada, porém existem riscos adicionais pela dificuldade de acesso e qualquer suporte, portanto é um santuário para se encontrar consigo mesmo e se desafiar com muita maturidade e respeito.
A altimetria desta competição irá variar com o percurso e montanhas que cada piloto decidir subir para decolar. Quem irá mandar é o vôo, as pernas serão funcionárias do parapente.
O pessoal de Sampa e outras regiões tem uma cultura muito forte de caminhada e vôo, mais forte que a nossa. Não dá pra ganhar deles só na canela. Tem que ter estratégia e tomar boas decisões.
As paisagens durante a competição serão como as cerejinhas do bolo, e o foco que carregamos é no relevo, rota a seguir, o vento e os competidores, etc. Claro que durante os treinos as paisagens são o bolo, mas aqui a situação se inverte.
A condição não está das melhores, o vento está forte e entrando de Sul. Isso irá beneficiar quem se preparou fisicamente e estrategicamente.
A expectativa é se divertir, aprender e tomar boas decisões sob a pressão da competição.
E espetar o máximo de companheiros, é claro!
As descobertas não irão terminar depois da competição, o hike’n fly é um estilo de vida.
O parapente por aí, solitário e único não é muito pra quem está acostumado com endorfina na veia, mas com o hike se torna uma combinação perfeita pra cuidar da mente e do corpo.
E o Shurastey mandou uma inspiração para finalizarmos esse artigo, Ni:
“Os dias vão passando e você não se dá conta de que está perdendo a melhor fase da sua vida, a fase em que você esta vivo. É fácil definir o que você iria fazer da sua vida caso tivesse certeza da data da sua morte! Uns iriam beber até entrar em coma se lamentando por não terem feito nada de que se orgulham, outros iriam querer viver em dias o que tiveram anos para viver, alguns iriam recorrer as suas crenças e se agarrar ainda mais a sua fé!
Mas a certeza é que todo mundo iria fazer algo diferente do que tinha programado para amanhã, ninguém iria seguir a agenda e os compromissos…
É doido pensar no amanhã como sendo o seu último dia, mas e se fosse, o que você faria hoje?”
Gabe Janssen para todos(as).
É gente, como escreveu Maria Bopp, na entrevista sobre a nova audioserie Batman Despertar. “Na ausência de super-herói com super-respostas, cabe a nós sonhar (e noticiar, é claro) as possibilidades de encontros e resoluções que conseguirmos criar juntos.”
E como a jornalista Helena Galante finaliza um editorial: “Num mundo com ainda tão poucos lugares para sermos quem somos, por inteiro, todas as histórias que vem do coração e com emoção, nos aponta o caminho a ser seguido. Para abraçar quem você é para ampliar o que o mundo pode ser. Um clã de transformações positivas.”
Somos profundamente gratos à todos que participaram do patrocínio das meninas, as meninas que compraram as rifas apoiando as duas, somos extremamente gratos pelo Gabe estar junto nessa aventura, e somos extremamente orgulhosos dessas histórias que nos motivam a continuar o nosso trabalho, com amor e dedicação. É isso que nos impulsiona. Agradeço demais a generosidade dos três em me permitirem contar as suas histórias, seus segredos, seus desafios para outras pessoas. Se tivéssemos tempo, certamente nos aprofundaríamos em tantos outros assuntos que vocês tem para compartilhar.
Estamos na torcida por vocês, vibrando a cada superação. Saibam que não nos importamos com os primeiros lugares, porque já são vencedores e já somos orgulhosos da jornada de vocês. O que nos interessa é que se divirtam, que voem seguros, que se superem, que sigam respeitando os limites de vocês e da natureza, que façam grandes amizades, que riam bastante e que voltem cheios de histórias para nos contar, e o mais importante, que sejam felizes, porque no final de tudo, é só isso que verdadeiramente importa. Aproveitem!
Um namastê para essa galera fantástica que ajudou a realização das meninas:
Vento Norte R$500,00
Jean Carlo Toneli R$200,00
Marcelo de Freitas R$200,00
Edivan Luis Vier R$150,00
Silco Reis Seixas Me R$150,00
Adriana Regina de Oliveira R$100,00
Alexandre Raymundo da Silva R$100,00
Daianny Mores R$100,00
Fabiano Cordeiro R$100,00
Lucia Wanderley do Carmo R$100,00
Mauro Luiz Gomes dos Santos R$100,00
Miguel Zavilinsk Neto R$100,00
Rafaela Antunes Fortunato R$100,00
Vanderley Abrantes Sarmento R$100,00
Wellington Jose D Furtado R$100,00
Wilson da Silva R$100,00
Alvaro Guilherme R$50,00
Amanda Lima Silveira R$50,00
Gabriel Jansen Rabello R$50,00
Totalizando o valor de R$ 2.450,00.
Ao Vanderley que agilizou as passagens aéreas das 3 (da Raquel para a etapa de agosto também), com um desconto que tornou possível tudo isso.
Esses valores foram integralmente utilizados da seguinte forma:
Gastos
R$ 165,00
Passagem 1° Etapa Cati e Carol – Azul Amigo (Vanderley)
R$ 600,00
Inscrição 1° Etapa Cati e Carol
R$ 600,00
Hospedagem 1° Etapa Cati e Carol (4 diárias Hotel Casarão)
R$ 263,70
Demais despesas translado Carol e Cati
R$ 47,00 Rifa digital (falta atualizar)
R$ 774,30
Passagem 2° Etapa Raquel
As meninas do grupo Voe Guria que compraram as rifas do sorteio que irá ocorrer assim que as 2 tiverem tempo para se dedicar a isso. (pós etapa) Se alguém ainda quer comprar nos avisem!
Um namastê para todos vocês, no sentido real; “o Deus que habita no meu coração, saúda o Deus que habita no seu coração”. Um grande sentimento de respeito na palavra namastê, que invoca a percepção de que todos indivíduos compartilham da mesma essência, da mesma energia, do mesmo universo, portanto o termo e a ação possuem uma força pacificadora muito intensa.
E por enquanto ficamos por aqui, desejando bons, longos, seguros e divertidos voos, em terra e em céu.

Saudações aéreas de toda tripulação Vento Norte Paraglider, amigos e familiares.

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