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Sobrevoar e Sobre Voar

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Tudo aquilo que nos eleva, carrega junto uma série de coisas que não podem ser deixadas pra trás, talvez por isso muita gente escolha ficar inconsciente, vivendo apenas no conhecido e negando seu verdadeiro poder.

Pois bem, nós, que recebemos esse presente que é o voo livre, muitas vezes acreditamos ser verdadeiramente alados – ter o poder de voar.

De acordo com nosso professor Aurélio, o significado da palavra “voar” pode ser tanto “mover-se e manter-se no ar por meio de asas” quanto “elevar-se em pensamento, ter concepções sublimes”. Ou seja, é tudo uma coisa só. Podemos voar com os pés no chão, quando elevamos nossos pensamentos, da mesma maneira que podemos estar voando fisicamente, vários metros acima do chão, e ainda assim estar com os pensamentos lá em baixo.

Para nós, que já reivindicamos esse nosso poder/responsabilidade, há a necessidade de uma coisa completar a outra, de cumprirem sua natureza de ser uma só.

O voo não é completo e muito menos verdadeiro, se configurar-se apenas em manter-se no ar por meio de asas. Não será completo, se há a necessidade de decolar para o outro, e não para você mesmo. Não será completo se houver competição. Não será completo se não pudermos voar todos juntos, na mesma direção. E não será verdadeiro se nos tirar do foco principal de nossa existência, que é nosso caminho juntos em direção a quem somos verdadeiramente, ao amor.

Um grande poder traz uma grande responsabilidade.

Se nos chamamos de seres alados, que possamos sê-lo então, com todo o sentido dessa palavra, e com a dignidade e merecimento de podermos assim ser chamados. Que possamos buscar ser melhor, e que possamos ajudar o outro a se elevar com o mesmo propósito que há para nós mesmos, com paciência e compaixão para com aqueles que estão enroscando numa térmica mais abaixo de nós, e com humildade para admirar e aprender com aqueles que estão na base da nuvem…

Quanto mais crescemos, maiores se tornam os desafios. Quanto mais nos elevamos, maior fica o impacto – se cairmos.

Não basta querer voar, é preciso saber sobrevoar.

Bons voos a todos, em Terra e em Céu.
Texto de Águeda Pacheco.

Como Chegar na Ilha do Mel

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O voo livre acontece no lado de Encantadas.
Para chegar na Ilha apenas de barco, por Pontal do Sul ou por Paranaguá. Preferimos Pontal do Sul, pois a travessia para a Ilha é de 30 minutos, enquanto a outra é cerca de duas horas.
Em Pontal do Sul siga pela avenida principal até a placa de indicação para Ilha do Mel (à esquerda). Será fácil se localizar, pois haverá um grande movimento de comerciantes oferecendo vagas de estacionamento. Siga adiante até chegar ao Terminal de Embarque e Desembarque das barcas. Há um estacionamento bem ao lado, uma comodidade para quem não gosta de carregar bagagens, e principalmente o glider, de um lado para o outro. Não hesite em pedir informações, o local é muito turístico e de conhecimento geral dos locais.
  • Horários das barcas para a Ilha do Mel: das 8h às 17h, de hora em hora (confira os horários com antecedência e antecipe a hora de chegada para evitar imprevistos)
  • Passagem: garanta sua passagem no guichê localizado no Terminal
  • Destino: Encantadas. Atenção ao destino do barco! O voo acontece em Encantadas, certifique-se que este é o seu destino. Há também barca para Nova Brasília, onde não há voo (caso tenha errado o destino, considere uma caminhada de 2h para chegar ao outro lado da Ilha, Encantadas).
COMO CHEGAR AO MORRO DO SABÃO (decolagem) 
Uma vez em Encantadas, você deverá localizar o local de voo. O Morro do Sabão é uma extensão do Morro da Cruz (referência visual), para o interior da Ilha. Esse complexo divide a Praia de Fora e a Praia do Miguel.
  • Para chegar até o Morro do Sabão, siga pela trilha principal que sai do trapiche da Praia de Dentro até a Praia de Fora.  Chegando à Praça de Alimentação da Praia de Fora, o Morro do Sabão está localizado à esquerda (considerando que você está de frente para o mar). Desça a escadaria e siga pela areia (de preferência mais próximo ao mar, em virtude da trilha de restinga ser alagada), até chegar ao pé do Morro da Cruz.
Nesse ponto, você deverá visualizar a escadaria do Morro do Sabão (não confundir com a trilha do Morro da Cruz). A escadaria está mais distante do mar e mais próxima ao relevo contínuo, e faz jus ao nome do Morro por ser muito escorregadia em dias chuvosos. Siga pela escadaria e, antes que que se inicie a descida, tome uma pequena trilha à esquerda e logo encontrará a área de decolagem.
A subida é leve, sem dificuldades naturais e obstáculos, caso sinta-se cansado(a), caminhe devagar, pare para descansar e aproveite para apreciar a bela vista.
São apenas 50 metros de subida, com uma vista fascinante.
Lembre-se de beber água (levar, pois não tem comércio na Praia de Fora, apenas na Praia de Dentro). Use protetor solar e repelente.

Caso não tenha ingressado no esporte, mas tem a intenção, saiba que você pode participar dessa trip e começar a sua aventura nos ares.

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Participe e viva essa experiência inigualável.

Artigo de Nicolle Muraro


Outras informações sobre a Ilha do Mel:

Dicas sobre a Ilha e dicas sobre o Voo Livre por lá

Como chegar na área de voo Ilha do Mel.

Atrativos Ilha do Mel.

Fotos do Festival Eco Cultural e Esportivo – 2016

Entrevista Mauricio Braga

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Mauricio Braga - Gatinho

Mauricio Braga, também conhecido pelo apelido de Gatinho, iniciou no esporte no ano de 2002, sendo um dos pioneiros da acrobacia no Brasil, com experiência internacional como Juiz Oficial Acro, da FAI, atuou por alguns anos na Europa, durante o Circuito Mundial de Acro, tornou-se um profundo conhecedor do comportamento do parapente, e no decorrer dos seus 15 anos de experiência no esporte, é um dos poucos instrutores do curso de SIV – Simulações de Acidentes em Voo, no Brasil.

Vento Norte: Como e quando tudo começou, em que momento decidiu voar de parapente?

Mauricio: Foi uma loucura. Um dia meu pai entrou na sala de casa, com um instrutor de voo livre, comunicando que iria voar. Na minha infância já havia visto um piloto voar de asa delta no “topo do mundo”, lá em Belo Horizonte – MG, porém tudo aquilo era inatingível, até meu pai se propor a começar a fazer uma coisa que ele nem tinha noção do que seria. Eu praticava escalada, esporte outdoor, conhecia os riscos naturais, como vento e tempestades, e naturalmente fiquei preocupado, decidi tomar conta do meu pai, meu coroa, na verdade, o “Véio”, hoje o apelido dele. Iniciamos o curso praticamente juntos, mas o que tinha medo aconteceu, um acidente no morrinho. Fiquei temeroso com relação a ele, me afastei, e mesmo assim ele não arredou o pé, um dia cheguei e disse: “Pai, parapente não tem cabelo para se segurar, ou seja, quando cai, cai de vez.” Ele disse: “Acho que você esta mal informado, precisa participar de uma aula teórica.” Aí, foi o meu erro, ou sei lá, sorte. Fui fazer a tal aula e quando cheguei estava passando alguns vídeos, onde o pessoal fazia o parapente fechar e algumas acrobacias. Logo pensei: Uhm, isso poderia ser legal. Sempre gostei de ter controle sobre as coisas, isso é uma necessidade, é legal entender. E foi o que me atraiu; giros, looping e tudo que dava movimento ao parapente. Depois descobri outras coisas, e escalar não acabou, agora ao invés de escalar montanhas, eu escalo nuvens.

Vento Norte: Quando resolveu ingressar nas acrobacias e SIV de parapente?

Mauricio: Desde o começo sempre busquei o desafio de saber o que estava acontecendo, pois não queria me machucar. Com alguns voos descobri que o parapente não é uma coisa que seja rápido, na verdade. O voar reto não é radical, proporciona muita emoção e contemplação, não que se deslocar por longos quilômetros seja chato, muito pelo contrário, é muito legal e faz parte de uma arte, a arte dos pássaros, que se mantém no ar pelo simples fato de serem pássaros, e que o diga o nosso Dream Team, Bigode, Cecéu, Saladini, Frank e o Samuka -, mas a acrobacia para mim é muito mais dinâmica, leva o piloto para um novo conceito de voo, e foi em um SIV que pude medir meu interesse, minha habilidade e a minha satisfação de estar fazendo esta doideira, que é gira pra cá*, cai pra lá*, etc.
Gira para cá, cai para lá é uma expressão que refere-se as manobras executadas pelos pilotos de parapente na acrobacia.

Vento Norte: Você fez parte do desenvolvimento acro/SIV no Brasil, pode contar um pouquinho para nós?

Mauricio: Sim, fiz parte do desenvolvimento da acro/SIV, porém o início foi em 1997, com o Harry Buntz e o Urhs, pilotos que vinham da Alemanha, ministrar os cursos por aqui, e logo após veio a evolução com David Eyraud, piloto francês, um dos idealizadores das competições de acrobacia na Europa. Com a questão consolidada, vieram os primeiros instrutores de SIV brasileiros, como: Mingo, Marquinhos e o Sivuca.

Para mim tudo começou em 2002, uma trajetória rápida, pois estava disposto a aprender a voar, e em menos de um ano já tinha feito o meu primeiro SIV, com o Sivuca, depois uma passada pelo EUA, onde me machuquei e tive que dar um tempo.

A busca continuava, sabia que participando de competições iria conhecer o caminho. Conheci no pré-mundial – 2004, em Governador Valadares, Fabio Fava e o Thomas Brauner (piloto de teste da Macpara), que realmente me explicaram o mundo da acrobacia. Também tive a oportunidade de participar de um curso para juiz de competição Acro, que iria acontecer na Argentina, e lá realizei um SIV com Pablo Lopez e o primeiro curso de instrutor, que me ensinou a dar aula. As portas se abriram para o universo da acrobacia, todas as informações que eu precisava estavam sendo proporcionadas naturalmente, conhecendo e convivendo com grandes pilotos do mundo acrobático, durante 7 anos participei de todos os eventos, no final competindo e não julgando, isso acabou me aproximando de pessoas que tinham interesse em organizar eventos no Brasil.

O primeiro evento no Brasil foi o Acrovix, uma mistura de competição e acroshow, realizado pelo piloto Frank Brown. Existia, por outro lado um movimento muito grande em São Paulo, de SIV. O Kurt, que no início estava junto com o Sivuca, fez parceria com Alex, montaram a piloto SAFO, com o propósito de difundir a modalidade, isso fez com que uma necessidade de montar uma verdadeira competição existisse, assim foi montado a primeira competição brasileira de acrobacia, na época respaldada pela ABP.

O Brasil era muito bem representado nas competições, na Europa. Fábio Fava e os Renatinhos (Sol Tribal Acro). Foram 4 anos de bons momentos para a acrobacia. O último evento realizado no Brasil, feito em 3 etapas, participei competindo e ajudando na operacionalização com barco, etc. Um grande evento, como organizador e piloto, e consegui ser vice-campeão brasileiro de acro.

Houve um aumento no número dos acidentes, pouco investimento e exposição na mídia, a modalidade no esporte foi diminuindo. Perdemos amigos e excelentes pilotos, alguns deixaram de praticar, porque não havia perspectiva acro no futuro. Deixo aqui meu respeito à todos eles.

Os cursos de SIV mudaram o formato, o objetivo e os treinos passaram ser realizados em viagens para a Europa, o custo era menor e o processo de aprendizado era mais efetivo.
Atualmente vemos existe um reestabelecimento do interesse de adeptos a acrobacia, mas muito tímido ainda, se relacionarmos com o melhor momento que vivemos há tempos atrás. Apesar das dificuldades, o movimento não morreu.

Ah, foi depois do SIV com o Pablo Lopez que comprei meu barco, para praticar, iniciando também minha jornada como instrutor, um longo caminho, e hoje agradeço a cada um que por ele passou.

Vento Norte: Dos lugares que voou, poderia citar a rampa, cidade e estado, conforme as características e contar um pouquinho para nós sobre esses lugares?

O melhor voo: Foi um voo duplo que fiz em Castelo – ES. A passageira era uma senhora de 70 e poucos anos, cujo o sonho era voar. Uma pessoa muito humilde e simples, que nasceu e morou a vida toda na cidade, nunca viajou de avião. O voo foi uma explosão de energia boa, que desde o começo, quando ganhamos altura e chegamos a 2.300 metros – o visual se amplia e tudo passa ser descoberto de outras formas -, narrando cada passo do voo e descrevendo os lugares, que já estavam ficando pequenos, a senhora juntou cada pedaço da sua história e vida no ar. Com sustentação, passamos por alguns pontos de sua importância e em um dado momento ela faz um comentário: Meu filho, obrigado por me levar, este momento é o mais maravilhoso. Agora eu posso partir em paz, pois me sinto feliz por completa. Isso mexeu muito comigo e tenho este voo sempre nas minhas recordações, foi o momento que realmente descobri como o voo pode mudar e completar a vida de uma pessoa.

A melhor paisagem: Esta é a mais difícil de responder, pois seria injusto com todos os lugares que já visitei. Vou citar algumas: no exterior Oludeniz – Turquia, Iquique – Chile, Annecy – França, Chamonix – França, Castellicio – Italia. No Brasil: Castelo, Pancas, Ninho das Aguias, Alfredo Chaves …

A mais arriscada: Sem dúvida o meu primeiro voo, quando decolei pensei: agora você precisa pousar este trêm!

A sua favorita: Acho que a próxima aventura ou o próximo voo. O voo me deu muitas alegrias, todos fazem parte de uma linda história, não posso dizer que teve melhor. Acho que tudo foi ao seu tempo.
Vento Norte: De todas as suas aventuras no esporte, tem:

Alguma muito engraçada: Quando fiquei preso sem visto, entre dois países, Sérvia e Bulgária. Foi muito engraçado, a pessoa da imigração falava russo ou espanhol, e eu com meu portunhol, quase fui mandado de volta para o Brasil.

Algum incidente: Incidentes vários, inclusive dá para imaginar pelo número de reservas, 29, mas acidente, um único e que me ensinou demais. Fazer wingover em baixa altura, bati na montanha. Me mostrou que o chão é duro e não somos bola para ficar quicando.

Alguma experiência local, seja com alguma comunidade ou encontro com algum bicho que seja memorável: Voar vestido de Papai Noel, é sempre muito legal, porque podemos cativar ainda o coração das crianças. Sempre que sou convidado, eu faço o possível para participar.

Um pouso muito, muito roubada?
Já tive alguns, de lançar reserva, porém o mais roubada foi de XC, entre Castelo e Cachoeiro de Itapemirim. Sem dinheiro, sem água, sem nada. Passei 4 horas procurando um ponto de ônibus, quando achei um vilarejo perguntei para o pessoal o local do ônibus, só existia um por dia e ele já tinha saído. Com muita espera consegui uma carona em uma viatura de policia. Rs. Pensa na roubada, chegar no hotel em uma viatura policial.

Vento Norte: O que você considera ser a maior dificuldade no esporte?

Mauricio: O voo requer muita dedicação e estudo, acho que tem pessoas que não estão acostumados com isso. Tudo no Brasil é complicado de fazer, e no voo não é diferente. Buscar informação e aprender de maneira correta é difícil, tem muita gente que não presta a devida atenção na sua formação. Tirar o pé do chão não é muito difícil, mas fazer bons e seguros voos requer atenção, dedicação e perseverança.

Vento Norte: Quais são os cuidados que você recomenda para os pilotos que realizam Acro ou o SIV?

Mauricio: Os cuidados estão na busca da informação. Tentar aprender através de uma didática e seguir um plano de desenvolvimento que vai dar resultado. O controle do parapente é uma arte e tem seus segredos. Nem todos conhecem ou sabem passar os pontos chaves. Buscar um profissional bom e praticar em um ambiente que possibilite controlar parte dos riscos. Voar com pessoas que podem maximizar a segurança e não somente um minuto de adrenalina. Muitas vezes um toque pode ser uma informação ruim, pois falta o conhecimento de uma base de aprendizado que ficou perdido atrás.

Vento Norte: O que o voo livre significa em sua vida?

Mauricio: Dizem que evoluímos a cada dia, que aprendemos algo diferente ou vivenciamos algo novo. O voo livre na minha vida é isso, a descoberta e a evolução o tempo todo. Agradeço todos os dias por poder voar e fazer parte desta evolução constante.

Vento Norte: Gatinho, muitíssimo obrigada pela entrevista e por podermos contar com você na grande família Vento Norte! Toda vez presta um atendimento magnífico para nossos alunos e pilotos. Somos extremamente gratos por seu apoio, amizade e conhecimento!

Bons, longos e seguros voos!

Por que voamos?

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O porquê da vida quase ninguém sabe, se vive e se morre.

Será que voar é o mesmo?

Algum encantamento nos faz subir nas termais?

Alguma procura pela paz de espírito nas alturas?

Quem sabe?

As gigantes imensidões dos espaços aéreos são reservadas aos sinceros de coração.

Mirem todos aqueles que vocês acham indignos de voar e percebam quão pouco tempo voarão.

A pureza do azul não perdoa aqueles que a penetram sem ter algo de anjo.

Anjos voam espaços mitológicos além da nossa atmosfera gasosa, mas são governados pelo mesmo elemento Ar que nos mantém pairando, portanto, para serem anjos necessitam de candura, de leveza, coisa obrigatória para anjos e necessária para humanos desasados.

Não encontro respostas do por quê voo. Até hoje quando me impuz metas, fui lançado ao chão pela Grande Natureza. Ela sempre me quis vagabundo, um ser vagando livre pelas correntes de ar. Ela sopra isto ao meu ouvido e me faz esquecer… as perguntas que teimam em não calar.

Os operários do ar, aqueles que apenas cumprem tarefas no voo para si e para os outros, quando alcançam suas metas perdem a vontade de voar.

Quanta gente já perdeu as asas?

Sempre senti pena daquelas formigas que acabam se livrando das suas asas com um simples movimento de patas. Desde criança nunca compreendi tão impressionante renúncia. Subitamente, de criaturas aladas tornam-se formigas ou cupins e se metem terra a dentro. Agora assisto seres alados humanos livrando-se das suas asas e metendo-se nos cupinzeiros das suas pequenas vidas de nascer e morrer. Minha visão de menino já não consegue então diferenciar humano de formiga de cupim.

Quando o sol alonga suas sombras encobrindo os vales, quase sei a resposta. Quando meu coração transborda de alegria voando ao lado de um pássaro, compreendo mais um pouco. Quando quase estou no chão e me vejo girando para cima, para cima, magicamente rodopiando num redemoinho invisível chego perto daquilo que os Deuses gritam e não ouço: as respostas aos meus porquês, todas as respostas ao mesmo tempo num caleidoscópio de compreensão.

Tenho que me acostumar a isto, frequentar os céus e saber tão pouco da Língua de Ouro das coisas que falam por si mesmas. Lá naquelas paragens já ouvi cânticos, vozes e outros sons humanos e celestiais, já respondi para gente que chamou pelo meu nome, já chorei e já amei meus inimigos, já amei a humanidade, já odiei e já me considerei a mais baixa das criaturas. Tudo isto serão as respostas?

Planar não é o bastante, flutuar é preciso quando o assunto é contemplação. Quando isto acontece, perguntas são vazias, não há porquês, porque a vida é um eterno AGORA em seu livre movimento.

Então cuidemos para que nossas patas não arranquem nossas asas involuntariamente transformando-nos irremediavelmente formigas ou cupins, que fazem a suprema renúncia da flutuação para sempre.

Entrevista Hilton Benke

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Hilton Benke é um apaixonado pelo montanhismo, tem 37 anos, é empresário na Loja Alta Montanha (www.lojaam.com.br) e viaja frequentemente em companhia da esposa Greyzel, com quem compartilha a vida a 17 anos, e da filha Mariana de cinco anos, uma aventura em família repleta de intensidade e imagens incríveis que podem ser conferidas no final desta entrevista.

Aprendeu a voar na Vento Norte Paraglider e atualmente pratica o esporte voo livre há dois anos e um mês, acumulando 150 horas de voo e já coleciona alguns troféus e medalhas em campeonatos.

Nem pensava em se tornar piloto de parapente, o primeiro contato com o esporte foi em 2001 assistindo a decolagem do piloto e amigo Gil Pierkars em uma montanha da Serra do Mar Paranaense, denominada Torre da Prata, naquele momento teve ainda mais certeza que não voaria jamais em um parapente, até que em 2013 assistiu um vídeo do piloto Rafael Wojcik com o Gil sobrevoando o Pico Paraná, despertando a vontade de voar que ganhou força no momento em que estava no Morro do Anhagava e o Rafael passou voando sobre ele. “Àquela época eu jurava que um parapente não podia subir e tinha a ideia de que me serviria apenas para “descer” as montanhas… Inclusive, lembro que nas primeiras aulas, afirmei isso ao Professor Marcio Lichtnow, que respondeu: Veremos…”

Vento Norte – Qual é a emoção envolvida em ser piloto de parapente?
Hilton – Eu descobri no parapente o melhor esporte e a melhor atividade que já pratiquei em minha vida. Já escalei em montanhas do Brasil e dos Andes, e já fiz travessias maravilhosas em montanhas impressionantes. Tudo isso agora ficou muito, muito melhor ao levar um parapente nas costas. O voo integrou ao ambiente que eu gosto de estar, e tornou tudo mais divertido e mais belo. E ainda descobri o tal do “Cross Country”, que foi amor à primeira vista. É a aventura maior, a exploração, o se lançar ao desconhecido, o alimento para a alma e a sensação de se estar vivo!

Vento Norte – O que você considera ser a maior dificuldade no voo?
Hilton – Controlar a ansiedade ao decolar.

Vento Norte – Pode considerar que o voo livre mudou sua maneira de encarar algumas situações, sejam elas profissionais, espirituais, sociais e outros, ou que mudou sua vida?
Hilton – Não posso dizer que foi o voo livre que mudou, porém, sem sombra de dúvida, me fez um despertar para a realidade que eu estava vivendo. Eu trabalhava num banco, e vivia para o trabalho. Tinha me afastado das aventuras que tanto gostava. Tinha engordado, dormia mal e gastava dinheiro com coisas inúteis. O voo me trouxe novamente para o mundo das aventuras e com isso, aquela sensação de que as coisas não estavam bem aflorou com mais força e me fez tomar decisões importantes para a minha vida.

Vento Norte – Possui algum sonho no esporte a ser realizado ou conquistado?
Hilton – Já realizei muitos sonhos. Mas sonhos são estranhos né, quando se realiza um, logo aparece outro. 🙂

Vento Norte -Tem algum momento que considera mais especial que os demais?
Hilton – Tenho alguns momentos. A primeira vez que entubei numa nuvem, quando ainda era aluno, em março de 2014.
Quando tive o privilégio de realizar a travessia do Anhangava para Morretes, por sobre a serra do Marumbi. Tinha pouco mais de 6 meses de voo e, sozinho, fiz esse voo até então considerado um dos grandes desafios, mesmo para os pilotos mais experientes.
Outro voo memorável e talvez um dos mais emocionantes, foi quando em companhia do Gil e do Rafael, que são as minhas referências no voo, realizamos a travessia da Serra do Mar, por entre as nuvens, e ao lado do Pico Paraná. Saímos do Morro do Camapuã, que é a montanha que mais frequentei na minha vida, e sem pretensão alguma, realizamos esse feito!

Vento Norte – Já voou em quantas rampas de voo? Dessas rampas tem alguma que você tem um carinho mais especial?
Hilton – Já voei em 38 rampas. Claro que as que mais tenho carinho são as da Serra do Mar, em especial no Anhangava. Mas das rampas mais “comuns”, gosto muito do Morro do Cal, onde aprendi a voar, da rampa de Pomerode, pelas pessoas que sempre nos atendem muito bem, de Andradas, por ser acima da média e sempre me dar bons voos, e de Jaraguá – GO, pelo desafio e pela possibilidades que tem por lá!

Vento Norte – Já passou por algum incidente ou acidente, se sim o que houve e por que?
Hilton – Já tive dois pousos que não saíram muito conforme tinha planejado. Um deles, no Morro do Capivari, aproximei sem prestar atenção na estrada ao lado do pouso e quase peguei carona com alguns caminhões da Sadia. Com o susto, entrei com muita força no pouso, causando um choque que, por sorte, só foi engraçado. Outra vez, no morro do Palha, insisti por muito tempo em uma térmica fraca, e com o vento forte não consegui chegar no pouso oficial. Acabei pousando meio de lado e com o parapente enroscado em alguns galhos de uma árvore, mas sem maiores problemas…
Acho o voo em parapente um esporte seguro, quando levado à sério. E os dois pequenos incidentes que tive, foi por absoluta falta de atenção ao que estava acontecendo em volta, talvez até por estar relaxado demais com a situação.

Vento Norte – Que dica você diria para aqueles que estão começando no voo livre ou que pretendem iniciar no esporte?
Hilton – Treine muito, estude muito, ouça o que teu professor fala, respeite a natureza (e a gravidade) e sempre mantenha atenção total durante o voo, principalmente nas decolagens e pousos.

Vento Norte – Se quiser deixar um depoimento para a Vento Norte, pilotos e alunos sinta-se a vontade!
Hilton – Sou muito grato por ter realizado meu curso na Vento Norte. Acredito que poucas escolas de voo dão tanto destaque à parte teórica, cujo aprendizado considero como fundamental para quem quer voar bem e com segurança. Além disso, o professor Marcio Lichtnow sempre está a postos para nos ouvir, nos dar conselhos e puxões de orelha – que (por sorte) foram poucos… 🙂

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