“Tudo o que a gente quer é agarrar em alguma coisa para sair de uma vida atolada.

Um novo amor. Um novo projeto. Uma viagem. Religião. Astrologia. Terapia. Curso tântrico. Uma corda. Qualquer corda.” 

Martha Medeiros

Me deparei com essa frase enquanto pesquisava as críticas de um livro que estou finalizando, Walden, de Thoreau. A frase poderia muito bem estar em alguma página do livro sem sequer perceber-se que as 338 páginas foram redigidas no ano de 1854 e a afirmação no ano de 2017. (evidentemente sem considerar a peculariedade da escrita)

O sentimento de querer mudar o rumo da vida e viver plenamente é presente em todos os tempos, é vitalício, assim como o apreço do homem pela natureza como resgate da qualidade de vida.

O livro que mencionei é uma autobiografia de um escritor estadunidense, naturalista, filósofo e transcendentalista, e que insatisfeito com o modo de vida instaurado pela Revolução Industrial resolve viver por dois anos e alguns meses nos bosques das margens do lago Walden. Thoreau influenciou profundamente o pensamento político e ações de personalidades notáveis como Tolstói, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Emma Goldman, Edward Abbev, Willa Cather, Marcel Proust, Ernest Hemingway e tantos outros, além dos movimentos ambientalistas atuais, o minimalismo, o movimento hippie (que foi bastante distorcido daquilo que Thoreau propôs) e até mesmo a alimentação vegana. Por fim descobri que na década de 80 ele e outros escritores, músicos e alguns filmes foram intitulados como Outsiders, embora muitos tenham considerado a palavra infantil e detestado o uso do termo para a originalidade de tais personalidades misturadas com personalidades duvidosas, loucas e auto-destrutivas que entrariam mais para a psicanálise do que qualquer outro fator e com o passar do tempo o termo foi abandonado por essas razões. Quiça, nem imaginamos a vastidão desse termo e usamos tanto para os esportes radicais! Mas cá entre nós, que de instrutor e de louco todo mundo tem um pouco.

Eu poderia arriscar, no caso do autor que estou lendo e não da galera toda dos outsiders (até porque ainda não li, não vi e nem ouvi todos), que ele seria um grande incentivador dos esportes outdoors, desde que com responsabilidade e consciência ambiental e principalmente se essa for a frequência e ritmo ditado pelo coração.

Mas afinal de contas o que é o espírito outsiders do autor que estou lendo?

É uma percepção de que a vida é muito mais sublime do que se supõem. Que todo homem pode fazer da própria vida uma existência esplêndida, mesmo com as ambiguidades desse imenso poder e seus imensos vacilos, tropeços e perdições. Um mergulho na alma, uma liberdade, um embarque pelas entranhas do ser, uma viagem alucinante pelo sentir. Um levante contra a sociedade que diz que a felicidade está nas posses, nas aquisições, bens e conquistas materiais. Contra os absolutos, que não caminha no ritmo dos tambores de um sistema capitalista padronizado, pois considera essa frequência desnatural, sem intensidade, superficial, desnecessária, uma anestesia da vida, sem essência e sem alma. (Consideração: Thoreau vivia em um tempo em que a jornada de trabalho aproximava-se de 17 horas, sem descanso e sem férias, e escravagista).

Ele escreve que o essencial para nossa existência é simples, e está disponível para todos. Tudo que é simples é prazeroso. O cheiro da terra molhada, do mato, a rede na sombra, a garoa no vidro, a tempestade e a vela, o cume de uma montanha, a risada alta durante a caminhada, o vento sacudindo folhas, o cheiro do pão caseiro preenchendo o lar, o olhar para o simples, a alma na calma. A vida acontecendo nos detalhes.

Thoreau gostaria que nada fosse realizado com pressa, e que a pressa nas cidades, o trabalhar para ter coisas apenas contribuía para atolar ainda mais o homem na areia movediça enquanto a alma gritava pela tal corda que Martha Medeiros escreveu.

Sabe como é que foi, seu moço, eu conto: vinha fugindo da minha verdadeira identidade, sem coragem para ser uma pessoa mais original e livre, assustada por achar que não daria conta de viver fora dos padrões, e então corri, corri tanto que, quando vi, tchibum, caí nessa rotina movediça desgraçada, e o meu sonho de ser eu mesma, que seria facilmente alcançável com duas braçadas, ficou longe demais da minha realização. Estou imobilizada pela força sugadora das minhas escolhas covardes.

Relaxa criatura, pois sempre tem o convite ao singelo, ao puro e ao simples. O convite outsider (no bom sentido) para mudar sua existência e permitir-se sentir-se fascinada com a vastidão do céu e ouvir o coração vibrar quando levantar o seu voo! É a vida pulsando em você!

Os únicos seres felizes do mundo são os que gozam livremente de um vasto horizonte. – Thoreau

Está em seu poder querer voar!

Esvazia a mochila, a bolsa, a casa e a mente, você não precisa disso tudo. Quanto mais leve, mais livre é seu voo. Quanto mais você tem, mais escravo e pobre você ficará, e mais cedo irá precisar da corda, porque esta pesando. Simplifica!

Você só precisa do essencial, do silêncio, da arte, do amor, da ousadia e da coragem para voar.

Para aqueles que curtem documentários, segue um longa sobre o livro Lago Walden e seu autor:

H.D.Thoreau

Quer andemos depressa ou devagar, o caminho esta aberto.

Fui para o bosque porque queria viver deliberadamente, enfrentar apenas os fatos essenciais da vida e ver se não poderia aprender o que ela tinha a ensinar, em vez de, vindo a morrer, descobrir que não tinha vivido.

Caio Fernando Abreu

Depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.

Charles Bukowski,

Você tem de morrer algumas vezes antes que você possa realmente viver.

Jim Morrison

Tudo o que é desordem, revolta e caos me interessa; e particularmente as atividades que parecem não ter nenhum sentido. Talvez sejam o caminho para a liberdade. A rebelião externa é o único modo de realizar a libertação interior.

Roberto Freire

Vamos brincar de imaginar um mundo diferente?
As pessoas deixam de ser coisas e passam a ser gente!

Janes Joplin

É melhor viver dez anos de uma vida efervescente do que morrer aos setenta e ter passado a vida assistindo Tv.

David Foster Wallace,

A verdade liberta, mas só depois de acabar com você.

Kurt Cobain

Não temos o direito de expressar uma opinião até que saibamos todas as respostas.

Entre tantos outros como Luciano Alabarse e poetas como Cacaso, Ledusha, Chacal, Leminsky, Alice Ruiz e Ana Cristina Cesar, HendrixLou Andreas-SalomeGinsberg, Lenon.  Filmes como Natureza Selvagem e Apanhador no Campo de Centeio, de Salinger, Philip L. Dick e Willian Reic.

Para os alunos e pilotos Vento Norte: Disponível para empréstimo logo que eu finalizar: Livro Walden – H.D.Thoreau

Nicolle Muraro

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui