Parapente é o nome em francês. Significa voo de encosta. França não é apenas o local que nosso ávido aventureiro aviador Alberto Santos Dumont apresentou ao mundo seu 14-Bis.
Uma salva de vivas e aplausos para esse sujeito de bigode.
França também é o berço do parapente.
Pedimos desculpas aos historiadores, pois avançaremos alguns momentos, como os desenhos de Leonardo da Vinci, os estudos da Nasa e o desenvolvimento e modificação do paraquedas. Voaremos diretamente ao que interessa. Junho de 1978.
Com intensa curiosidade, ideias e mentes afiadas, engenheiros da aerodinâmica testam alguns projetos do que viria a ser o parapente. São 3 paraquedistas que passam a decolar de uma pequena colina no Sul da França. A motivação era que após conquistar o cume da montanha, pudessem descer voando. A história do paraglider começa como prática esportiva exatamente neste momento. O feito do trio atraiu diversos entusiastas da natureza e da aviação. A notícia que estavam testando os pequenos voos espalhou-se por todos os cantos da cidade. No mesmo ano ganhou adeptos e passaram a ser 15. No ano seguinte são 50 bailando pelos ares da colina. Em 1982 são cerca de 500. Em 1987 totalizavam 5 mil voadores espalhados pela Europa e 40 escolas. Estima-se atualmente que no velho mundo 250.000 pessoas já praticaram o parapente ativamente, entre duplos e solos.
No ano de 1985 o deslumbre com as marcas atingidas de permanência no ar com um parapente, vieram com o piloto Oliver Jousse – 1 hora e 45 minutos em voo, Roger Bedouet 2 horas e 40 minutos, Gerard Bossom 3 horas e Richard Trinquier 5 horas e 20 minutos.
Em uma terra de tupiniquins, na cidadezinha litorânea paranaense, nosso amigo curitibano Kan permanece 9 horas sobrevoando o Morro do Boi, na praia de Caiobá. Essa é a parte que perguntam como ele fez xixi. Já te aviso que é segredo dele. A não ser que pretenda ficar muitas horas em voo, aí você irá descobrir o segredo no curso.
Partiu para os dias atuais? Bora então!
Hoje descer voando de parapente após uma ascensão de uma montanha é uma das inúmeras possibilidades do esporte, não é a única. Essa modalidade é denominada Hike and Fly. (Hike’n Fly). Significa caminhar e voar. Tem uma galera da família Vento Norte que ama essa experiência e vez ou outra estão deslizando pelo céu da Serra do Mar, sendo mais comum no Araçatuba, Anhangava e no Camapuã.
As duas últimas montanhas citadas permitem o que chamamos de travessia. Decola-se do Camapuã e pousa-se em Antonina e nas decolagens do Anhangava  pousa-se em Morretes, para comer o tradicional barreado. O visual é espetacular e o barreado é dos Deuses. Não que eu pense muito em comida.

O vídeo é de emocionar e o aluno é de orgulhar o instrutor Márcio!
Paraglider ou paragliding é o nome em inglês.
Aqui pela pátria amada, idolatrada, salve, salve-se quem puder, utilizamos as duas denominações. A francesa e a inglesa. E jack sou brasileiro também chamamos de glider, asa, paraka, vela, velame, equipo e outros apelidos que a criatividade aflorar.
Ah, antes que eu deixe passar batido o detalhe! Você não precisa subir uma montanha na bota para poder decolar de parapente. Você pode sair do seu apartamento, caso more em um, entrar no elevador, caso seu apê tenha um, colocar seu equipo no porta-mala, dirigir até o Clube Vento Norte – Morro do Cal – Campo Largo, principal Q.G dos pilotos e alunos Vento Nortenhos e Nortenhas. saudar os parças alados, entrar no trator que leva até o cume da montanha em 6 minutinhos, e “plunct, plact, zum”, na rampa de decolagem levantar o seu voo. Não escorreu uma gotinha sequer de suor. Simples, rápido e prático.
As travessias em rampas como o Cal são denominadas de voo de Cross Country, termo utilizado mundialmente para a modalidade do voo livre que consiste em subir o mais alto para voar o mais longe, através das correntes de ar, denominadas ascendentes térmicas.
Uma das rotas do Morro do Cal é para a cidade da Lapa, e quem pousa lá ganha o troféu coxinha, que nada tem a ver com as mortadelas e as zelites, é apenas porque tem uma confeitaria com uma coxinha divina. Novamente não é porque eu vivo pensando em comida, ok?

Olha aí o Kauan, um dos nossos instrutores concluindo a missão coxinha e chegando na confeitaria.
O que transforma o tecido, as linhas e todo apetrecho do esporte em uma asa é a aplicação de um princípio chamado de Bernoulli. O nome é uma homenagem ao criador da coisa toda. Um carinha suíço bacana que estudou a mecânica dos fluídos.
Resultado de imagem para bernoulliOlha a beca do cara! Uma simpatia só!
Se fosse aqui no Brasil poderíamos até pensar que ele está prestes a sacar uma arma para se defender de algum assalto. Como é na Suíça, pode apostar que ele esta prestes a sacar uma caneta. A melhor arma de todas contra qualquer maleza mundial, educação.
Graças a ele que temos todas as possibilidades da aviação, incluindo todos os aerodesportos, como o parapente. (ok, também para a fórmula 1 e tudo que necessite de aerodinâmica para funcionar com louvor e destaque).
Dica: Não precisa sair digitando no google Princípio de Bernoulli. Durante o curso o instrutor te conta tudo isso na prática e na teoria, na intenção que o conhecimento seja intuitivo durante o seu bater de asas e levantar o voo.
Conquistas Brasileiras no mundo dos ares
O Brasil possui uma das fábricas mais responsáveis e confiáveis. A Sol Paragliders. Presente em 62 países, líder das Américas e inovadora na responsabilidade ambiental e social em todo o processo da produção. Um orgulho para a nação! 🙂

 

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Olha aí nós com os fundadores da Sol. É muita chiqueza né!
Falar do parapente no Brasil e não falar dessas duas pessoas, os fundadores da Sol, Ary e Fernando Pradi é um crime imperdoável. São eles os principais responsáveis pelo desenvolvimento e fomento do esporte no Brasil. Merece um artigo a parte.
Nosso país não apenas se destacou pelo futebol (aqui vai da sua auto-estima lembrar do 7 a 0 ou lembrar que somos Pentas) e a fábrica Sol Paragliders, mas também por sua condição de voo. De norte a sul, de leste a oeste é possível encontrar o seu estilo de voo.
Voos tranquilos, como finais de tarde no interior desse grande país, ou em nossas belas praias. Um deleite para permanecer por horas deslizando pelo topo das encostas e curtindo a  bela vista, até repousar nossas asas na beira mar ao som das ondas. Esse tipo de voo é denominado voo de lift.  Etapa aprendida logo que o piloto domina a técnica de decolar, aproximar e pousar com perfeição. Por aqui, os nossos destinos praianos mais comuns são: Ilha do Mel, Penha, Praia Vermelha, Atalaia, Balneário e Caiobá. Confere um pouquinho os momentos.

Voos que alimentam a visão nas grandes montanhas de nossa mata atlântica. Já te mostramos o quão espetaculares são. (Hike’n Fly)
Voos que nos desafiam interior adentro, em busca do troféu na confeitaria. Desde Campo Largo, Tibagi, Pomerode e tantos outros lugares que costumamos sobrevoar. Esse é um tipo de voo que mais satisfaz os pilotos.
Ahhh, que lindeza que é descobrir tantos lugares, ver tudo isto de cima e desfrutar dos sabores de cada um!
Dos bolinhos de carne do Morro do Cal à alcatra do Bar do Paulo do Morro do Palha, entre a decolagem e o pouso, 13km de voo livre. Dos chimarrões dos Pampas gaúchos aos marrecos Catarinenses. Da carne de sol do sertão nordestino ao arroz de pequi de Jaraguá, Goiás. Das caipirinhas cariocas aos pães de queijo mineiros. Ops! Desculpa. Minas tem doces e uma infinidades de queijos coloniais também. O que você pode não saber é que ela foi considerada por muito tempo o Havaí do voo livre mundial, até que o Ceará mostrou o potencial do cangaço, e não foi com Lampião e Maria Bonita. Foi é botando a galera alada a percorrer distâncias inacreditáveis em um parapente, 100 km, 200 km, 300km, 400km, achou muito! A coisa não parou aí, e sim em 564 km de voo livre!
A fama do cangaço ecoou pelo mundo e a gringarada aparece em peso pelas bandas de lá na temporada de voo.
Mas…. ah esse mas é o melhor mas que já escrevi. Entra primavera, sai primavera e o caneco dos recordes de Cross Country é dos nossos. O consagrado capixaba Frank Brown (13 vezes campeão do brasileiro e mais um par de conquistas), o menino do rio Rafael Saladini, o tu tais doido de Santa Catarina – Donizete Lemos e Marcelo Pietro e o mineirinho mais carismático que nossos ares conhecem, Samuel Nascimento (como vai a vida Samuka?). Compartilham as longas distâncias de parapente e às vezes disputam o título de campeão brasileiro revezando também o troféu.
Para quem curte assistir documentários de montanha,  vale a pena assistir o média-metragem, dirigido por Rafael Saladini e Pedro Dumans, CICLOS. Conta a história do recorde mundial de distância (461,4 km) percorridos no dia 14/11/2007.
O média metragem ganhou os prêmios de Melhor Júri Popular e Oficial no ano de 2009 – Mostra Internacional de Filmes de Montanhas e em 2010 ganhou o prêmio de Melhor Conquista Esportiva, no Les Icares du Cinema. Prêmios conquistados lá no berço do parapente – França. Essas imagens são as grandes ondas do voo livre e aí estão a nata do esporte. Surpreenda-se!

Os cabras da peste são tão vorazes que bateram o próprio recorde, a proeza dos 564 km foi decolar de Tacima da Paraíba e pousar no interior do Ceará.
Pelloooo amoooor do bom senso! Não vá entender que o cabra da peste é porque eles são uma peste! Cabra da peste significa valente e corajoso nos ditos nordestinos. Belê?
Dica: Aqui você pode correr para o google e digitar Cabra da Peste. Se digitar só peste no Brasil o resultado da busca pode te direcionar para a Esplanada dos Ministérios.
Para a próxima quebra de recordes irei dar uma sugestão de título do média-metragem. Aproveita a dica Rafael Saladini, para criar todo o roteiro: Comer, Voar e Amar. Não necessariamente nessa ordem, aí é com o roteirista e o montador.
(p.s: O Márcio pediu para eu dizer que a sugestão é minha, não dele, pois achou o título “delicado”,  apesar de eu achar super motivador). 🙂 Avisado!
Agora para o respeitável público. Sacou quantas coisas podem ser vivenciadas no esporte?
Achou que era só descer da montanha?
Tem  tanta coisa que vem no pacote, não apenas as guloseimas. As possibilidades emocionantes, tranquilas, intensas. Visualizar o mundo do ângulo mais privilegiado, na base da nuvem; sobrevoando praias, rios, lagos, montanhas, vales, enfim inúmeros lugares, cada qual com uma beleza e história que vão sendo inseridas nas páginas da sua vida a cada ida para o morro. Amizade, união, espirito de coletividade, aventura e viagens são uma constante nesse fascinante esporte que possui tantas nuances.
Saudações aéreas!
Nicolle Muraro / Família Vento Norte Paragliders

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