VOAR DEPOIS DOS 50 ANOS

Sempre tive vontade de ter um hobbie que me tirasse do computador, dos livros e dos compromissos profissionais e me levasse ao encontro da natureza de forma intensa, emocionante. Então, aos 52 anos decidi aprender a voar de parapente. No início tive medo, achei que o risco era grande demais, mas logo compreendi que a segurança vem de um curso sério, das orientações de um profissional autorizado pela Associação Brasileira de Parapente e da minha própria decisão de não ultrapassar os limites de segurança. Foi aí que me inscrevi na Escola de Parapente Vento Norte e passei a ter aulas teóricas e práticas. Logo comecei a dar pequenos voos e entender melhor o que significa voar: ver o mundo de outro ângulo, vento na cara, cheiro de mato, amar a natureza e saber respeitá-la e fazer amigos que gostam das mesmas coisas. Nesse tempo de aluno, aprendi algumas coisas que quero compartilhar para os que querem iniciar no esporte:

Leve a sério desde o início.

Jamais aceite ter aulas com aquele “amigo que sabe das coisas e voa há um tempão”. Ele não é professor. Não está autorizado. Sua vida pode estar nas mãos da empolgação e não da segurança.

Matricule-se num curso autorizado com professor credenciado pela Associação Brasileira de Parapente – ABP.

Consulte o site da ABP  e verifique a empresa e o nome do instrutor. Se não estiver lá, caia fora.

Siga e respeite seu ritmo.

Tem alunos que na primeira aula prática já conseguem fazer mini voos, tiram o pé do chão treinando no “morrote” que é um descidão de grama. Outros já precisam de mais tempo, mais treinos. E não há nenhum problema em aprender devagar, pois o autoconhecimento nos livra de ousar quando não podemos ainda. Esses treinos no morrote são para sempre, pois é ali que a gente “pega o jeitão da vela” e aprende a dar os comandos na medida certa.

Quer voar? Treine antes! (clique aqui para mais detalhes sobre os treinos).

É uma delícia, pois corre-se morro abaixo e depois tem que subir. Nada pesado, mas é uma academia ao ar livre.

Voar de parapente é um esporte muito interessante, pois quebra alguns paradigmas: quanto mais velho você fica, mais experiente, melhor serão seus voos.

Ou seja, com o passar do tempo a gente fica mais bem preparado, diferentemente de outros esportes que exigem demais da nossa condição física. Por exemplo, eu jogava basquete, mas com minha idade não consigo mais competir com a molecada, pois não tenho a mesma preparação física, apesar da minha pontaria na cesta ter melhorado. Com o parapente é diferente, quanto mais o tempo passa, mais experiente eu fico e melhor serão minhas decisões no ar.

Aprendi a respeitar mais a natureza e a observá-la como nunca fiz.

Vento, umidade, horários ideais para voar, formação de nuvens, aproximação de frentes frias e já faço minhas “previsões de tempo” para o dia. Existem formações de nuvens (que o aluno vai aprender na teoria e na observação) que convidam para voar, enquanto outras (as famosas cúmulo-nimbus) que proíbem os voos. Assim, quem decide se é ou não possível voar é a natureza. E não podemos “discutir” com ela, pois precisamos respeitá-la e ouvir o que ela diz. Quando voar não é a decisão correta, ficamos batendo papo e trocando histórias de situações engraçadas que ocorrem com todo piloto. Ou seja, não voar é uma oportunidade para melhorar laços de amizade.

Solidariedade na prática.

Parapente é um esporte em que aprendemos desde o início a receber ajuda dos pilotos mais experientes e também a ajudar quem precisa. Por exemplo, para dobrar a vela (como chamamos o tecido do parapente) nada melhor que um amigo para ajudar. Por isso, ofereça sempre e aprenda a aceitar ajuda. As decolagens são sempre mais rápidas e mais seguras quando temos ajuda de outros amigos, então, quando for nossa vez de ajudar, é isso que fazemos.

Para os que moram em Curitiba e região metropolitana, indico a escola Vento Norte e os treinos semanais ocorrem em Campo Largo na região do Rio Verde (um morro gramado que é um convite para correr e tirar os pés do chão por alguns metros) e nos fins de semana voamos no Morro do Cal cuja altura é de 270 metros, uma delícia!

A gente decola (de parapente a gente nunca “salta”, isso é para paraquedistas) e voamos por aproximadamente 3 minutos até a área de pouso que fica ao lado de uma lanchonete simples e aconchegante. Pousando, a gente corre pra galera contar como foi. Parece meio bobo, mas a gente vira criança no ar. A área de pouso é grande, segura e gramada. Nos fins de tarde o por do sol é um presente para quem estiver lá.

Depois do curso de aproximadamente três meses (variável dependente do aluno) em que usamos todo o equipamento da Vento Norte (parapente, selete – a “cadeirinha” que usamos acoplada à vela, o rádio, o capacete etc) a gente pode decidir se quer continuar no esporte e então programar-se para a compra do próprio equipamento: GPS, bússola, vela, selete, paraquedas de emergência etc. (E dá para comprar à prestação, ou seja, é possível!) Todo esse equipamento você encontra no loja e tem orientações para a melhor adequação conforme tamanho, peso e objetivos com o esporte. Tem gente que acaba comprando nos mercados de internet e depois logo se arrependem, pois o material não é o adequado para o perfil do piloto. E jamais compre nada sem a orientação do professor, pois é ele a pessoa mais indicada para que você não caia em armadilhas.

Antes de entrar de cabeça no esporte, venha fazer uma aula experimental.

Eu fui e não larguei mais !! Lembre-se que, como todo esporte, há os malucos e os que aprendem a curtir com segurança. Sempre faço uma comparação com motociclismo. Eu tenho moto e dirijo há anos. Mas não empino, não faço manobras voadoras, não extrapolo os limites de velocidade, não faço curvas “deitado”, não costuro entre os carros em velocidade, mas amo o vento, andar em estradinhas de terra, enfim, curtir a vida em velocidade sem arriscar minha vida. No parapente é a mesma coisa, você vai ver pilotos fazendo manobras incríveis e vai dizer “meu Deus, que louco” e vai perceber aqueles que se deliciam voando tranquilamente com a emoção de estar “nas nuvens” que já é mais que suficiente. Cada um decide o melhor caminho.

Outra opção para ter um contato inicial com o esporte é fazer um voo duplo, ou seja, você voa acoplado numa selete e o piloto noutra. É simplesmente emocionante estar há centenas de metros de altura com toda a segurança do instrutor de voo que sempre é um dos mais experientes pilotos. Ver as árvores e as estradinhas lá de cima é indescritível.

Vale a pena.

Decidiu?

Seja bem vindo!

Sobre o autor do texto: Marcos Meier é psicólogo, professor de matemática, escritor e mestre em educação. Palestrante nacional e internacional a respeito de relacionamento interpessoal nas empresas, educação de filhos e formação de professores. Possui uma coluna semanal na RPC Tv, afiliada da Rede Globo no Paraná, na qual discorre sobre educação e comportamento. Sobre estes temas, é também comentarista de rádio há 12 anos e autor de mais de dez livros. Por sua contribuição à cidade, recebeu o título de cidadão honorário de Curitiba.

Agradecemos ao Marcos o privilégio de termos sido escolhidos entre algumas opções de escola e ainda termos tido a honra de construir uma amizade com tão estimado piloto!

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