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Uma interpretação do mito grego

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Dédalo e Ícaro: o mito que ensinou o homem a sonhar com o céu

Desde os tempos antigos, o homem sonha em voar. Não apenas com o corpo, mas com a alma.
O mito de Dédalo e Ícaro, um dos mais belos e trágicos da mitologia grega, fala sobre isso, sobre criação, liberdade, ousadia, perda e transcendência. E talvez por isso ele ainda ecoe entre nós, que lidamos com o vento, o risco e o desejo de estar mais perto do céu.

Dédalo - Artesão

O Artesão e o Aprendiz

Em Atenas, Dédalo era um artesão e engenheiro célebre.¹ Suas estátuas pareciam respirar; seus templos, erguidos em linhas tão harmoniosas, pareciam ter sido inspirados diretamente pelos deuses. Sua fama atravessava o mar Egeu, reis poderosos desejavam suas esculturas, e príncipes disputavam sua presença nas cortes.
Com tantas encomendas, Dédalo já não dava conta de todas as mãos que o procuravam. Decidiu então acolher um aprendiz em sua oficina, seu jovem sobrinho Talos, filho de sua irmã Perdix.² O rapaz mostrava uma mente inquieta e criadora: aprendia rápido, experimentava, inventava. Observando as espinhas de um peixe, criou o serrote; ao brincar com linhas e círculos, concebeu o compasso; e, segundo versões posteriores, aperfeiçoou o torno de oleiro, símbolo do ciclo da criação.³
Cada invenção encantava Atenas. Os atenienses, que antes veneravam Dédalo, começaram a se maravilhar com o novo talento.
A glória do mestre, aos poucos, se tornava sombra diante do brilho do discípulo. E o que antes era orgulho se transformou em inveja, essa doença silenciosa do espírito que paralisa até os gênios. A inveja de Dédalo cresceu como hera que sufoca a árvore.
Um dia, o mestre o chamou para um passeio até o templo de Atena, erguido no alto de um penhasco.⁴ Talos, sem suspeitar, caminhava ao lado do tio, curioso, leve, até que, num instante sombrio, Dédalo o empurrou. Mas a deusa Atena, patrona das artes e da sabedoria, assistiu à cena. Antes que o jovem tocasse o solo, transformou-o em perdiz, salvando-lhe a alma e revelando o crime.⁵
Assustado, Dédalo recolheu o corpo ou o que restava dele, o símbolo da queda de sua própria consciência e voltou à cidade, tremendo. Tentou disfarçar o nervosismo dizendo ter matado uma serpente, mas as manchas vermelhas nas mãos e o olhar perturbado o denunciaram. O povo começou a suspeitar; os rumores cresceram como fogo no vento.
Dédalo foi levado ao tribunal do Areópago, julgado por assassinato, e condenado ao exílio.⁶ Enquanto era conduzido ao cárcere, a perdiz sobrevoava o céu de Atenas, não como vingança, mas como lembrete. Atena havia feito justiça: o homem que dera vida ao bronze agora aprenderia o peso da culpa em carne viva.
💡 Comentário de contexto
Este primeiro episódio é o embrião moral de toda a tragédia. Dédalo, símbolo do gênio humano, encarna o conflito entre o desejo de criar e o medo de ser superado. É o retrato do ego criador: o homem que confunde talento com poder e dom com vaidade.
A inveja, que nasce do orgulho ferido,
é a semente de sua queda, a prisão invisível que o afastará de si mesmo. É o primeiro labirinto: o labirinto interior.
O mito mostra que o verdadeiro perigo do talento não está no fracasso, mas na comparação. Quando o criador se deixa consumir pela inveja, ele deixa de criar e passa a destruir.
A transformação de Talos em perdiz é, portanto, mais do que um milagre: é uma lição de limite e redenção. Atena intervém não para punir Dédalo, mas para ensinar-lhe que o dom sem virtude é apenas vaidade.
E o exílio que se segue é o símbolo da jornada de todo ser humano que precisa reaprender a criar com o coração, e não com o ego.

A Liberdade Perdida

Alguns dias após a condenação, Dédalo fugiu de Atenas e partiu rumo à ilha de Creta, onde sua fama de escultor e inventor já o precedia.⁷
O rei Minos, ao saber da chegada do artista, recebeu-o com honras de Estado, acolhendo-o sob sua proteção. A benevolência tinha preço: Dédalo deveria dedicar-se inteiramente aos desejos do soberano, trabalhando apenas para o palácio real. Mais uma vez, o homem que sonhava com liberdade viu-se prisioneiro, não por correntes, mas pelos caprichos de um rei. Se em Atenas o cativeiro fora a inveja, em Creta seria o poder.
Foi então que a rainha Pasífae, esposa de Minos, foi tomada por uma paixão antinatural. Poseidon, irritado com o rei por não ter sacrificado o touro que lhe fora enviado em oferenda, lançou sobre Pasífae um feitiço terrível: ela apaixonou-se pelo próprio animal.⁸
Dédalo atendendo aos desejos da esposa e filhas de Rei Minos
Desesperada, a rainha procurou Dédalo e suplicou-lhe que criasse algo que a ajudasse a consumar o desejo sem ser descoberta. O artista, obediente ou talvez movido pela curiosidade que acompanha todos os criadores, construiu uma novilha de madeira, oca por dentro e revestida com couro verdadeiro, para que a rainha pudesse ocultar-se em seu interior.⁹ Dessa união nasceu o Minotauro, criatura de corpo humano e cabeça de touro, símbolo da desmedida e do instinto cego que foge à razão.
A vergonha do acontecimento abalou o reino. Para ocultar o fruto da desrazão e esconder o monstro dos olhos do mundo, o rei Minos ordenou que Dédalo construísse uma prisão impossível de escapar: o Labirinto.¹⁰
O artista trabalhou dia e noite. Criou um emaranhado de corredores, becos e voltas que confundiam até o olhar dos deuses. Foi sua maior obra e também sua maldição. Cada pedra colocada, cada curva traçada, parecia fechar mais uma porta dentro de si mesmo.
O homem que um dia dera asas à imaginação agora edificava um cárcere, não apenas para o monstro, mas para o seu próprio espírito criador.
💡 Comentário de contexto:
Esse trecho do mito representa o ponto em que Dédalo passa de criador livre a servidor da própria genialidade.
Ele obedece, cria maravilhas, mas começa a compreender que cada invenção pode se tornar uma prisão quando não nasce de um desejo autêntico. Aqui, o mito grego já introduz a moral do equilíbrio, a métrica humana entre o engenho e o limite.

A Tragédia do Labirinto do Minotauro

Aprisionado no Labirinto, o Minotauro revelou-se uma fera insaciável, que exigia ser alimentada com carne humana.
O rei Minos, após subjugar Atenas, impôs um tributo cruel ao rei Egeu: a cada nove anos, ou segundo outros dizem, a cada ano, sete rapazes e sete moças deveriam ser enviados a Creta como oferenda ao monstro.¹¹ A cidade se cobria de luto a cada embarque.
Um dia, o jovem Teseu, príncipe ateniense e filho de Egeu, decidiu romper o ciclo da vergonha. Voluntariou-se para integrar o grupo dos sacrificados, não por resignação, mas por coragem. Queria matar o monstro e libertar Atenas.
obra de maestro dei cassoni campana
O labirinto do Minotauro, onde o mito de Teseu e Minotauro se encontram com o mito de Dédalo e Ícaro.
Em Creta, sua bravura atraiu a atenção da princesa Ariadne, filha de Minos e Pasífae. Apaixonada, ela lhe ofereceu a arma mais poderosa contra o Labirinto: um novelo de lã.¹² Com ele, Teseu desenrolaria o fio à medida que avançasse, para encontrar o caminho de volta. Guiado pelo amor e pela astúcia, penetrou o labirinto, enfrentou o Minotauro e o matou. O som de sua respiração misturou-se ao silêncio das paredes e o monstro que devorava homens foi vencido pelo homem que aprendeu a dominar o medo. Teseu saiu do labirinto, seguiu o fio até a porta, onde Ariadne o esperava. Os dois fugiram juntos, apaixonados, rumo ao mar.
O triunfo dos amantes seria o início de outra tragédia, o tipo de ironia que os gregos dominavam tão bem. Minos, devastado pela morte do monstro e pela fuga da filha, culpou Dédalo por tudo: pela invenção que tornara a fuga possível, pela traição, pelo caos que agora se espalhava sobre Creta.
O castigo foi simbólico e cruel: Dédalo e seu filho Ícaro foram trancados no próprio Labirinto.¹³ O criador tornava-se prisioneiro de sua criação, o arquiteto do cárcere que o engoliria. E assim o mito se dobra sobre si mesmo, como o próprio labirinto: a mente que cria demais acaba se perdendo naquilo que inventa.
💡 Comentário de contexto:
Esse é o ponto de virada do mito: o criador é punido não pela sua técnica, mas pelo destino que ela permite. O labirinto, antes um feito de engenhosidade, se torna uma metáfora da mente humana quando perde o equilíbrio entre a razão e o desejo.
Perde a liberdade e torna-se literalmente o arquiteto de sua própria cela.
E o fio de Ariadne, o mesmo que salva Teseu, é, no fundo, a imagem da consciência: o caminho de volta que todo ser humano precisa encontrar dentro de si.

O Voo de Dédalo e a Queda de Ícaro

No silêncio do labirinto, Dédalo e Ícaro sobreviviam colhendo raízes e plantas que cresciam nas margens dos pequenos rios que o próprio arquiteto fizera correr ali dentro, para aliviar o tédio do confinamento.
À noite, Dédalo olhava as paredes de pedra e observava o céu que se abria acima, o único caminho de liberdade ainda não bloqueado. E foi então que lhe veio a ideia: se os deuses lhes haviam negado a fuga pela terra, ele buscaria a saída pelo ar.¹⁴
Começou a recolher as penas que caíam das aves que cruzavam o alto das muralhas. Ao lado do filho, juntava-as cuidadosamente, separando-as por tamanho, costurando-as com fios de linho e selando-as com cera derretida. Durante semanas, trabalharam em silêncio, transformando paciência em forma e esperança em asas.
Quando o projeto ficou pronto, havia quatro asas perfeitas. Com tiras de couro, Dédalo prendeu duas ao corpo do filho e duas a si mesmo. Antes de partir, testou o equilíbrio, ajustou as articulações e, com a calma de um mestre e o amor de um pai, ensinou Ícaro a voar.

Então, dirigiu-lhe palavras que atravessariam os séculos:
“Filho, lembra-te de que a liberdade não é ausência de limite.
Voe entre o mar e o sol:
se voar baixo demais, o mar umedecerá as penas e te arrastará de volta à servidão;
se voar alto demais, o sol derreterá a cera e a tua ousadia se tornará queda.
A liberdade existe no meio, onde o homem aprende a sustentar-se com sabedoria.
Que teu voo seja leve, mas que tua alma seja atenta.”¹⁵
“Inter utrumque vola: nec te spectare Booten
aut Helicen iubeo, strictumque Orionis ensem;
me duce carpe viam!” (Voa entre os dois extremos. Não olhes para Bootes, nem para a Ursa, nem para a espada de Orion.
Segue o caminho que eu te indico.)

Ovídio, Metamorfoses VIII, 203–206
Ditos os conselhos, saltaram. E pela primeira vez na história, o homem voou.
O vento os embalava. O horizonte se abria em espiral. O céu da Grécia os recebia como se fosse uma extensão do sonho.
O pai seguia à frente, firme, orientando o filho. Mas Ícaro, tomado pela beleza infinita e pela embriaguez do voo, começou a subir. Subia, subia, como se a própria luz o chamasse pelo nome.
O pai gritava, mas o som se perdia no vento. Os raios do sol aqueceram as penas, a cera começou a amolecer, e o milagre se desfez em fragmentos brancos que caíam como neve sobre o mar.¹⁶
Ícaro sentiu o corpo perder leveza e caiu.
O mar o recebeu em silêncio.
Dédalo e Ícaro sobrevoando a Grécia.
Durante horas, Dédalo sobrevoou a região, gritando o nome do filho. No horizonte, apenas pedaços de asas brancas flutuavam, se perdendo na distância. Dédalo desceu em desespero, buscando-o entre as ondas. O jovem havia se afogado no sonho eterno do homem que quis voar como os deuses. Dédalo tomou-o nos braços e o carregou terra adentro.
Buscou um lugar para enterrá-lo, entre arbustos e rochedos, enquanto os habitantes da ilha o observavam, comovidos pela dor do homem que havia desafiado o céu. O sepultou na ilha que, desde então, passou a chamar-se Icária.¹⁷
Ao erguer os olhos, Dédalo viu uma perdiz planando sobre sua cabeça.
Reconheceu nela o espírito de Talos, o sobrinho que um dia matara por inveja.
Era como se o destino fechasse o círculo, a vida devolvendo ao criador, com precisão divina, o peso de seus próprios atos. Dédalo amaldiçoou a ave, mas no fundo compreendeu o aviso: ninguém voa impunemente sobre as próprias culpas.¹⁸
O mito se fechava sobre si mesmo, como o ciclo das asas: o criador, o discípulo e o filho, todos em voo, todos em queda.
Escultura Dédalo e Ícaro, de Rebeca Matte.
💡 Comentário de contexto
Aqui o mito atinge seu ponto mais alto, literal e simbólico.
O voo de Dédalo e Ícaro não é apenas o sonho do homem de escapar da terra; é a imagem da tensão entre desejo e sabedoria.
Dédalo representa a mente que cria com consciência; Ícaro, o coração que se lança sem medir.
O pai é a razão que aprendeu a respeitar o limite. 
Seu voo é perfeito, disciplinado, ponderado.
É o voo de quem aprendeu que, entre o céu e o mar, existe um espaço onde o humano pode habitar: o equilíbrio.
O filho é o impulso que não sabe o que é o limite. É o ímpeto puro, a inocência sonhadora que confunde liberdade com ausência de limite. Não é vaidoso, é impulsivo e é isso que o torna trágico. Ícaro não cai por maldade, mas por ser humano demais.
Quando Ícaro despenca, não sente dor, está asfixiado pela própria liberdade.
Sua queda não é apenas física, mas simbólica: morre afogado no próprio sonho, como todos os que confundem o voo com a fuga.
O voo, portanto, é o espelho da condição humana: todo desejo de liberdade traz dentro de si a possibilidade da queda.
E os gregos, com sua sabedoria silenciosa, nunca viram a queda de Ícaro como punição, mas como revelação, o instante em que o homem descobre até onde pode ir sem deixar de ser humano.

A última travessia de Dédalo

Partindo em um barco, o velho artesão navegou até a Sicília, onde foi acolhido pelo rei Cócalo.¹⁹
Recebido com honras, Dédalo foi tratado como um hóspede ilustre, mas sua alma permanecia em luto perene.
Já não sentia inveja, nem orgulho, nem vaidade, apenas um vazio silencioso.
Continuava a criar, mas agora sem ambição. Suas obras não lhe pertenciam mais; eram apenas gestos automáticos de um homem que já havia visto demais.
Tempos depois, o rei Minos, obstinado em caçar o fugitivo, desembarcou na Sicília. O Rei Cócalo, fingindo hospitalidade, convidou-o para um banho quente e um banquete. Minos mergulhou na água morna e fechou os olhos. Mas o vapor se tornou fogo, e o rei morreu sufocado pelos vapores ferventes, vítima da própria obstinação.²⁰
Com a morte de Minos, Dédalo finalmente estava livre, mas a liberdade já não fazia sentido.
O homem que um dia quis tocar o céu agora caminhava devagar pela terra, sem pressa, sem vaidade.
Anos depois, muito velho, cercado de aprendizes, ensinou o que sabia até o último dia. Quando a morte chegou, bastou-lhe um sopro. Não precisou de asas.²¹
E dizem que, naquele instante, o vento soprou sobre as ilhas do mar Egeu com uma suavidade incomum, como se, em algum lugar entre o céu e a terra, Dédalo finalmente tivesse encontrado o equilíbrio que tanto buscou.

💡 Comentário de contexto
Este é o canto final do mito, onde a tragédia se dissolve em reflexão.
Dédalo, o homem que quis libertar o corpo, termina libertando a alma.
A inveja que o moveu, a genialidade que o aprisionou e a dor que o amadureceu convergem para a serenidade final: a sabedoria grega do limite.
Os deuses não castigam Dédalo; apenas o conduzem ao aprendizado inevitável, a percepção de que toda criação verdadeira exige amadurecimento.
E Ícaro, em sua breve chama, revela o que os gregos chamavam de hybris: o excesso humano, a ousadia que ultrapassa o limite e traz, pela dor, a consciência.
O mito se fecha, mas deixa uma semente eterna: a ideia de que o sonho de voar não morre com quem cai, ele apenas muda de corpo, de asas em invenções, de altura em pensamento, de mito em arte.

O mito e o espelho do homem

O mito de Dédalo e Ícaro atravessou os séculos como uma dessas histórias que não envelhecem, apenas mudam de roupa.
Inspira artistas, escultores, músicos, poetas, engenheiros e sonhadores. E, como Ícaro, aceitaram o risco de cair, porque sabiam que o medo nunca inventou nada.
Está em quadros renascentistas, em versos de Ovídio, em projetos de Leonardo da Vinci, nas invenções de Santos Dumont, nas asas dos pilotos, nas músicas do Iron Maiden e nos festivais que celebram o voo, como a Coupe Icare, na França.
Pai (Dédalo) e filho (Ícaro) representam, juntos, as limitações e as potências humanas ,o peso e o impulso, o cálculo e o sonho. Um é o engenho da mente (as duras penas); o outro, o incêndio da alma. 
The Flight of Daedalus and Icarus Show the inventor and his son escaping Crete with wings of wax and feathers

A moral dos ventos

Para os gregos o  mito não era apenas uma fábula moral, mas um espelho do mundo interior, nunca contaram histórias para entreter, contavam para lembrar do autoconhecimento. Cada personagem carrega uma parte da alma humana, e o mito só se cumpre quando conseguimos enxergar seus reflexos neles e a compreender o peso das próprias asas.

E talvez seja por isso que, séculos depois, ainda nos emocionamos ao olhar o céu.
Porque em cada voo, real ou simbólico, ainda há algo de Dédalo, a mente que cria,e algo de Ícaro, o coração que se lança.

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Nota histórica sobre a origem do mito de Dédalo e Ícaro

O mito é uma herança com mais de três mil anos, nascida em Creta, amadurecida em Atenas e eternizada em Roma.

Nasceu na Grécia pré-homérica, entre os séculos XIV e XII a.C., provavelmente inspirado nos antigos cultos cretenses dedicados à inteligência humana e ao engenho técnico, traços que, mais tarde, seriam personificados nos deuses artífices, como Hefesto.

A primeira menção literária a Dédalo aparece em Homero, na Ilíada (c. 750 a.C.), quando o poeta descreve “o labirinto que Dédalo construiu para Ariadne em Cnossos”. A partir daí, o mito foi ganhando corpo:

  • Hesíodo (séc. VII a.C.) associou Dédalo à metis, a sabedoria prática e criadora;

  • Apolodoro e Higino (sécs. II–I a.C.) organizaram suas versões completas, já unindo o labirinto, o voo e a queda;

  • e Ovídio, em Metamorfoses VIII (séc. I a.C.), deu ao mito a forma poética e moral que atravessou os séculos.

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Numerações do artigo

  1. Dédalo é descrito por Apolodoro (Biblioteca III, 15, 8) e Pausânias como o maior escultor e inventor de Atenas.
  2. Talos (ou Perdix) é filho da irmã de Dédalo; as fontes variam quanto ao nome da mãe — Perdix, Polycaste ou Phrasmede.
  3. Ovídio, Metamorfoses VIII, 255–259, relata a invenção do serrote inspirada na espinha de um peixe e a criação do compasso.
  4. O torno de oleiro não aparece nas fontes clássicas, mas em versões tardias e pedagógicas do mito.
  5. O episódio do penhasco aparece em Apolodoro, Biblioteca III, 15, 8.
  6. A transformação em perdiz é narrada por Ovídio, Metamorfoses VIII, 255–259.
  7. O julgamento de Dédalo pelo Areópago (tribunal ateniense) é citado em versões posteriores, associando o mito à ideia de purificação e exílio.
  8. Apolodoro, Biblioteca III, 15, 9 — descreve a fuga de Dédalo e seu acolhimento em Creta sob a proteção de Minos.
  9. Biblioteca III, 15, 9 — Pasífae, filha de Hélio (o Sol), é castigada por Poseidon, que a faz apaixonar-se pelo touro branco que deveria ser sacrificado.
  10. Ovídio, Metamorfoses VIII; Higino, Fábulas 40 — Dédalo constrói uma vaca de madeira oca revestida com couro para Pasífae. A ideia de “armadura” é uma interpretação moderna, sem base clássica.
  11. Apolodoro, Biblioteca III, 15, 9-10 — o Labirinto é descrito como uma obra monumental, impossível de decifrar. Tornou-se símbolo da engenhosidade de Dédalo e da confusão interior do homem.
  12. Apolodoro, Biblioteca III, 15, 8–9 — descreve o tributo de sete rapazes e sete moças exigido por Minos a Atenas, em punição por ter perdido o filho Androgeu.
  13. Plutarco, Vida de Teseu, e Catulo, Carmen LXIV, narram a ajuda de Ariadne e o uso do novelo de lã.
  14. Higino, Fábulas 40 — Dédalo é aprisionado com o filho Ícaro no próprio labirinto.
  15. Ovídio, Metamorfoses VIII, 183–235 — descreve a invenção das asas por Dédalo e o uso de cera e linho para uni-las.
  16. A advertência de Dédalo, registrada em Ovídio e Higino, simboliza a sophrosyne (σοφροσύνη), a virtude grega da moderação. É uma das falas mais citadas da mitologia clássica.
  17. Ovídio, Metamorfoses VIII, 235–259 — a cera derrete sob o sol e Ícaro cai no mar.
  18. Estrabão e Plínio o Velho mencionam a origem do nome da ilha Icária, onde Dédalo teria enterrado o filho.
  19. A aparição da perdiz após a queda é simbólica: Ovídio a apresenta como Talos (ou Perdix), relembrando o crime original de Dédalo e o retorno da consciência.
  20. Estrabão e Plínio, História Natural IV, 12 — mencionam a origem do nome do arquipélago de Icária, associado às penas de Ícaro.
  21. Ovídio, Metamorfoses VIII, 255–259 — descreve a aparição da perdiz, identificada como Talos (ou Perdix), sobrinho de Dédalo.
  22. Apolodoro, Biblioteca III, 15, 9 — narra a fuga de Dédalo para a Sicília e seu acolhimento por Cócalo.
  23. Higino, Fábulas 40 — relata a morte de Minos, escaldado pelas filhas de Cócalo durante o banho.
  24. O fim de Dédalo não é registrado nas fontes antigas, mas as tradições posteriores (como as de Pausânias e Diodoro da Sicília) o descrevem morrendo velho e tranquilo, símbolo da redenção pela arte e pela sabedoria.

Aprendendo a voar – Aulas Práticas

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A diversão começa com diferentes exercícios técnicos que juntos proporcionam condições de aprendizado e consolidam os alicerces da segurança ativa no esporte.

As aulas práticas do curso de parapente ocorrem nas regiões de Campo Largo e Campo Magro, conforme o quadrante de vento no dia da aula.
Essas aulas são chamadas de treinamentos e/ou controle de solo e são realizadas em um gramado cujo o terreno contém áreas planas e plano inclinadas e que permite a realização de pequenos voos desde o primeiro dia de aula. Esses locais de treinamento são denominados nacionalmente de morrote, morrinho, barranco, barranquinho ou escolinha.

Em nosso novo site você pode conferir todos os detalhes do curso de parapente, o processo de aprendizado e como funciona a programação da Vento Norte Paraglider.

Acesse os artigos do novo site e confira os detalhes:

Mata Atlântica EcoFestival 2024

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Com o fim de agosto, encerramos as Olimpíadas de Paris e o querido Mata Atlântica Eco Festival 2024, marcado pelo desafiador Hike and Fly no Pico do Araçatuba.

Se o lendário romano Júlio César tivesse subido o Pico do Araçatuba, ele certamente diria: “Veni, vidi, vici. (eu vim, eu vi e eu venci).”

A terceira edição do Hike and Fly Mata Atlântica Eco Festival deixou lembranças profundas em nossos corações. Muitos enfrentaram pela primeira vez uma montanha da Serra do Mar, carregando seus equipamentos de voo pelos belíssimos campos do Araçatuba e respeitando o santuário sagrado que é a natureza. Este evento foi mais do que uma competição; foi uma celebração de superações, desafios, amizade, aprendizados, respeito e conexão com o ambiente e com os outros.

O evento também foi importante porque oportunizou que os pilotos pudessem praticar o hike and fly no Araçatuba, um sonho de tantos que visam se envolver na modalidade, e esse foi um dos nossos principais objetivos nessa edição tão especial que uniu os atletas do voo livre com os montanhistas, regressando às raízes do nosso esporte. Todos conquistaram a si mesmos nessa jornada, reafirmando a essência do espírito de aventura e superação.

Galera descansando na trilha do Morro Araçatuba. Hike and Fly

Um toque histórico para o artigo de hoje.

Simplesmente porque julho e agosto foram concluídos extraordinariamente bem por aqui, e claro, todos nós merecemos uma pitada de curiosidades.

Há séculos, “Vim, vi e venci” é atribuída ao ilustre general romano Júlio César (Caius Iulius Caesar – 47 a.C.), um dos maiores estrategistas da história. Além de conquistar terras e viver um romance lendário com a grande faraó Cleópatra, César deixou sua marca no calendário que usamos até hoje. Ele foi responsável por reformá-lo para os 365 dias do ano e deu o nome ao mês de julho em sua própria homenagem.

Mas não confunda julho com agosto — ou melhor, Júlio com Augusto (Gaius Julius Caesar Octavianus Augustus), sobrinho e sucessor de Júlio, que também nomeou um mês em sua própria honra: agosto e se apoderou do nome do tio afim de associar sua identidade com o prestígio, o poder e as conquistas de Júlio César, e portanto também é chamado de César. Diferentemente dos Targaryen (Casa do Dragão), eles não foram numerados como Aegon I, II, ou III. Talvez porque não podiam prever as tramas que o destino lhes reservava—tramas tão complexas e dramáticas que poderiam ter saído diretamente da mente de George R.R. Martin. Ao contrário do tio, Augustus não se encantou por Cleópatra, deu fim à vida dos herdeiros que ela teve com Júlio, e teria feito o mesmo com ela, se Cleópatra não tivesse sido esperta o suficiente para se antecipar e tirar a própria vida. Dessa forma, Augusto pôs um fim definitivo e histórico à dinastia dos faraós no Egito. O que se seguiu não foi drama nem trama, mas um legado de estabilidade: Augusto é também o responsável pelo início da Pax Romana, um período de 200 anos de paz. Seu nome permanece ao lado do de seu tio e de outros grandes líderes entre os maiores estrategistas da história. Ele também é o culpado pelo mês de fevereiro ter apenas 28 dias, isso porque não queria ficar atrás do tio (o Júlio), e raptou um dia de fevereiro para jogá-lo no mês de agosto. A frase mais famosa do seu império? “Dê a César o que é de César.”

Sem mais delongas históricas. O fato é que o mês de agosto sempre reserva histórias, e por aqui todos viveram e sobreviveram com louvor. Muitos pilotos participaram do hike and fly no Morro do Araçatuba, outros ainda encararam o trail day no Canal Aventura e sem falar na mega revoada no Morro do Anhangava. Foram, viram e venceram, (não leram o bilhete), e entregaram a agosto o que é de agosto. O Mata Atlântica Eco Festival!

Dever cumprido, que venham 200 anos de paz para a natureza!

Ô tristeza. Que a verdade seja dita. A luta pela conservação e proteção da natureza é incessante e desafiadora, muitas vezes com mais derrotas do que vitórias. Vencer uma batalha não significa vencer a “guerra”. O Mata Atlântica EcoFestival é um evento que busca sensibilizar sobre temas cruciais, como conservação e inclusão, através da aventura, arte e cinema. É por isso que ele é tão querido e especial para nós, mas é apenas uma pequena parte de um esforço colossal da sociedade para conscientizar sobre a importância de proteger o meio ambiente para o nosso bem-estar.

Há muito o que compartilhar sobre o MAEF 2024, e farei isso em etapas para não me alongar mais do que já me alonguei. Quem sabe um dia possamos ter 200 anos sem incêndios florestais criminosos que prejudicam nossa flora e fauna, entre tantos outros avanços.

Aproveitando que agosto também celebra o Dia Internacional da Igualdade Feminina, e a mulherada arrasou na terceira edição do Hike and Fly Mata Atlântica EcoFestival 2024, temos uma notícia empolgante para compartilhar: estamos abrindo uma turma exclusivamente para mulheres, a primeira do país! 🎉✈️

Isso não foi por acaso. Aconteceu que cinco mulheres incríveis decidiram aprender a voar conosco e logo perceberam que na Vento Norte Paraglider nosso grupo de mulheres é grande e vibrante. Elas começaram a se movimentar para atrair novas aventureiras para o nosso grupo com a ideia de que a turma delas seja exclusivamente de mulheres.

E tem mais: nossa primeira aluna, que se formou há 20 anos e depois pilotou um dos cinco maiores aviões do mundo, virou escritora e artista, ficou tão empolgada com a movimentação, além de estar emocionada com as Olimpíadas de Paris, que nos enviou um super texto que não dá para deixar só nos grupinhos. Confira:

Em uma Olimpíada marcada pela igualdade de gênero, quem brilha? Nós, mulheres! Das 20 medalhas conquistadas pelo Brasil, 12 foram nossas. E no lugar mais alto do pódio, só mulheres subiram! Nossos risonhos campos estão cada vez mais floridos!

Esse cenário revela o motivo pelo qual o sexo feminino foi tão reprimido: para esconder a força e o poder que possuímos. Na Vento Norte Paraglider, nossos avanços vão além das alturas e refletem o desenvolvimento social, pois para evoluir como sociedade, é essencial cultivar o respeito por todos. Estão abrindo a PRIMEIRA TURMA EXCLUSIVA DE MULHERES, cheirosa, inteligente, gostosa e poderosa!

Dando voz a quem precisa ser ouvido, respeitando nossas diferenças e aprimorando nossas habilidades em um espaço só nosso. Aqui, além de fazer história, encontramos acolhimento e, sem soltar a mão de ninguém, nos lançamos nessa aventura que é voar.

Realizar sonhos!

Sou Nana Araujo, a primeira aluna mulher da Vento Norte. Buscando realizar um sonho, encontrei um lugar que trouxe à minha vida muito mais do que a incrível sensação de voar. Envolvi-me em um universo particular, conectei-me com pessoas e descobri afinidades. O voo livre me libertou, apresentou novas experiências e acolheu meus medos e inseguranças.

Me ensinaram a voar, não apenas com o parapente. Encontrei uma família, um lugar de afeto, que sempre esteve ao meu lado ao longo desses quase 20 anos, apoiando-me em cada fase da minha vida.

Esse é o objetivo da Vento Norte: ir além do esporte, alimentar um estilo de vida para aqueles que desejam saborear a vida plenamente. Para viver é preciso coragem! Então, apertem os cintos, porque a pilota agora é você!

Nana Araújo

Lemos esse texto, e na hora entendemos! É um depoimento, é um convite, é algo simplesmente dizendo o que recebi hoje mesmo da Esc. Escola Criativa:

Em setembro a sua vida vai mudar para sempre, mas você precisa fazer uma forcinha por aí!

Setembro está chegando e, com ele, alguns desafios empolgantes que estamos prontos para enfrentar. O convite é para que você se junte a nós no front dos voos: realizar voos divertidos, seguros e inesquecíveis, tanto em terra quanto no ar!

Confere os cursos e as datas, basta clicar  na  imagem  abaixo.cursos de parapente

Porque vai por nós, se você agarrar qualquer uma dessas oportunidades, em setembro a sua vida vai mudar para sempre!

Bons, longos e seguros voos!

Tripulação Vento Norte Paraglider

As fotos utilizadas nesse artigo são do Hike and Fly Mata Atlântica Ecofestival 2024, no Morro do Araçatuba, de autoria do fotógrafo Rodrigo Felix Leal.

Aprendendo a Voar – Aulas Teóricas

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Curso de Parapente Aulas teóricas
Descubra como nossas aulas teóricas de parapente na Vento Norte Paraglider em Curitiba proporcionam um aprendizado completo e seguro. Equipadas com simulador de voo em realidade virtual, nossas aulas combinam teoria e prática para preparar você para voar com confiança. Inscreva-se agora e comece sua jornada no voo livre!

Curso de Parapente – Aulas Teóricas

Como dizem os mais sábios: “O conhecimento nos faz responsáveis!”

Na Vento Norte, acreditamos que a teoria é tão essencial quanto a prática quando se trata de aprender a voar com segurança e confiança. Por isso, nossas aulas teóricas de parapente, realizadas em Curitiba, no espaço Vento Norte, são projetadas para fornecer a base sólida necessária para os futuros pilotos. Um verdadeiro oásis para os amantes do voo livre, nosso espaço oferece uma estrutura completa, incluindo sala de aula equipada, simulador de voo em realidade virtual e uma vasta biblioteca dedicada ao emocionante mundo do parapente. Nosso objetivo é transformar o conhecimento teórico em sabedoria prática, preparando nossos alunos para decolagens seguras e experiências incríveis no céu.

A teoria possui 70 horas de aula, divididas em 9 módulos.

Em nosso novo site você pode conferir todos os detalhes do curso de parapente, o processo de aprendizado e como funciona a programação da Vento Norte Paraglider.

Acesse os artigos do novo site e confira os detalhes:

Segurança

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O Piloto Seguro: Como Reduzir os Riscos no Voo Livre

No mundo do voo livre, a segurança é a prioridade máxima. Voar de parapente é uma experiência emocionante e libertadora, mas é essencial adotar comportamentos que garantam a segurança. Vamos explorar algumas práticas fundamentais que todo piloto deve seguir para minimizar os riscos e aproveitar cada voo ao máximo.

Esse artigo foi atualizado no dia 26/03/2025 para o novo site da escola de voo livre Vento Norte Paraglider. Para acessar o conteúdo basta clicar aqui: https://voeventonorte.com.br/blog/compromisso-com-a-seguranca

Artigos que podem te ajudar:

Voar de parapente no Morro do Boi, Caiobá. Desafios e Encantos

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parapente morro do boi
O Morro do Boi, em Caiobá, destaca-se como o único local para decolagens de parapente à beira-mar no Paraná. Não há outro ponto no continente ao longo das praias paranaenses que ofereça as condições ideais para o voo livre, exceção feita à Ilha do Mel.
No entanto, a atração por esse único ponto de voo de praia por aqui enfrenta alguns obstáculos. Cerca de 600 pilotos de parapente residem no estado, mas raramente vemos mais do que 20 deles voando por lá, salvo durante o movimentado verão, quando a procura naturalmente aumenta.
As razões para essa relativa falta de interesse são diversas.
Morro do Boi. Foto Rodrigo Fernandes
Desafios Técnicos na Decolagem:
A decolagem no Morro do Boi exige uma técnica apurada, frequentemente negligenciada por alguns pilotos que podem não manter seu treinamento solo em dia, e menos ainda o controle de solo mais apurado e diverso.
Acesso por Caminhada/Trilha Morro do Boi:
O acesso à rampa é feito por uma caminhada encantadora pela Mata Atlântica. No entanto, nem todos os pilotos estão dispostos a subir o morro em temperaturas elevadas com seus equipamentos de voo nas costas.
Busca por Novas Experiências
Muitos pilotos procuram experiências e paisagens diferentes em lugares mais distantes que o “quintal de casa’, especialmente no verão.
Comunidade Menos Ativa:
A falta de uma comunidade ativa de praticantes, como um Clube de Voo, na região também contribui para a falta de atração.
Nível de Experiência:
Para iniciantes, a decolagem é exigente, enquanto para os pilotos mais experientes, embora a decolagem seja exigente da mesma forma, o voo em si não o é. O espaço do lift é bem pequeno em termos de explorar horizontes.
Cansaço físico:
Nem todos os pilotos que frequentam o local são familiarizados com as técnicas do hik’n fly.
Subir pela trilha do Morro do Boi com o equipamento de voo, no alto verão, com dias de temperatura elevada é extenuante e a recuperação física pode levar até uma hora após a chegada na decolagem. Antes desse tempo existe o risco de não estar fisicamente e mentalmente ágil para enfrentar uma decolagem exigente.
Morro do Boi

Desafios Específicos no Morro do Boi:

Espaço Limitado para Decolagem:

A rampa natural, rodeada pela bela mata atlântica, acomoda apenas um parapente. O espaço é significativamente restrito. Movimentos imprecisos ou incorretos podem levar o parapente às árvores, que também dificultam o espaço para manobras corretivas, aliada a dificuldade de se mover no mato alto. Embora o Morro do Boi seja um ponto turístico do litoral, ele não conta com manutenção na área do cume, e portanto o mato normalmente esta alto.

Visão Restrita do Entorno:

O local em um “buraquinho” de árvores impede uma visão completa do entorno, tornando a leitura das condições climáticas limitada, imprecisa e muitas vezes equivocadas, se forem analisadas isoladamente pelo piloto. (sem os demais itens de uma análise pré voo, que consiste em todas as etapas antes de subir a rampa)

Bloqueio de Vento pela topografia:

A configuração de falésia bloqueia a incidência de vento na camada laminar, exigindo habilidades avançadas para lidar com a transição entre a ausência de vento e a exposição real ao vento durante a decolagem. O vento é zero no local da decolagem, e vento forte poucos metros acima, poucos, que basta inflar o parapente para que ele toque na camada de vento forte. Um vento de 20m/h é mais que suficiente para “estilingar” o piloto no momento da decolagem, que neste aspecto receberia uma limitação de voo para a categoria NIII. O piloto deve ser treinado e apto a lidar com essas condições em um espaço bastante restritivo pelas árvores, do contrário acaba nas árvores, ou twistado e arrastado para a Praia Mansa e prédios, ou seja, para o rotor.

Falso Vento Frontal

A topografia além de exigir domínio nesse tipo de relevo (falésia), ainda conta o falso vento de frente. O voo por lá só ocorre de Leste e Nordeste. Vento Norte e Sudeste já ocasiona o falso frontal, as birutas na rampa irão mostrar vento Leste e Nordeste. No Sudeste ainda haverá rotores da Ilha a frente.

Conselhos e orientações

 

Imagem criado por AI, Bing.
  • Realizar uma análise minuciosa das condições meteorológicas, utilizando sites de previsão. Antes de subir a rampa observar fatores como intensidade e direção do vento, temperatura e presença de nuvens, toda a avaliação da escala de Beaufort, jamais inflando o parapente na rampa, para ver ¨comeketa¨.
  • Avaliar constantemente se suas habilidades e equipamento estão dentro da margem de segurança.
  • Manter o treinamento de solo para evitar decolagens sem controle e sem intenção.
  • Ao chegar na decolagem, analisar a intensidade do vento na beira da falésia com o anemômetro inclinado 30º para baixo.
  • Evitar voar entre 17:00 e 19:00 horas. Neste horário geralmente o vento passa por transições do sistema de brisas. Gradativamente muda de direção e intensidade. Em dias de bom tempo o vento inicia SE, e ao longo do dia “caminha” para N, para então transitar do vento maral (que vem do mar) para vento Terral (que vem da terra). O sistema de brisas só não ocorre quando existe presenças de sistemas maiores e mais fortes que ele, como sistemas de frentes ou cumulos nimbus.
  • Quando o vento vira NW forma rotores dos prédios em toda praia dificultando muito a aproximação e pouso com segurança.
  • Ao realizar a aproximação e pouso na praia , fique muito atento em identificar pipas no céu e pessoas soltando pipas. O fio utilizado para pipas pode cortar as linhas do parapente mesmo sem cerol.
  • Nunca voe sozinho. Você pode precisar de ajuda em qualquer tipo de emergência, seja uma torção de tornozelo na trilha, picada de cobra, arborizada, a outras situações onde o tempo é o seu maior aliado para ser atendido de prontidão.
  • Haverão decolagens do Morro do Boi extremamente suaves e fluídas. Não tome elas como referência, ou régua para avaliar a sua habilidade ou subestimar os desafios do local. Mantenha a guarda alta, um dia esse mesmo Morro poderá exigir que você lide com situações avançadas como decolagem twistada.
  • Prepare-se para decolagens exigentes. Há diversos tipos de treinamento solo que preparam o piloto para dominar situações como decolagens em espaços limitados, treino de decolagem twistada em solo. Treine essas habilidades não até acertar, mas sim até não errar. Não negligencie esses treinos, e caso se recuse a se preparar da devida forma, não se arrisque naquilo que nunca se preparou para enfrentar.
  • Lembre: Não tem caminho fácil, não tem atalho, o que tem é dedicação, estudo, maturidade e consciência dos seus limites, dos limites do seu equipamento e dos limites que as condições climáticas impõem.
  • Estude sempre. Não deixe de ler, de estudar, de debater e de se aprofundar. Com o tempo muito da teoria se perde e são esquecidas, é importante que mantenha contato com ela para aprimorar os seus voos. Busque estar com a escola sempre que possível. É um ambiente que sempre se esta aprendendo algo. Usufrua do espaço da escola para ler os artigos, livros e revistas que deixamos disponíveis para leitura local. O espaço é gostoso e não falta ideias e debates.

Voar no Morro do Boi, embora desafiador, pode proporcionar experiências incríveis. Entender e respeitar os desafios locais é fundamental para garantir não apenas uma decolagem segura, mas também um voo inesquecível.

Nós temos diversos lindos momentos vividos no Morro do Boi, como por exemplo os Jogos de Aventura e Natureza, fotos desse momento podem ser relembrados aqui.
Confira: Dicas e cuidados para realizar as atividades ao ar livre no calor extenuante.
Morro do Boi, Caioba.

Treino no Calor: Desafios Crescentes em Meio às Ondas de Calor Extremas

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Ilustração do Sol ao fundo, um parapente laranja sendo pilotado por uma mulher, e expressando as mudanças climáticas do calor expressivo.
Imagem criada por inteligência artificial.
“A era do aquecimento global terminou e começou a era da ebulição global.”
Profetizou o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres em coletiva de impressa em julho do ano passado, momento em que a América do Norte, norte da Ásia, África e Europa enfrentavam o verão mais quente das suas vidas, e que tempinho depois enfrentaríamos o mesmo desafio. “Temos de transformar o ano de calor mais ardente em um ano de ambição ardente,” desejou.
De acordo com as projeções de especialistas, condições extremas como essas eram previstas para começarem a ocorrer somente em 2030, porém já se manifestaram na primavera de 2023. Testemunhamos recordes de calor extremo dia após dia. Em Cuiabá, segundo a VEJA, mais de 83 dias (até o momento) registraram temperaturas de 40 graus, com sensação térmica próxima aos 60. Os moradores agora consideram 38 graus um dia fresco, fenômeno que começou em agosto do ano passado, com os termômetros subindo mês a mês. A cidade recebeu um novo codinome, Cuiabrasa. Fazer atividades físicas ao ar livre por lá tornou-se humanamente impossível.
Aqui, em nossa região aparentemente modesta em termos de calor, suportar 32 graus consecutivos é suficiente para nos exaurir. Somos do Sul e não estamos acostumados com sensações térmicas acima de 40 graus, quiçá os moradores de Antonina e Morretes, que experimentaram vários dias na casa dos 50. O que era uma condição esporádica e pontual tornou-se semanal.
Treinar e/ou aguardar a condição de voo na rampa, ainda mais vestido para o sucesso, é um desafio que se tornou constante. Temperaturas que fritam o cérebro e também afetam todo o nosso organismo.
dicas para treinar no calor
Imagem criada por Inteligência Artificial Bing 12 de janeiro de 2024 às 8:20 PM
Tais efeitos negativos foram amplamente abordados pela mídia e autoridades em novembro, após a morte por exaustão térmica ocasionada pelo calor extremado (hemorragia pulmonar e três paradas cardiorrespiratórias) de uma jovem de 23 anos no show de Taylor Swift, no Rio de Janeiro, exatamente durante uma onda de calor extrema, a mesma que experimentamos em Jaraguá do Sul durante o Hik’n Fly Vale dos Encantos, uma semana antes. Um calor impiedoso para o tamanho da prova, mas que os organizadores e atletas concluíram com responsabilidade, cuidado, gana, sucesso, alegria e diversão.
Divulgar alertas sobre a reação do nosso organismo deixou de ser uma providência esporádica e tornou-se uma urgência constante. Reforça a reportagem da VEJA que aborda diversas frentes sobre os impactos negativos de toda essa fervura no planeta, mas que aqui queremos que se detenham nos cuidados com o organismo: “A letalidade das temperaturas excessivas é, na maior parte das vezes, indireta. Elas agravam doenças preexistentes; diabéticos, obesos, portadores de doenças respiratórias, renais e cardíacas são mais suscetíveis. No entanto, seus efeitos costumam ser negligenciados. Os primeiros sinais de risco à saúde são pele avermelhada, cansaço, tontura, náuseas e confusão mental. Em qualquer idade e condição, recomenda-se atenção redobrada sempre que a temperatura do ar supere a do corpo (cerca de 36,5 graus). A reação natural do organismo, nesse caso, é uma redistribuição do fluxo sanguíneo, transferindo o calor dos músculos para a pele, o que faz suar. Esse processo obriga o coração a trabalhar com mais força e rapidez, aumentando o risco para cardíacos. Como diminuição do volume de sangue ejetado durante os batimentos e aumento excessivo da frequência cardíaca para compensar a redução do volume por batimento. O cérebro, os rins e vários órgãos também sofrem com menos sangue e oxigênio. Se intensifica para irrigar não só músculo, mas pele, a ponto de gerar até mesmo lesão renal aguda. Se a temperatura corporal continuar subindo, a pessoa pode colapsar e morrer devido a danos cerebrais e falhas dos órgãos.”
Piloto de parapente treinando em uma terra arída, seca, com a terra de fundo representando o aquecimento global.
Imagem criada no BING – Inteligência Artificial. Por Vento Norte Paraglider.
No sistema respiratório acontece uma hiperventilação para ajudar a regular a temperatura corporal, o que leva à fadiga precoce.
“Ocorre reação generalizada. O corpo manda mais sangue para a pele tentando abaixar a temperatura, e isso tira sangue de órgãos fundamentais. Além disso, com o excesso de suor, o corpo perde água, sódio e outros minerais, o que leva à desidratação e potencial falência do rim”, alerta o cardiologista e médico do esporte Ricardo Contesini em uma entrevista para o site Metrópoles.
Em outras palavras, sentiu algum sintoma de mal-estar, o importante é interromper o que esta realizando para não levar o corpo a “overtraining”, e um dos melhores métodos para o resfriamento é hidratação com água gelada, ar fresco e sombra, orienta Matheus Vianna, personal trainer da equipe Nutrindo Ideais, para a revista SportLife.
Parapente laranja voando em vasto campo tonalizado pelo sol com as cores laranjas e verdes, representando um dia de muito calor.
Imagem criada pelo BING, pela Vento Norte Paraglider
Como escola de voo é fundamental colaborarmos para criar ambientes de treino e voos seguros, e portanto separamos outros pontos de atenção:

1. Horário do treino em dias quentes:

Evitar o calor extremo escolhendo as primeiras horas da manhã ou as últimas da tarde que oferecem temperaturas mais amenas e uma experiência mais agradável. A partir das 10h30 orientamos que paralise o treino, descanse, e só volte a treinar após às 16h00.
Além do mais, todo piloto sabe que o horário de maior aquecimento da superfície é o horário que todos devem ficar atentos em razão da instabilidade térmica. Pilotos iniciantes ou piloto nível I, devem evitar tais condições, tanto para treino quanto para voo.

2. Escute Seu Corpo:

Preste atenção aos sinais do seu corpo. Se sentir tontura, fraqueza ou sinais de exaustão pelo calor, pare imediatamente, busque sombra e reidrate-se, e jamais escolha decolar com o cérebro fritado de calor (tontura, fraqueza, exaustão).

No cérebro: há redução do fluxo sanguíneo cerebral, desembocando em piora dos desempenho físico e mental, afetando negativamente a atenção, o foco e a rapidez de raciocínio.

3. Antecipando situações extremas

Dias em que a pressão atmosférica é muito baixa e a umidade relativa muito alta, a probabilidade de formação de cumulosnimbus (formação de tempestade e eventos extremos) é alta. Quando verificar a previsão do tempo para realizar as análises pré voos, consulte o índice de CAPE, ele mede a quantidade de energia potencial do local disponível para convecção e pode ser acessado em aplicativos como o Windy. Utilize esse recurso para realizar o planejamento dos seus voos. O tempo nunca muda de repente, ele esta constantemente enviando avisos. Compreenda as “placas” do caminho.
Quanto maior o índice CAPE, maior será o desenvolvimento vertical das nuvens e consequentemente uma maior probabilidade de tempo severo, ou seja, chuvas e ventos fortes, com possibilidade de granizo e raios em algumas situações. A chuvas e ventos estão intimamente relacionados a energia potencial que a nuvem carrega em função da altura, quanto mais alta, mais ela pode acelerar, gerando fluxos extremamente velozes. Podemos dizer em outras palavras que o índice CAPE nos indica a instabilidade na região, ou seja uma maior ou menor disposição para gerar tempo severo.
Os valores de referência são:
  • Menor que 1000 = tempo estável ou pouco instável
  • Entre 1000 e 2500 = instabilidade moderada (já é possível encontrar CB quando o mesmo se aproxima dos 2000)
  • De 2500 a 4000 = instabilidade forte
  • Maior que 4000 = instabilidade extrema

4. Hidratação, Sempre:

A hidratação é a chave para enfrentar o calor. Certifique-se de beber água regularmente antes, durante e após o treino. Considere incluir bebidas esportivas para repor os eletrólitos perdidos com o suor.

5. Vista-se com Inteligência:

O que é válido para o inverno não se aplica ao calor quando se trata de escolher roupas inteligentes. Isso é algo crucial a se considerar.
Cores escuras absorvem mais calor, o que significa que elas irão manter o seu corpo aquecido por mais tempo. Isso é exatamente o oposto do que desejamos em dias quentes. No entanto, elas também oferecem uma proteção solar mais eficaz. Por outro lado, cores claras refletem o calor. Portanto, em dias escaldantes, opte por tons mais claros – quanto mais claro, melhor. Lide com a sujeira do mato e da terra com paciência, pois usar o branco no lugar do escuro é melhor para o seu organismo nesses dias. Acredite em nós.
Tecidos naturais e respiráveis também são aliados importantes. Algodão, seda e linho são os vencedores quando se trata de ventilação. Esses materiais auxiliam na evaporação do suor, mantendo o seu corpo mais fresco durante o treino.
E quanto à proteção UVA e UVB quando se trata de tecidos naturais, como algodão, linho e seda e ainda por cima claros?
Enfrentando duas ameaças reais – a temperatura do corpo em dias quentes – os tecidos naturais e claros são a escolha mais refrescante. No entanto, para proteger a pele dos danos causados pelo sol, a opção mais segura são os tecidos sintéticos inteligentes, e muitos deles são extremamente quentes e nada respiráveis.
(Obs: Não estamos ignorando a questão da indústria têxtil, uma das mais poluentes do planeta, que responde por algo entre 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa, mais que a aviação e o transporte marítimo juntos, de acordo com a entrevista na Revista Valor Econômico. Fazer a escolha certa nas peças também deve se considerar a sustentabilidade.)
Os tecidos naturais possuem um FPU (Fator de Proteção Ultravioleta) baixo, quase nulo. (Claro, não estou considerando aqui tecidos grossos, que por si só fornecem proteção, mas sim de tecidos leves e finos). Os tecidos inteligentes leves foram criados e desenvolvidos justamente para fornecer proteção solar e reduzir a alta incidência de melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. Os tecidos sintéticos recebem fios à base de dióxido de titânio. No mercado, existem tecidos de algodão que recebem um tratamento químico, alcançando um FPU de 50, mas são mais difíceis de encontrar, especialmente se priorizar a sustentabilidade na busca. O desafio para a indústria é enorme, e as pesquisas visam alcançar qualidade com menor impacto ambiental em todo o ciclo de vida das peças.
Agora, você compreende o motivo de se sentir como se estivesse cozinhando em uma camiseta sintética com proteção UVA e UVB. Isso ocorre porque ela proporciona uma eficaz defesa contra os danos do sol, mas nem sempre oferece conforto, ventilação, a menos que se opte por tecidos com tecnologia adicional. Um exemplo notável de tecnologia adicional é a blusa da SOL Paragliders, disponível aqui na escola, que se destacou nas vendas e tornou-se a preferida no verão de todos que a possuem.
Foto de uma mulher vestindo uma blusa cinza clara de manga longa.
Produzida com tecido Flex Power, que contem DRY, proteção UVA e UVB e Silpure. O DRY tem por objetivo manter nossa pele seca, pois ele expele o suor. O Silpure é tecnologia de íons de prata, que limita o crescimento das bactérias, reduzindo os odores da transpiração. Tecido de Poliamida e Elastano.
Peças como essas devem ser lavadas a mão, não utilizar amaciantes e a secagem deve ser realizada na sombra.

6. Proteja-se do Sol de todas as formas:

Aplique protetor solar generosamente em todas as áreas. Reponha sempre, pelo menos mais uma vez por volta do horário do almoço, quando suar demasiadamente, e ainda mais uma vez por volta das 16h00.
Use bonés ou chapéus quando não estiver com o capacete treinando. Opte pelos acessórios que cobre orelhas e pescoço.
Fique na sombra nos intervalos do treino e evite a insolação.
Preste atenção ao vencimento do protetor solar.

7. Adapte a Intensidade:

Reduza a intensidade dos treinos nos dias mais quentes. Isso evita o risco de superaquecimento e exaustão, permitindo que você desfrute do treino de forma mais confortável.

8. Intervalos e Sombras:

Faça pausas regulares para descanso e reidratação, na sombra. Descansar sob o sol escaldante não dá certo.

9. Refrescar:

Se estiver na praia, dê um mergulho. A água oferece uma sensação refrescante.

10. Condições Médicas:

Esteja ciente de qualquer condição médica que possa ser afetada pelo calor. Consulte um profissional de saúde se tiver dúvidas e adapte seu treino conforme necessário.

11. Planejamento Inteligente:

Garanta que tenha acesso a recursos essenciais durante toda a prática. Isto é água na mochila, protetor solar na pochete e sombra por perto.

12. Cuidado com os equipamentos e eletrônicos.

Não deixe os equipamentos expostos ao sol ou ao calor, como dentro do carro em dias infernais ou ao sol. O calor e o sol são extremamente prejudiciais para os equipamentos.
Parapente laranja com o sol no fundo, um rio laranja, todos dentro de uma esfera de fogo.
Imagem criada pela inteligência artificial BING, pela Vento Norte.

Lembre sempre que a segurança vem em primeiro lugar. Adaptar-se às condições climáticas garantirá não apenas um treino eficaz, mas também uma experiência enriquecedora nos céus.

 

Ações governamentais e da sociedade para conter o aquecimento global não são mais uma opção. São uma imposição. Reforça o climatologista José Marengo na Veja.

O que fazemos para contribuir no combate das mudanças climáticas:

  • Plantamos Árvores

Em casa além de possuirmos mais de 14 árvores plantadas por nós, na escola mantemos 4 frutíferas e já plantamos mais duas.

Plantar árvores é uma tarefa global para deter a degradação das terras e oceanos, proteger a biodiversidade, e reconstruir ecossistemas.

  • Optamos por fornecedores com preocupações ambientais, sociais, locais e artísticos.

Atualmente as peças que estarão sendo produzidas para a marca da escola são fabricadas pela NOS ALPES, empresa que possui preocupação ambiental, fabricação de forma sustentável e economia circular. Despertam o consumo consciente, apoiam causas de conservação da natureza, plantio de árvores e inclusão social.

Mantemos em nosso portfólio de parapentes a SOL Paragliders, uma das empresas que mais nos orgulhamos. Brasileira, com preocupação ambiental e social.

Artistas da montanha e do voo livre.

Luisa Mazarotto é montanhista e ilustradora que assina as novas estampas da Vento Norte Paraglider.

Arthur Lewis é piloto de parapente, um dos pioneiros, e é o fabricante dos pingentes de voo livre. Economia circular. Pingentes que nascem de materiais reutilizados.

  • Ecossistemas

Mantemos uma área de Mata nativa de 3 mil metros quadrados no Morro da Palha em Campo Largo.

Outras ações da escola e pessoal que adotamos no nosso cotidiano:

  • Compostagem domiciliar;
  • Controle do consumo de alimentos de origem animal;
  • Separação do lixo;
  • Redução dos plásticos. Aqui queremos pontuar um desafio que tivemos. A escola ainda possui copos descartáveis para a água, isso porque antigamente comprávamos por fardo, o que diminuía o custo, assim como as sacolas eram confeccionadas por milheiro, e as sacolas de plástico médias ainda resta 50 unidades, todos os demais já foram substituída, e são zero plástico. Obviamente que jogar os itens de plástico no “lixo” é apenas tirar da vista. O que escolhemos fazer é a transição. A medida que itens como esses acabam, são repostos por materiais sustentáveis, esse processo é chamado de tempo da transição, uma dica para o caso de você também ainda ter em estoque insumos com plástico ou nocivos;
  • Cultivo de abelhas;
  • Apoiamos eventos, organizações e iniciativas que buscam disseminar informações e debates de qualidade e relevância referente as urgências ambientais ou sociais do mundo.
  • https://blog.voeventonorte.com.br/mata-atlantica-ecofestival-valorizacao-da-natureza/
  • https://blog.voeventonorte.com.br/hacka-clima-cinemateca-no-mata-atlantica-eco-festival/

 

O que mais podemos fazer?

Muitas e muitas outras coisas:
  • Incentivar que nossos pilotos e alunos passem a ir para os treinos e locais de voo de carona;
  • Incentivar que acampem no Cal, evitando assim ir e voltar quando será sábado e domingo de treino por lá, reduzindo a pegada de carbono;
  • Disponibilizar ônibus de viagem para barcas de voo, evitando a emissão de poluentes de pelo menos 30 veículos.
  • Indicar conteúdos sobre o tema;
Indicamos fortemente o documentário Rompendo Barreiras, disponível no Netflix. É uma abordagem bastante educativa, científica e clara sobre a importância da década em que estamos. O documentário foi lançado em 2021, no momento em que se projetavam que as mudanças mais extremas começariam a ocorrer somente em 2030. Como a mudança chegou antes do previsto, acreditamos mais ainda na relevância desse documentário.

 

Como o mundo esta lidando com as mudanças climáticas e condições extremas:

A China conseguiu reduzir em 40% a quantidade de partículas nocivas no ar de 2013 a 2020. Embora ainda dependa grandemente do carvão, ano após ano vem reduzindo expressivamente esses números. Mas é necessário acelerar essa transição de energia.

A Comissão Europeia está implementando padrões mais rígidos e graduais para a mitigação de CO2. 45% de redução de emissões; 65% a partir de 2035; 90% a partir de 2040.

EUA assumiu o compromisso de reduzir em até 50% suas emissões até 2030.

Diversos países estão aumentando os valores de pedágio em busca de impulsionar “caronas” e o uso de transporte público, como anunciado na COP28, recém-encerrada que ocorreu em Dubai, além de reforçarem a urgência da implementação mais eficiente de alternativa para os combustíveis fósseis, que representam cerca de 87% das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) e são os maiores vilões do aquecimento global.

O bloco econômico Europeu pretende acelerar a implantação de infraestrutura de recarga e reabastecimento com foco na neutralidade de carbono, visando poluição zero da UE.

ODS 13 reconhece a necessidade de cooperação internacional para enfrentar as mudanças climáticas, visto que seus impactos ultrapassam fronteiras nacionais.

Confira os demais propósitos da ODS 13.

ODS 13 Ação Contra a Mudança Global do Clima estabelecido pela ONU 

Tem como objetivo tomar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e seus impactos.

Os principais objetivos da ODS 13 incluem:

  1. Fortalecer a Resiliência e a Adaptação às Mudanças Climáticas: Busca-se promover a capacidade de adaptação e a resiliência a eventos climáticos extremos, bem como a construção de sistemas mais robustos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
  2. Integrar Medidas sobre Mudanças Climáticas nos Políticas, Estratégias e Planejamentos Nacionais: A ideia é integrar considerações climáticas em políticas e planejamentos nacionais para garantir uma abordagem holística na luta contra as mudanças climáticas.
  3. Melhorar a Educação, Sensibilização e Capacidade Humana e Institucional em Relação às Mudanças Climáticas: Promover a conscientização e a compreensão das mudanças climáticas, seus impactos e a necessidade de ação é fundamental para alcançar os objetivos desta ODS.
  4. Implementar o Compromisso da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima: Isso envolve a promoção da implementação eficaz das disposições da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Hacka Clima Cinemateca no Mata Atlântica Eco Festival

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A dreamy globe manipulation background with clouds forming the world map

“Son cosas que se passa”: Uma expressão que define nossa jornada no MAEF

“Son cosas que se passa,” foi o que Daniel, um dos nossos instrutores lá no Deserto do Atacama, me disse uma vez. Pode ser usada para simplesmente dizer “acontece” como também “vai passar”. Desde então, adotei essa expressão no meu repertório, e ela se encaixa perfeitamente na semana do Mata Atlântica Ecofestival (MAEF). Vou contar umas das coisas que se passou.

Unindo Cinema, Esportes, Conservação e Mudanças Climáticas

A Cinemateca de Curitiba, também parceira do MAEF, lançou um desafio chamado “Hacka Clima”: a missão era criar um curta-metragem de 3 a 8 minutos em poucos dias (desafio velocidade na produção), focado no cidadão comum lutando contra as mudanças climáticas. Os participantes foram convidados a assistir e analisar filmes selecionados pelo pessoal do Mata e se aventurar numa jornada de aprendizado em cinema e mudanças climáticas, aprimorarem e ampliarem a escuta ativa e o olhar curioso sobre como a arte é explorada em cada filme do Eco Festival, que também foi anfitrião do tuor mundial do Vancouver International Mountain Film Festival que possui os objetivos de promover a oportunidade das pessoas desfrutarem de alguns dos melhores filmes de montanha do mundo, angariar fundos para causas locais e apoiar cineastas talentosos. Ano passado quem fez a curadoria dos filmes inscritos no MAEF foi o surfista e filmmaker Roland Roderjan. Este ano o Festival ficou melhor do que já era, e contou com muitos filmes da nossa região, confere dois deles!
Curupira – Mãe da Floresta, foi um dos curtas selecionados.

Assim como o Tintureira, um documentário de Gabriel Marchi sobre o projeto e a missão de pesquisadores em busca do Tubarão-tigre no litoral do nosso estado. Um documentário repleto de aventuras, lendas e que mostra a realidade da pesquisa com tubarões no nosso país.

A programação foi simplesmente genial, conectando-se totalmente com o espírito esportivo do evento. Pensamos, olha a oportunidade que a Cinemateca esta nos presenteando com o apoio do MAEF! Aprender mais ainda sobre clima e a arte de criar curtas para eternizar as paisagens incríveis que nós desbravamos nos voos.
A equipe da Cinemateca para o Hacka Clima foi composta por grandes profissionais com quem os participantes conversaram, ouviram e debateram temas relevantes.
Paulo Nobre, meteorologista, cientista e climatologista brasileiro com reconhecimento internacional.
Wilson Nobre, que foi quem conduziu o Hacka Clima, é engenheiro mecânico, professor do Departamento de Produção e Operações e Pesquisador do Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Vargas. Consultor em automação industrial, de processos de negócio e em tecnologias de projeto de engenharia, além de também ser consultor e facilitador de iniciativas nas áreas de desenvolvimento sustentável e segurança pública.
E ainda o Marcos Saboia, coordenador da Cinemateca orientando as ideias dos participantes.
Sugeri participarmos com nossos pilotos e alunos e alguns abraçaram o “Hacka Clima,” inclusive eu e o instrutor Márcio, para tentarmos de alguma forma construir o curta envolvendo a visão do ar, do parapente.
Depois dos primeiros cinco dias de aprendizado, estávamos em um barco com mais pilotos e alunos(as) da escola do que no início da ideia, mas o problema era que a folha(roteiro) estava em branco. Culpa dos horários do mundo dos adultos que não bateram com as aulas da Cinemateca, e quase ninguém conseguiu participar das aulas, exceto a nossa alada Alanna, que marcou presença num debate. “Son cosas que se passa” na correria da vida.
Por aqui, quase desistimos, mas a alada estava tão animada, bolou com a Ari um mapinha com os tópicos que queriam no roteiro, e o André chegou a criar a Sophia, uma “Heroína do Clima”.
Confere o engajamento da Alanna e da Ari através dos mapinhas:

Hacka Clima e Arte no Mata Atlântica Eco Festival

Quando a natureza impõe desafios: Ventos e Chuvas

Com todas essas ideias já tínhamos um ponto de largada, um esboço de roteiro, sabíamos mais ou menos o que filmar no fim de semana que se aproximava, e aí veio o dilúvio. Choveu, choveu e choveu. Nosso esporte não é praticado na garoa, nem na chuva e muito menos no dilúvio. A Cinemateca prorrogou o prazo para todos os participantes, e isso, claro, deu uma chance de gravar no fim de semana seguinte, que ventou, ventou e ventou. Nosso esporte não é praticado com ventos fortes, ventanias e tampouco em extra ciclones e ciclones. Roteiros para o espaço. “Son cosas que se passa.”
A maioria do pessoal desistiu porque já não sabiam como ajudar nessa altura do campeonato. E a nossa Alanna, que é tipo o Joseph Climber, não se deixou abater tão facilmente, disse:
– Vamos usar acervo!
– Qual acervo, Alanna?, perguntei.
– Pede para o fulano, o deltrano e o cicrano, ela disse.
Aí pedi pro Márcio, pro Rafa, pra Raquel, pro Michel, pedi até pro universo, imagens lindas da Mata Atlântica vistas do alto, em voo, em 4k na horizontal, tudo para não deixarmos a Alanna sozinha no barco, e fazer o “Hacka Clima Vento Norte” acontecer. Quem diria que num grupo cheio de pilotos, ninguém filmava em 4k na horizontal? O número de filmagens nessas configurações era ínfimo, e não atendiam 30% do que buscávamos. Culpa do Instagram!
– Alanna, não temos as principais imagens que queremos e agora não temos mais roteiro! (eu disse, confesso que tentei convencê-la a desistir.)
Parecia que tinha dado certo, ou quase isso, mas eis que o nosso alado, Kris Natal, propõem uma nova ideia, faltando apenas três dias para o prazo final.
– Eu estou trabalhando, você também, e todo mundo também. (eu disse)
– Mas vai dar certo, a gente consegue. (ele disse)
– Mas hoje a noite você vai estar cozinhando no “Master Chef Vento Norte”, como vai narrar depois? (eu disse)
– A gente dá um jeito. Domingo eu faço. (ele disse)

Superando obstáculos e entregando o projeto.

Sexta-feira, peguei o branding da escola, alguns trechos e inserimos como roteiro, a Alanna escolheu as imagens e alguns vídeos. Organizamos a ideia virtualmente. Um espião chamado Weta Gigante, um inseto que esta entre os maiores e mais pesados do mundo entrou em nosso projeto. Vai saber o que ele queria e como entrou!  Trabalhamos com o grilo gigante nos espiando, até que desistiu de nos atacar e evaporou. O Kris ajustou as velas, e na segunda-feira de manhã (4h00 da madrugada), o nosso curta-metragem, que enfrentou ventanias, tempestades e o grilo gigante, foi o primeiro a chegar ao porto no prazo combinado! O que ocasionou uma terceira prorrogação para os demais competidores, e nem temos ideia de quantos dias se passaram da prorrogação, se uma ou duas semanas a mais. Se a gente soubesse disso antes, hein? Pensamos: “Son cosas que se passa.”
O mais importante para nós é que nos desafiamos a fazer algo que não conhecíamos, nem dominávamos. Adotamos a atitude: “Permita-se criar.” Tivemos medo. Medo de errar em todo o processo de cinema que não temos nenhum conhecimento. Medo de não fazer o mínimo por conta do pouco tempo disponível, mas não queríamos ficar paralisados na ideia do “vai ser um fiasco”. Levamos adiante o “Hacka Clima Vento Norte” de maneira leve, divertida e com a empolgação de uma equipe que descobre novos horizontes e formas de aprender mais coisas, sem medo de errar. Movidos pela emoção, impulsionados pelos desafios.
Não vamos omitir o fato de que todos nós somos engajados com os temas propostos pela Cinemateca. Cada um que tentou de alguma forma contribuir com o curta, em seu cotidiano, realiza alguma das ações para transformar o mundo em um lugar melhor. Separa e recicla lixo, trabalha com sustentabilidade, ESG, cultiva abelhas, capta água da chuva, tem painel solar, adota consumo consciente, faz compostagem, reduz o plástico, entre tantas outras frentes que envolve muitas coisas. Aqui entra também o propósito do Mata Atlântica Eco Festival – Muitas Tribos, Uma só Voz! Onde todos nós, empresas, atletas, público em geral, buscamos adotar, incentivar, criar e buscar práticas e soluções sustentáveis dentro das nossas atividades profissionais e pessoais. Se você quer saber mais sobre o tema, recomendamos o documentário: Rompendo Barreiras, disponível no Netflix.

Reflexões sobre “fazer bem feito” e aprendizado contínuo

A Luciana Pianaro, CEO da Vida Simples, escreveu no artigo “fazer bem feito”:
“ Fazer bem feito é um objetivo a ser buscado. É o esforço dirigido a cada atividade que nos torna mais realizados. Entretanto precisamos entender que fazer bem feito não significa atingir uma perfeição utópica, isso é paralisante, mas entregar o resultado de qualidade e relevante para aquele momento. Compreender as dificuldades e reconhecer quão aplicada aquela pessoa se mostrou para construir um ambiente saudável e de aprendizagem constante. Quisera eu que todos tivessem a oportunidade de aprender essa lição, cercados de afetos. A busca por fazer bem feito é uma trajetória de erros, aprendizado e aprimoramento. Ainda que enfrentemos obstáculos.”
Com isso reforçamos; os obstáculos  “son cosas que se passa” e que aprendemos com eles. Não leve tudo tão a sério. Jamais iremos controlar o rumo dos ventos, mas sempre podemos ajustar as nossas velas e navegar com carinho, gentileza, entusiasmo, alegria, coragem, diversão e leveza. Isso é uma escolha minha, sua e nossa, e que no final se transforma em experiência, lembranças muitíssimo especiais, e muito além, um start para uma nova aventura; Família Vento Norte rumo a produzir curtas metragens para contar as coisas que a gente vê por aí e como podemos ser a transformação que queremos ver no mundo.
Claro, não vou me despedir sem mostrar o que conseguirmos fazer em 3 dias:

As imagens contém contribuição dos acervos do Rafa Pé (Wojcki), que são imagens dos voos, do Kris Natal – imagens do mergulho, da casa sustentável, das abelhas e da entrevista com o coletor de materiais para a reciclagem, da Ari (o Ale separando o lixo), do Rafael Bario, da Fly Filmes durante o nosso hik’n fly MAEF 2022, da Alanna com as montanhas do Paraná, e do banco de dados do Canva. A organização das imagens foram elaboradas pela Alanna e pelo Kris, que também narrou o roteiro que foi criado pela Nicolle Muraro (eu).

Mata Atlântica EcoFestival

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Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
“Ideias megalomaníacas que se realizam e se transformam em experiências sensacionais que só foram possíveis por envolverem pessoas incríveis.”
Aritisdes, Olivia, Danielle e Marcos. Foto Rodrigo Felix Leal, Fly Filmes.
Palavras da Olivia Isfer, que em conjunto com o Aristides Athayde, a Danielle Milarski e Marcos Maranhão foram cúmplices dessa boa loucura. Esse quarteto realizou algo inédito e grandioso. Reuniram competições esportivas, muito esporte, ecoturismo, valorização dos produtores locais e artesãos, mostras artísticas e literárias, shows, exibições cinematográficas, além de palestras e debates em quatro regiões da Grande Reserva da Mata Atlântica, com o intuito de ampliar o debate sobre a conservação e sustentabilidade no uso das áreas naturais, inclusão social e muitas outras frentes. Foram 10 dias de muito trabalho para eles e muitas tribos, uma só língua!
Para nós foi de uma tremenda riqueza apoiar o Mata Atlântica EcoFestival, mover o nosso amado esporte para dentro dos debates, conhecer trabalhos dos quais nos identificamos e fazendo parte da solução de um mundo que idealizamos. Trabalhos realizados com leveza, amizade, profissionalismo, respeito, alegria e diversão.
Levamos o voo livre para a Cinemateca, na abertura do festival. O espaço foi o palco, junto com o Memorial e o Passeio Público para as exibições dos filmes inscritos  no Festival de Cinema de Aventura, Natureza e Vida ao ar livre.
Cinemateca
O Simulador de Voo na Cinemateca, trazendo os esportes do ar para dentro dos debates. Foto Rodrigo Felix Leal.
Na abertura teve apresentação das crianças do Maracatu, exibições de alguns filmes, show musical, debates e uma especial homenagem ao jovem montanhista de 93 anos Henrique Paulo Schmidlin, também conhecido como patrimônio do Montanhismo Paranaense, o Vitamina.

 

Nos dias 06 e 07 de agosto carregamos o mundo do voo livre para o belíssimo Campo das Artes, em São Luiz do Purunã, espaço criado pelo artista paranaense Luís Melo. A arquitetura é integrada a natureza, o espaço é multidisciplinar. Valoriza o encontro, a pesquisa, as experiências, as diversas linguagens artísticas e áreas do conhecimento humano.
Ouvir as palavras do Luís Melo, após voar no simulador da nossa escola foi muito motivador: “Encantado por me divertir!” Nós falamos o mesmo em poder conhecer pessoalmente o artista, o Campo das Artes, o lindo projeto do espaço e ainda estarmos trabalhando lá.
Impulsionador foi assistir a palestra do atleta Joel Kriger e o jornalista Herivelto Oliveira, autores do livro  Suba, Nade, Corra, Pedale e aproveite a paisagem, ouvir as suas histórias, e saber que todos os feitos de competições de natação, os 7 cumes, as travessias marítimas, corridas, triatlos, incluindo o Iron Man, o Canal da Mancha, foram realizados após os 50 anos de idade (antes era sedentário). Joel é um homem de grande estratégia, então é claro que todas as conquistas pessoais esportivas foram realizadas com planejamento, treinamento, estudo, profissionais capacitados (personal, cardiologista, nutricionista, etc) dedicação, muita paciência, entusiasmo e sonhos. Requisitos básicos para os esportes de ação, de aventura e na natureza. Joel finalizou o projeto dos 7 cumes agora em maio, alcançando o cume do Everest aos 68 anos de idade. O dinheiro recebido das vendas do livro Suba, Nade, Corra, Pedale e aproveite a paisagem esta sendoo revertido em cestas básicas que são doadas para pessoas em carência alimentar do país.
Havia a exibição das imagens de Zig Koch, fotógrafo e ambientalista especializado em fotografar a natureza há mais de 30 anos. Zig já conquistou diversos prêmios, inclusive de melhor fotógrafo da vida selvagem em 2013, pelo Museu da História Natural de Londres, e participou tanto da abertura do Festival quanto das atividades no Campo das Artes.
Escritoras(es) e ilustradores(as) estavam por lá com o seus trabalhos. Com leitura dramática com Pedro Donacin e Lindsay Lagni, autora de Amuletos de Prosa e Verso, Peito Aberto até a garganta de Mariana Marino e performance de Andressa Medeiros e Patrícia Grabowski, a autora da Carminholas de Firmino, Carolina Becker, leituras compartilhadas de Manoel de Barros, Fritz Muller, Guilherme Gontijo Flores, Walt Whitman… Lançamento do livro o Perigo da Semente, (ah se essa ideia pega hein!) de Ricardo Philippsen. A coleção de lendas paranaenses do escritor Hardy Guedes e tantas e tantos outros.
Foi uma delícia conversar e conhecer toda essa gente criativa, e ainda lá no final da noite de domingo, cansados porém felizes, ficou essa foto que batemos da Andressa Medeiros. O espaço do Campo das Artes é de um bom gosto estupendo.
Campo das Artes, São Luiz do Purunã, Mata Atlântica EcoFestival.
Os desenhos da ilustradora Birgitte Tummler feitos com caneta esferográfica estavam adornando toda a parte superior do Campo das Artes, com as imagens das “Abelhas Nativas do Brasil, sem ferrão”. Birgitte é um talento surpreendente. (Bir, se estiver lendo este artigo, saiba que ainda queremos ver você admirando o mundo de cima para comemorar o seu aniversário.)
Não parou por aí não! Teve gastronomia e valorização dos produtores locais com trabalhos que transbordam amor.
Zoe – da Nossa Terra, Flor Alada, Red Barn, Ôchá – Ervas e Temperos, Ybyrá Design em Madeira, Sabores da Agrofloresta, Arten Cervejaria, LuziArte, Kafeewit, Kakaowit Chocolates, Cosmética e Botica Natural, PaniPano, Piá Ateliê e as delícias do chef Vavo Krieck, professor de gastronomia da PUC e do Centro Europeu.
Plantas, artesanatos, café, grãos, mel, enfim, uma grande união de produtores locais, que ao final foi encerrada com os acordes limpíssimos do som de Julião Boêmio.
Fazemos as palavras do Luís e do Vinicius as nossas: “Quantos encontros memoráveis tivemos no Campo das Artes, durante o Mata Atlântica Ecofestival.” Muitos!
Mas dizem que a mágica das expressões artísticas só acontece quando saímos pela porta de saída e a magia acompanha a gente nos próximos passos que daremos. Assim foi!
No dia 13 de agosto com o Mata Atlântica EcoFestival, com o Gil Piekarz e com o Aloysio Pinto organizamos a competição de hike’n fly na Escarpa Devoniana, também em São Luiz do Purunã. A competição sem fins lucrativos terão seus valores de inscrição doados para o grupo Vozes da Angola, composto por cantores refugiados, todos com alguma deficiência (em sua maioria cegueira) decorrente das granadas da guerra ou do sarampo que assolou o seu país de origem. Foram enviados para o Brasil quando tinham entre 7 até 14 anos de idade, sem suas famílias. Hoje são jovens adultos, se apresentaram na Cinemateca durante o Festival de Cinema, e se emocionaram quando o Aristides estava descrevendo o que estava passando na tela, e o tema do filme era caiaque e voo livre. Segue o trailer oficial.

Agora voltando para o ar. A modalidade do parapente hike’n fly une a caminhada pelas montanhas/morros para alcançar o cume e de lá decolar para realizar um bom, longo, seguro e divertido voo. Seria simples para quem está acostumado a caminhar por nossas lindíssimas e preciosas serras. Aparentemente, só aparentemente.

 

Gil
Gil Piekarz foi um dos organizadores da competição do Hike’n Fly. Responsável por ter mantido o evento dentro do Mata Atlântica EcoFestival. Para quem não sabe quase cancelamos a competição por conta da chuva, porém o Gil adiou para o dia 13, mantendo o parapente dentro do Festival. Valeu Gil! Se não fosse você. hehehe Foto Rodrigo Felix Leal da Fly Filmes
Aloysio Pinto é piloto Vento Norte, formado alguns anos atrás. Aloysio contribui grandemente para o voo livre atuando como juiz e coordenando briefings nos campeonatos paranaenses. Não seria diferente por aqui. Se ofereceu para coordenar todo esse hike’ fly, e foi fundamental para a execução do Festival. Valeu Aloysio. Foto Rodrigo Felix Leal da Fly Filmes.
Kauan organizou os pilões da prova hike’n fly, pensando em todos que gostariam de ter a oportunidade de participar de uma prova de hike’n fly de forma mais acessível. Ele acertou na mosca. Foto Rodrigo Felix Leal da Fly Filmes.
Instrutor Márcio André na entrada da Prova. Foto Rodrigo Felix Leal da Fly Filmes
Olivia, Aristide e Danielle acompanhando a competição de Hike’n Fly. Foto Rodrigo Felix Leal da Fly Filmes.
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal. Fly Filmes
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider.. Foto Rodrigo Felix Leal, Fly Filmes.
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal, fly Filmes
A caminhada pelas trilhas é realizada com o equipamento de voo no lombo, e isso muda tudo. A quantidade de pilotos que aderem essa modalidade não é muito expressiva entre a comunidade do voo livre, já que exige um pouquinho, ok, um “poucão” a mais de físico, mas ainda assim vem crescendo vertiginosamente. Os desafios, a superação, o feito em si, o contato intenso com a natureza, a gana por aventuras e claro, as paisagens que possuem menor interferência urbana e maior riqueza de fauna, de flora e de experiências são as justificativas para enfrentarem as dificuldades físicas de mandar um hike’n fly.
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal, Fly Filmes.
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal, Fly Filmes.
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal, Fly Filmes.
O ponto alto da competição é que foram 18 inscritos, em nível municipal é expressivo, e 9 dos inscritos eram mulheres, sendo que duas ocuparam a posição de segundo e terceiro lugar, impressionando quem não conhecia as dificuldades de uma prova dessas e gerando muita admiração por todas(os).
Catiane, Alanna e Sibelly no Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal, Fly Filmes.
Siblelly Blum no Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal. Fly Filmes
Adriana no Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal. Fly Filmes
Alanna no Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
Kelly no Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider. Foto Rodrigo Felix Leal. Fly Filmes.
Os pilotos tiveram a oportunidade de participar pela primeira vez de uma competição de hike’n fly, se desafiar (não é fácil não gente!) e completarem o trajeto com persistência, além de poderem testar suas habilidades para a próxima competição de hike’n fly que irá ocorrer em Campo Largo, que esta sendo organizada pela Raquel Canale e Eric Souza.
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
O instrutor Kauan era um dos pilotos que gostaria de algum dia participar de uma prova dessas, e pela primeira vez participou e ainda levou o primeiro lugar.
Kauan decolando na competição. A estratégia da competição contou muito com a agilidade do piloto em chegar na rampa, se equipar rapidamente e em segurança, decolar, chegar no pilão, pousar e ter a mesma agilidade em recolher e guardar o equipamento para seguir para os próximos pilões terrestres. Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
O segundo e o terceiro lugar ficaram com a Carol e a Cat, já veteranas no hike’n fly, e quando elas foram competir a primeira vez, nós contamos tudo por aqui, confira a história.
Mata Atlantica EcoFestival Vento Norte Paraglider
Parabéns para todos e para todas!
Mata Atlântica EcoFestival Vento Norte Paraglider
Por fim, queremos agradecer a todos os envolvidos, em especial ao amigo Aristides pelo convite e o brilhante reencontro depois de tantos anos. A Olivia e a Danielle que foram incríveis com a gente, vibrando e torcendo desde a Cinemateca até o Hike. Ao Luís Melo e ao Vinicius que nos auxiliaram nas demandas com o simulador no Campo das Artes. Ao Gil e ao Aloysio que abraçaram com gana a coordenação do Hike em São Luiz do Purunã. Definitivamente não faríamos sem eles. (Gil revisou este artigo também, antes de publicarmos). Ao Rodrigo Felix e ao Carlos Rafael Barrios, da Fly Filmes, que trabalharam nas imagens e vídeos, e até correram para acompanhar a galera no hike.
A todos os participantes organizadores do festival que contribuíram para que essa ideia acontecesse. De acordo com o quarteto, estimam cerca de duas mil pessoas que estavam envolvidas diretamente no Ecofestival.
Aos pilotos e alunos que prestigiaram de alguma forma o Mata Atlântica Ecofestival.
As palavras de Aristides, Olivia, Danielle e Marcos:
“Foram dias de encontros e emoções, de muito trabalho e de muitas realizações. Dias que só foram possíveis por termos sonhado juntos o mesmo sonho.”
E com toda a certeza estaremos juntos para o Mata Atlântica Ecofestival 2023. Esperamos ansiosos(as) o reencontro para um mundo mais verde, mais culto, mais sustentável, repleto de boas amizades, união e respeito.
Valeu MATA ATLÂNTICA ECOFESTIVAL!

Encerramos esse resumo compartilhando alguns filmes que foram exibidos durante o Festival de Cinema do Mata Atlântica, para inspirar e transformar.

Curso Iniciante de Parapente

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Morro do Cal
Fim de tarde no Morro do Cal, Campo Largo. O pôr do sol é um dos atrativos mais disputados no fim de tarde. Foto de Anderson Kaminishi. @kaminishi

Que tal começar um novo estilo de vida?

Lidar com novos desafios, superar limites, adquirir vivências realmente extraordinárias, com diversão, novas amizades, em contato constante com a natureza, contando com a qualidade e confiança da escola de voo livre que é tradição no Paraná.
São mais de duas décadas dedicadíssimas a arte de voar, e que construímos essa linda escola chamada Vento Norte Paraglider, em que nossos pilotos e alunos(as) são os principais protagonistas da nossa história.
Durante o curso de parapente iniciante os(as) alunos(as) recebem conhecimentos e práticas necessárias para o desenvolvimento esportivo. Contam com a estrutura da escola, o simulador de voo, a experiência, dedicação e paixão dos instrutores e monitores qualificados, além da supervisão constante focada no apoio individual e na identidade de cada aventureiro(a).
O curso de parapente  é oferecido em Curitiba, sob a orientação do experiente instrutor Márcio André Lichtnow, um dos principais responsáveis pelo fomento do voo livre no estado do Paraná. Centenas de voadores brasileiros e estrangeiros formaram-se sob sua orientação. Márcio tornou-se uma das principais referências no ensino e elevou sua escola, para o patamar das cincos escolas que mais formam pilotos no país. Obviamente que quantidade não quer dizer qualidade em todas as situações, mas em relação a educação, a quantidade de pilotos formados(as) pela escola se traduz em experiência de didática, de pedagogia e também de muitíssimo aprendizado humano.

Em nosso novo site você pode conferir todos os detalhes do curso de parapente, o processo de aprendizado e como funciona a programação da Vento Norte Paraglider.

Acesse os artigos do novo site e confira os detalhes:

loja.voeventonorte.com.br

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